Canadá proíbe plástico tóxico em mamadeiras e chupetas
O país se torna o primeiro a atuar sobre o Bisfenol A. Pesquisas apontam a substância como causadora de diferentes doenças.
Por Michelle Vargas
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Recentemente (nt.: abril de 2008), o governo canadense proibiu a comercialização de mamadeiras e chupetas produzidas com um tipo de plástico considerado tóxico, por conter uma substância chamada “Bisfenol A” (BPA).
O material é utilizado na fabricação de plásticos claros e duros, incluindo embalagens para armazenar comida de microondas e material utilizado em dentes para prevenir cáries. |
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O limite de segurança aceito para ingestão do "Bisfenol A", segundo a Agência Ambiental Americana (EPA), é de 50 ppb/dia (partes por bilhão, por dia). Uma criança alimentada através de mamadeiras fabricadas com plástico contendo BPA pode ingerir algo em torno de 13 ppb/dia.
Alguns pediatras consideram esse limite perigoso, pois não foram feitos estudos sobre seu impacto em humanos, somente em animais. Depois da proibição, fabricantes e distribuidores de produtos plásticos se mobilizam e respondem à pressão do mercado.
Para Sérgio Graff , mestre em toxicologia pela USP, é necessário estudos mais aprofundados sobre o risco toxicológico do material. "Dessa maneira, poderemos analisar o efeito da migração da substância presente em alguns plásticos em contato com alimentos humanos", pondera.
Como identificar
O consumidor pode identificar a presença do BPA nas embalagens através de um número presente em todas elas. Esse número geralmente está gravado no fundo dos produtos e identifica o tipo de plástico utilizado em sua composição e sua indicação, ou não, de reciclagem. Os plásticos de números 3 e 7 são os que trazem maior risco de liberarem BPA.
Outras pesquisas
A discussão tem sido feroz e os relatórios contraditórios. Analistas e comitês de especialistas são convocados por ministérios e órgãos de controle toxicológico. O Centro de Controle de Doenças, de Atlanta, nos Estados Unidos, encontrou a substância em 93% das amostras de urinas de adultos e crianças testadas no período de 1988 a 1994.
De acordo com estudo científico publicado na revista Currente Biology, a exposição a níveis elevados de forma constante pode causar severos defeitos genéticos em embriões, trazer alterações na produção de espermatozóides, puberdade precoce e risco aumentado de câncer de mama e próstata, pois o BPA age no corpo humano como se fosse um hormônio semelhante ao estrogênio.
Apesar das suspeitas de se tratar de uma substância carcinogênica, a International Association on Research on Cancer não a classifica em humanos. "Alguns estudos com animais demonstram que um dos maiores potenciais tóxicos do "Bisfenol A" é sua interferência endócrina (atua como um hormônio estranho ao organismo)”, explica Graff
Outra pesquisa feita por geneticistas da Universidade de Case Western Reserve, em Ohio, mostra que o BPA desfaz o modo como os cromossomos se alinham para produzir os ovos de ratos, levando a uma aneuploidia (causa principal de abortos e Síndrome de Down em humanos).
Durante o Congresso Europeu de Obesidade de 2008, o BPA também foi apontado como um dos químicos causadores da obesidade desenvolvida em ratos durante a pesquisa.
"Nós estamos falando de uma exposição a níveis muito pequenos por um tempo pequeno durante o desenvolvimento. O fato é que é um período tão sensível, que a ação pode alterar tecidos e fazer pessoas mais propensas à obesidade." disse Jerry Heindel do National Institute of Environmental Health Sciences dos Estados Unidos.
Foto: Stockbyte /Getty Images