Informações Sobre Contaminantes Plásticos Aumentam as Preocupações dos Pais.

http://www.ewg.org/node/22512

Sun Sentinel, Bob LaMendola

Publicado em 02 de Setembro de 2007

Dias depois que Jamie e Kurt Rhodes tiveram seu primeiro filho, uma menina chamada Annabelle, eles começaram a ouvir novas informações dadas no último mês de nova pesquisa afirmando que a resina plástica das mamadeiras podia estar liberando um aditivo prejudicial para o alimento.

O casal de fazendeiros já vinha utilizando largamente garrafas, utensílios para o nenê, xícaras para chazinho e outras vasilhas, todas de policarbonato (nt.: resina plástica considerada moderna e que substitui o vidro em muitas finalidades. Sua sigla é PC e é originária da reação química da arma de guerra Fosgênio e do estrogênio sintético Bisfenol A). Mas agora eles não estão seguros se devem ficar preocupados ou o que deverão fazer daqui para frente.

"O que mais a gente vai poder utilizar? Quais são as alternativas?" Pergunta Jamie Rhodes. "Vidro? Pode quebrar. E o governo diz que [policarbonato] é seguro. Esta coisa toda está muito confusa”. A controvérsia sobre a segurança do policarbonato tem girado por anos. No entanto re-emergiu com a liberação de uma série de novas pesquisas feitas por grupos ambientalistas, uma coalizão de cientistas e de um painel de especialistas do National Institutes of Health (nt.: Institutos Federais de Saúde, importante centro de saúde do mundo. Pertence ao equivalente norte-americano do Ministério da Saúde brasileiro) que detectaram "alguma preocupação" a respeito de danos sobre crianças.

A substância Clear (nt.: nome dado à substância bisfenol A = bisphenol A com a sigla em inglês BPA, empregada como aditivo à resina plástica para lhe dar grande transparência) está em todos os lugares. É um plastificante utilizado em torno de 90% das mamadeiras de nenês (nt.: no Brasil deve ser 100% delas) bem como as garrafas coloridas utilizadas pelos desportistas da marca internacional Nalgene, indo a utensílios para microondas e a resina epoxy que se emprega para impedir o contato dos alimentos com as latas de conservas. As garrafas de plástico PET, utilizadas para embalar águas minerais e refrigerantes, não estão envolvidas. Poucos itens de produtos infantis estão identificados como policarbonato. Alguns, no entanto, têm no fundo da mamadeira a sigla internacional sobre reciclagem “PC” e o código nº 7.

Todos os debates sobre esta resina plástica informam de que ela libera pequenas quantidades de bisfenol A e que tem demonstrado ser causadora de tumores, problemas reprodutivos e danos ao desenvolvimento em muitos animais. Milhares de toneladas de Bisfenol A são agregadas a produtos comerciais anualmente.
Osórgãos federais de saúde estimam que 95% dos norte-americanos tenham pequenas porções desta molécula em suas urinas.

No entanto, quanto desta contaminação é segura?
As indústrias petroquímicas, do plástico e alguns cientistas dizem que a quantidade lixiviada do policarbonato é minúscula e não é perigosa. Entretanto, outros pesquisadores e ambientalistas dizem que o bisfenol A pode causar danos a animais em pequenas doses (nt.: de acordo com uma nova concepção existem níveis toxicológicos – baseados na dose conforme entende a ciência convencional, inclusive na OMS, e que segue a concepção do alquimista da Idade Média Paracelsus – e níveis fisiológicos – baseados na interferência que estas moléculas artificiais fazem no DNA, no núcleo da célula viva. Ver: http://www.environmentalhealthnews.org/sciencebackground/2007/2007-0415nmdrc.html – texto traduzido neste site). Especialistas de ambos os lados citam pelo menos cem pesquisas a seu favor. A U.S. Food and Drug Administration – FDA (nt.: Administração de Alimentos e Fármacos dos EUA), que regula muitos produtos de policarbonato diz que farão uma minuciosa verificação sobre os novos trabalhos, mas logo declara que o PC demonstra ser seguro.
“Os níveis de bisfenol A detectados em alimentos enlatados ou que migraram nas mamadeiras feitas com PC não são significativamente diferentes daqueles baixos níveis previamente detectados tanto pelos químicos da FDA como de outros laboratórios. Níveis que resulta numa exposição pela dieta alimentar que está na ordem de magnitude abaixo dos níveis conhecidos e que não causam efeitos tóxicos em animais”, afirma uma declaração da FDA. Diversos grupos de consumidores sustentam de que a posição do órgão público é de pouca valia para os pais preocupados com os riscos. Eles insistem de que a FDA tome uma atitude mais forte e faça com que os fabricantes marquem claramente os produtos para que a população não fique em dúvida sobre que resina plástica está adquirindo.

