
Norte-americanos têm duas vezes mais BPA em seus corpos do que os canadenses.
Martin Mittelstaedt
Globe and Mail
Canadenses e norte-americanos são semelhantes em muitas coisas, mas quando se relaciona aos níveis de uma substância que se fabrica plásticos, o bisfenol A, em seus corpos, há uma grande diferença.
Por razões desconhecidas, um típico norte-americano tem em torno de duas vezes mais BPA, como este mimetizador de estrogênio também é conhecido, do que os canadenses.
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A grande diferença chamou a atenção entre os cientistas que estão procurando pistas do porquê as duas populações, muitas vezes considerada como sendo praticamente idênticas com relação a estilo de vida e hábitos alimentares além de demografias similares, demonstram exposições tão diferentes a este químico tóxico.
O BPA é empregado em tudo que vai da lâmina plástica interna da maioria dos enlatados alimentícios ao policarbonato nas lentes dos óculos. Elementos traço desta subtância lixiviam para os produtos de consumo, terminando nas pessoas que se alimentam deles e no meio ambiente.

O que o Bisfenol A faz em seu corpo ( What bisphenol A does in your body )
Globe and Mail Update
Published Wednesday, Oct. 13, 2010 1:33PM EDT
(http://www.theglobeandmail.com/news/national/what-bisphenol-a-does-in-your-body/article1755277/?from=1916197)
Detalhes da diferença entre os dois países foram publicados em outubro passado pelo periódico “Canadian Medical Association Journal” e estavam baseados em pesquisas feitas pelos governos dos EUA e do Canadá em relação aos níveis de notórios contaminantes em suas respectivas populações.
A pesquisadora norte-americana que identificou esta incomum lacuna entre as duas populações, não sabe como explicar esta descoberta. “É um grande mistério”, disse Laura Vandenberg, pesquisadora com pós-doutorado da Universidade de Tufts em Massachusetts.
A Dra. Vandenberg também comparou crianças e adolescentes canadenses com estas mesmas faixas etárias da Alemanha, país que tem feito amplos testes com sua população jovem. Detectou que os canadenses tinham substancialmente menos deste composto em seus corpos. E além disso, as crianças norte-americanas estavam muito mais contaminadas do que as alemãs.
Mesmo não havendo uma explicação clara para estas diferenças, a Dra. Vandenberg especulou de que isto poderia ser devido ao fator da dieta, já que os canadenses não se alimentam tanto com alimentos enlatados como os norte-americanos. Entretanto, não se dispõe de dados para sustentar esta conclusão e os supermercados em ambos países vendem muitas das mesmas marcas comerciais, muitas vezes feitas nas mesmas fábricas processadoras.
O Ministério da Saúde do Canadá diz em uma resposta escrita a estas questões que não faria comentários ao estudo até ter feito uma avaliação da pesquisa. Entretanto afirma que as pesquisas que monitoram a população foram feitas em tempos diferentes, usando procedimentos diferentes de análise e de grupos etários o que poderia explicar as descobertas.
Os regulamentadores governamentais, em suas avaliações de risco sobre o BPA, afirmam que a maior exposição é devida à dieta, com a vasta maioria vindo dos alimentos enlatados, refrigerantes e cervejas em lata. Os dados sobre as diferenças entre os canadenses e norte-americanos sugere que esta suposição pode estar errada já que isso implicaria que os canadenses comeriam somente a metade da quantidade de alimentos enlatados do que os norte-americanos.
Uma outra diferença, o Canadá não tem plantas petroquímicas que fabriquem o BPA. Já nos EUA, conforme a Dra. Vandenberg, a produção está centrada em apenas cinco estados, e não há evidência de que pessoas que vivam próximas destas instalações tenham diferentes níveis do composto.
O BPA também é encontrado em muitas notinhas de caixa registadora, de onde o produto químico pode ser absorvido pela pele ou ingerido através do contado mão–boca enquanto se come. Mas, novamente, os canadenses e os norte-americanos usam os recibos do mesmo tipo de caixa registadora, e que são fornecidas para o mercado global por três fabricantes principais, um dos quais já não utiliza o composto.
"Todas estas coisas estão apontando para o fato de que, tanto quanto sabemos sobre como estamos sendo expostos a este químico, há uma montanha de situações que desconhecemos totalmente", disse a Dra. Vandenberg.
