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24/6/2011

Cordão umbilical atômico


por Suvendrini Kakuchi, da IPS
Tóquio, Japão, 24/6/2011 – Três meses depois do terremoto e do tsunami que causaram um acidente no complexo nuclear da cidade japonesa de Fukushima, especialistas alertam para um colapso econômico se a energia atômica for eliminada de uma só vez. “O horror do acidente em Fukushima não pode ser negado. Mas o futuro da energia atômica deve ser avaliado sabiamente se o Japão deseja continuar sendo uma potência econômica”, afirmou Takao Kashiwagi, engenheiro no prestigioso Instituto de Tecnologia de Tóquio.
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Laturf
O Japão sempre apostou nas centrais nucleares como ferramenta fundamental para manter sua economia, mas agora enfrenta o desafio de mudar a política energética a fim de aliviar a preocupação pública, mas sem que isso tenha efeitos adversos na indústria. Kashiwagi, do governamental Novo Comitê de Energia, esclareceu sua opinião referindo-se à forte dependência que o país tem da energia atômica. Quase 30% das necessidades energéticas são cobertas pelas centrais nucleares.
“Em lugar de dar as costas à realidade de nossa dependência da energia nuclear, é hora de desenvolver uma tecnologia que fortaleça os aspectos de segurança nas usinas. A melhor opção para o Japão é trabalhar internacionalmente para essa meta”, afirmou Kashiwagi. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apoiou essa opção em um longamente esperado informe divulgado no dia 1º deste mês, no qual critica as medidas de emergência adotadas em Fukushima, ao mesmo tempo em que propõe a adoção de regulamentações universais nas usinas nucleares.
O ativista antinuclear Reiichi Suzuki, criador de um comitê especial para Fukushima com representantes dos setores privado e acadêmico, disse que, entretanto, havia um crescente apoio público à ideia de fechar as centrais atômicas na região. “Nosso objetivo é manter sobre a mesa a aterradora verdade de que a energia nuclear não tem mérito. Não só é insegura, como também constitui uma carga financeira para os cidadãos por causa dos subsídios que devem pagar, e também permite que as empresas ricas controlem nossos recursos naturais”, afirmou.
A catástrofe de Fukushima aumentou a possibilidade de cortes de energia devido ao fechamento dos reatores, o que alarmou a indústria manufatureira. As perdas calculadas e as enormes compensações financeiras representarão um duro golpe para a economia, cujo crescimento cairá para menos de 1% em 2011. Economistas dizem que a escassez energética obrigará mais empresas japonesas a dirigirem seus investimentos para outros países, criando mais desemprego e esgotando os fundos públicos.
O governo prometeu aumentar as energias alternativas para que atendam 20% das necessidades nacionais, bem como adotar uma política nuclear transparente, como demonstrou ao aceitar inspeções da AIEA este mês. “O horror da contaminação nuclear em Fukushima pressionou Tóquio a reconhecer humildemente seus erros passados e prometer uma segurança melhor. O povo espera essas mudanças”, disse o analista internacional Takeshi Inoguchi.
De fato, apesar das pesquisas nacionais, realizadas em maio, mostrarem uma esmagadora maioria de 70% contra a energia nuclear, há sinais de que a preocupação pública, embora não tenha desaparecido, cede lentamente. Um significativo exemplo é a reeleição, no dia 8, de Shingo Mimura como governador da prefeitura de Aomori, onde fica uma central nuclear ativa e há outras quatro em construção.
Mimura, apoiado pelo conservador Partido Democrata Liberal, que promoveu a expansão da energia nuclear no Japão, derrotou sem problemas seus oponentes, que queriam congelar a construção de usinas nucleares. O governador prometeu maiores medidas de segurança durante uma visita aos reatores. A estratégia parece que deu resultado.
Os residentes mais veteranos de Aomori citados pela imprensa local falaram da grande pressão que sentiam ao votar. “Tenho medo e não gosto. Mas o sustento de todos depende da usina nuclear”, disse Junji Takeyama, de 80 anos, ao jornal Asahi, na semana passada. Seu filho e seu neto trabalham em empresas de energia elétrica. Quase metade da população na maioria dos municípios de Aomori depende da Companhia de Energia Elétrica Tohok, como empregados ou fornecedores de serviços.
Os subsídios nas últimas décadas para municipalidades com reatores e usinas processadoras de combustível somam US$ 2,8 bilhões, que foram usados para construir novas estradas, escolas e infraestrutura moderna. Defensores das usinas dizem que esse sistema permitiu a Tóquio fornecer energia estável e impulsionou o crescimento econômico do pós-guerra, facilitando o desenvolvimento da nova tecnologia e de redes sofisticadas de transporte. A tragédia de Fukushima atingiu o Japão quando o país planejava apoiar seus 54 reatores para aumentar sua produção de energia nuclear em 50%. Envolverde/IPS
(IPS)