“De novo a população está sendo forçada a tentar uma saída para este problema em suas compras, que nem sempre é possível”, diz Jane Houlihan, vice-presidente do Environmental Working Group-EWG, uma organização de defesa ambiental que requer estrito controle sobre os policarbonatos. No meio deste fogo cruzado, os pais estão apelando para todos os lados em busca de uma resposta. O pediatra da cidade da Flórida, Boca Raton, Douglas Barlow disse depois de ter despendido semanas lendo as pesquisas que sua preocupação havia amainado.
“O governo não pode colocar as crianças sob risco”, disse ele. “Eles dispõem de uns botões de alerta para um possível corre-corre”. Algumas mães estão se comprometendo com a amamentação como forma de evitar as mamadeiras o máximo possível. Outras adquirem mamadeiras de vidro e quando de plástico, livres do bisfenol A. A empresa Born Free, da cidade da Flórida de Boca Raton, vende mamadeiras feitas com a resina poliamida que não tem sido conectada a estes riscos.

Mais do que 700 pesquisas sobre o policarbonato produziram tantos resultados conflitantes que não há acordo com relação a sua segurança. Nenhum dos estudos envolve pessoas, somente animais.
O debate pegou fogo em 1998 quando um pesquisador da Universidade Estadual de Washington detectou de que ratos de laboratório que se nutriam de líquidos contidos em recipientes feitos em policarbonato apresentavam danos em seus cromossomos. Estancavam o problema quando trocavam os recipientes. Em agosto deste ano (nt.: 2007) um grupo se 38 cientistas que faziam uma revisão sobre o tema, publicaram no periódico Journal Reproductive Toxicology de que o bisfenol A gerava “uma grande preocupação”.
O American Chemistry Council (nt.: Conselho de Química Americano) que representa os fabricantes de resinas plásticas, desqualificou a declaração como se fosse feita por pesquisadores que têm preconceito contra o bisfenol A.
No início deste mesmo ano, a organização sem fins lucrativos U.S. Public Interest Research Group (nt.: Grupo de Pesquisa de Interesse Público Norte-americano) examinou cinco marcas comerciais de mamadeiras feitas com policarbonato — Avent, Dr. Brown's, Evenflo, Gerber e Playtex — detectando de que o bisfenol A lixiviado para seu interior estava em níveis baixos, mas que já demonstravam que poderiam danificar animais em estudos de laboratório. O EWG detectou níveis baixos de bisfenol A, mas “inseguros”, em alimentos enlatados e formulados para nenês, além de mais da metade dos 97 enlatados de frutas, vegetais e refrigerantes.

A indústria do plástico e alguns pesquisadores responderam de que o bisfenol A liberado tanto das garrafas como das latas é tão irrisório – partes por milhão de gramas por dia – que o policarbonato não oferece riscos.
Muitos estudos demonstraram que, mesmo fornecendo níveis mais altos de bisfenol A aos animais, danos não foram detectados, disse Steve Hentges, diretor executivo do Conselho do Policarbonato e do Grupo Global do Bisfenol A. Estudos que demonstram danos a baixas doses tiveram métodos conflitantes que reduziam os resultados, afirmou ele.
Por isso um grupo de assessoria do NIH (nt.: National Institutes of Health – Institutos Federais de Saúde, é uma agência governamental do equivalente norte-americano do Ministério da Saúde brasileiro) relatou, em 08 de agosto de 2007, que o bisfenol A apresentava “alguma preocupação” por gerar um risco modesto de danos neurológico e comportamental em crianças e fetos, exigindo mais estudos a respeito. Por outro lado, o painel considerou haver uma preocupação mínima ou desprezível.
Este resultado será agora revisto pelo NIH National Toxicology Program (nt.: Programa Nacional de Toxicologia do NIH), que fará um relatório para aqueles que legislam em âmbito federal sobre saúde e meio ambiente no próximo ano (nt.: 2008).
Entre estas informações conflitantes, os especialistas preocupados com o bisfenol advertem que não se reaqueça alimentos em plástico, descartando itens reutilizáveis depois de utilizados e evitando plásticos quando for possível.
Uma mãe cuidadosa, Jamie Goodman, decidiu errar no sentido da cautela. Apagou completamente todos os itens que tenham policarbonato de seus registros para presentes.

“Por que arriscar?”, disse Goodman, da cidade de Davie na Flórida. “Tudo indica que são ruins para ti mesmo”.


Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, dezembro de 2007.