O Canadá agregou o BPA em sua lista de substâncias tóxicas no ano passado. Foi o primeiro país no mundo a tomar esta ação. Além disso, proibiu mamadeiras feitas a partir dele, em parte como precaução para reduzir a exposição dos bebês. Também solicitou que os fabricantes de alimentos infantis que retirassem este produto químico de suas latas de alimento formulado.
Os cientistas estão preocupados com relação ao BPA, porque são quantidades de exposição a uma porção extra de estrogênio, um potente hormônio (hormone) que influencia o desenvolvimento do cérebro e de mama, além do início da puberdade, dentre outros impactos à saúde.
A pesquisa do BPA nos canadenses, conduzido no período de 2007 a 2009, constatou que 91% das pessoas tinham quantidades detectáveis do composto na urina, em média, pouco mais de uma parte por bilhão. Embora este seja apenas um traço, é ainda cerca de mil vezes superiores aos níveis naturais do hormônio feminino. Em alguns receptores celulares, o BPA e o estrogênio (estrogen) têm aproximadamente a mesma potência, mas em outros é bem mais fraca do que o hormônio natural.
Ainda assim, disse a Dra. Vandenberg que as concentrações de BPA encontradas entre os canadenses estão na mesma faixa daqueles que têm demonstrado, em experimentos de laboratório, causar alterações nas glândulas mamárias, na estrutura do cérebro e no trato reprodutivo, particularmente entre os animais expostos durante o desenvolvimento fetal.
Ela disse que o Ministério da Saúde do Canadá deveria considerar restrições mais amplas do BPA em produtos de consumo no sentido de proteger as mulheres durante a gravidez. "O período fetal é realmente um período muito sensível a este produto químico", disse ela.
No entanto, enquanto isso, o Ministério diz acreditar que "o público em geral não precisa se preocupar" em relação ao BPA. Eles estão estudando a exposição dos fetos humanos à substância química e os resultados serão utilizados para determinar "se este produto químico representa ou não um risco à saúde dos nascituros".
Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, fevereiro de 2011.
Conselho de Ministros
Governo proíbe uso de substância em biberões de plástico
Económico
24/02/11 14:11
A substância bisfenol A vai deixar de poder ser usada nos biberões de plástico por “precaução”, anunciou o ministro da Presidência.
O Governo aprovou hoje um decreto-lei que a utilização da substância bisfenol A (BPA) no fabrico de biberões de plástico, revela o comunicado do Conselho de Ministros.
O diploma, explica o Governo, tem "por objectivo reduzir, por razões de saúde, a exposição dos lactentes a essa substância, transpondo uma directiva comunitária sobre a matéria".
Deste modo, frisa o Executivo, "até estarem disponíveis dados científicos que esclareçam sobre a importância toxicológica de alguns dos efeitos da utilização de BPA no fabrico e a colocação no mercado de biberões, é proibida a sua utilização com base no princípio da precaução".
O BPA é utilizado no fabrico de plásticos de policarbonato utilizados em biberões e, quando aquecidos em certas condições, pequenas quantidades dessa substância podem migrar dos recipientes para os alimentos e bebidas a ser ingeridas.
http://noticias.portugalmail.pt/artigo/20110224/bisfenol-proibido-no-fabrico-de-biberoes

24 Fevereiro, 2011 - 14:55
Bisfenol proibido no fabrico de biberões
O bisfenol A (BPA), substância utilizada em biberões de plástico, vai passar a ser proibido no fabrico destes utensílios. A proibição foi aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros, ao abrigo de um decreto-Lei que transpõe uma directiva europeia, que tem por objectivo proteger a saúde das crianças.
Numa nota, o Executivo esclarece que a decisão de proibir o uso do bisfenol A no fabrico de biberões de plástico, surge da necessidade de "reduzir, por razões de saúde, a exposição dos lactentes a essa substância, transpondo uma directiva comunitária sobre a matéria".
A proibição manter-se-á como medida preventiva, pelo menos, até que estejam disponíveis novos dados "científicos que esclareçam sobre a importância toxicológica de alguns dos efeitos da utilização de BPA no fabrico e a colocação no mercado de biberões", refere o comunicado.
O BPA é utilizado no fabrico de plásticos de policarbonato usado em biberões. A razão para a sua proibição prende-se com o facto de estudos terem comprovado que quando os biberões são aquecidos em certas condições, pequenas quantidades dessa substância podem migrar dos recipientes para os alimentos e bebidas a ser ingeridas.