 

http://www.ecodebate.com.br/2011/06/08/o-governo-do-japao-admite-que-estava-despreparado-para-acidente-nuclear/

O governo do Japão admite que estava despreparado para acidente nuclear
Publicado em junho 8, 2011
O governo do Japão admitiu nesta terça-feira que estava despreparado para enfrentar o grave acidente nuclear na usina de Fukushima, ocorrido após o terremoto seguido de tsunami de 11 de março deste ano.
As autoridades japonesas reconheceram que um trabalho de vistoria mal feito pode ter contribuído para a maior crise nuclear mundial já enfrentada desde o acidente de Chernobyl, na atual Ucrânia, há 25 anos.
As conclusões constam de um relatório recém-divulgado pelo governo japonês que mostra que as autoridades do país dobraram a estimativa de radiação gerada pela usina de Fukushima uma semana depois do tremor e tsunami.
No documento de 750 páginas, as autoridades japonesas dizem que, ”tendo em vista as lições aprendidas com o acidente, o Japão reconhece que uma revisão fundamental de suas medidas de segurança e resposta diante de um acidente nuclear é inevitável”, diz o relatório.
O documento, que será enviado à Agência Internacional de Energia Atômica, recomenda ainda que o Japão promova um debate nacional a respeito da energia nuclear no país e que o órgão regulador nuclear do Japão, que tem recebido fortes críticas, ganhe maior independência.
O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, disse que ser transparente a respeito do que se passou em Fukushima é fundamental para resgatar a confiança dos japoneses no próprio país.
Reportagem da BBC Brasil

 

 

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/06/22/71448-destrocos-de-tsunami-devem-vagar-pelo-oceano-pacifico-durante-10-anos.html

Destroços de tsunami devem vagar pelo oceano Pacífico durante 10 anos

As toneladas de resíduos jogados no oceano após o terremoto e tsunami de 11 de março no Japão devem permanecer vagando por 10 anos pelo Pacífico Norte, e constituem uma ameaça para a vida marinha e o tráfego marítimo, adverte a ONG Robin das Florestas.
“Em terra, a dupla catástrofe deixou 25 milhões de toneladas de resíduos e quando o tsunami refluiu para o oceano, acarretou consideráveis quantidades de todo tipo de resíduos”, afirma a ONG em um relatório.
São aviões, barcos, automóveis, que “progressivamente soltarão combustíveis no mar”, assim como líquidos tóxicos, aerosóis, pesticidas ou medicamentos. “O oceano não está apenas contaminado pela radioatividade, de nenhuma maneira”, afirma o documento de 31 de maio.
Grande parte dos resíduos vai demorar entre um e dois anos para atravessar o oceano Pacífico até as costas americanas. Uma pequena parte seguirá para o norte, impulsionada pela corrente do Alasca. O resto seguirá para o sul, graças à corrente da Califórnia.
Uma fração destes últimos resíduos ficará presa em uma corrente circular para formar a zona de acúmulo leste, perto do arquipélago do Havaí, onde a densidade dos resíduos é especialmente elevada. Outros seguirão a viagem para o oeste, até uma zona similar, menor, a zona de acúmulo oeste, perto do Japão. “A volta completa levará 10 anos”, afirma a ONG.
As consequências podem ser múltiplas, segundo a ONG. “Os resíduos mais pesados que afundarão serão um risco para a pesca e as tripulações e não serão pequenos os riscos de colisão entre os grandes resíduos (…) e os barcos de superfície e os submarinos”.
Sobre a fauna e a flora marinhas “os aparelhos elétricos eletrônicos soltam no mar elementos contaminantes” que se “integrarão nas cadeias alimentares”.
Desastre – Às 14h46 (horário local; 2h46 em Brasília) do dia 11 de março, um terremoto de 8,9 graus de magnitude atingiu o arquipélago do Japão. Foi o mais forte terremoto registrado no Japão e o sétimo na história do mundo.
Na catástrofe morreram 23.500 pessoas, mas destes 8.000 corpos não foram encontrados. Mais de 90.000 sobreviventes perderam suas casas e ainda moram em abrigos.
(Fonte: Globo Natureza)