http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=82616&edt=1

E a biodiversidade amazônica pode ser ainda maior
Por Jimena Felipe Beltrão e Vanessa Brasil, do 1Museu Emílio Goeldi

 

 

 

Estudos que fazem a revisão de espécies existentes e se baseiam em dados históricos para identificar como os animais se distribuem geograficamente podem revelar uma ainda mais rica diversidade da fauna regional.

Agência Museu Goeldi - Com a biodiversidade mais decantada do planeta, a Amazônia ainda é capaz de surpreender. Assim revelam estudos desenvolvidos por pesquisadores que participam de evento no Museu Goeldi – Seminário da Pós-Graduação em Zoologia. São mais de 60 trabalhos desenvolvidos por alunos de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Zoologia, realizado desde a década de 80 através de convênio entre o Museu e a Universidade Federal do Pará (UFPA).

Com cinco intensos dias de programação, o seminário vai demonstrar por que estudar abelhas, moscas, vespas, borboletas, cobras, macacos, peixes, tartarugas, entre tantos outros grupos. Os pesquisadores em formação tanto em nível de mestrado como de doutorado, apresentam estudos inéditos sobre a fauna amazônica.

A revisão de espécies já conhecidas em grupos os mais distintos garante argumentos para uma diversidade animal ainda maior na região. Tratar aspectos da filogeografia, por exemplo, representa conhecer os processos históricos pretéritos que podem ser responsávies pela distribuição geográfica de indivíduos na natureza na atualidade.

Os trabalhos de pesquisa tratam de moscas, vespas e borboletas a mamíferos, quelônios, peixes e serpentes. A área geográfica de abrangência dos estudos vai do Amapá ao Maranhão. No estado vizinho a norte do Pará, a pesquisa analisa mamíferos em região de cerrado no Amapá. Já as serpentes são objeto de estudo na área de influência do Projeto Juruti/Alcoa. E na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, a pesquisa desenvolvida avalia o impacto ambiental da pesca do pirarucu.

No cerrado e na Reserva - No Amapá, o estudo de Mônica Coelho, sob a orientação da Dra. Ana Cristina Oliveira, da Universidade Federal do Pará (UFPA) já teve início - com o objetivo de avaliar os impactos gerados pela plantação de eucalipto em larga escala sobre a mastofauna da região. Até o momento, foram percorridos 450 km e registrados 27 espécies de mamíferos de médio e grande porte, mas os censos ainda não terminaram.

A pesquisa, que teve início em 2009, já apresenta, porém, resultados. No geral, o sistema silvicultural estudado se mostra capaz de manter a fauna local com espécies de mamíferos carnívoros de grande porte, mas os estudos continuam, agora, para verificar a viabilidade dessas populações a longo prazo.

Também iniciado em 2009, o estudo de Lorena Almeida, orientado por Dr. Helder Queiroz do Instituto Mamirauá, investiga a comunidade macrobentônica – componentes de fauna indicadores de impacto ambiental - nos lagos da Reserva Mamirauá. Inédito em estudar esse tipo de indicador, a pesquisa pode revelar possíveis táxons relevantes ao manejo da pesca do pirarucu.

Resultados preliminares da pesquisa apontam que os lagos com intensa e pouca atividade pesqueira não apresentaram diferenças significativas nas suas populações durante o período de seca, porém, o manejo da pesca do pirarucu aparentemente gera uma maior diversidade e equitatividade na comunidade dos lagos da Reserva.

De outras temáticas e grupos animais – Municípios paraenses os mais diversos são locais de investigação por parte dos pesquisadores da Zoologia. A interação das tartarugas marinhas com a pesca artesanal em Curuçá no Pará é um dos objetos de estudo, enquanto que na Floresta Nacional do Tapajós em Santarém, há pesquisa sobre e a estratégia de caça de comunidades ribeirinhas. Na bela região tapajônica de Alter do Chão, pesquisadores estudam também o efeito da fragmentação do hábitat natural sobre as borboletas que se alimentam eminentemente de frutas.

Já a pesquisa de Alessandro Menks com a orientação da Dra. Ana Pudrente, do Museu Goeldi, visa descrever a composição e a abundância, além de estimar a riqueza das espécies de serpentes na área do Projeto Juruti/Alcoa. Iniciado ainda em 2010, o estudo irá categorizar as espécies de acordo com o seu habitat, atividade diária, dieta e reprodução na área estudada, além de avaliar o desempenho dos métodos utilizados e comparar a composição faunística da localidade com outras florestas na Amazônia brasileira.

Outras localidades onde estão instalados projetos de exploração de recursos naturais também são alvo de interesse da pesquisa, como na Base de Exploração Petrolífera de Urucu, no Amazonas, onde o estudo de Gerson Rodrigues, também sobre a orientação de Ana Prudente, se dedica a investigar a biologia alimentar e da reprodução das serpentes da área.

Desafios amazônicos – O desafio da formação de recursos humanos na região amazônica é contínuo. Para a pesquisadora e coordenadora substituta da Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi, Ana Vilacy,“Os desafios que a região amazônica apresenta para garantir o uso sustentado dos seus recursos naturais e sociais são cada vez mais complexos e demandam ações efetivas de todos os setores da sociedade”. A resposta para esses desafios, argumenta Vilacy, “é o investimento na formação de profissionais qualificados na Amazônia, que é fundamental para garantir condições de avançarmos no conhecimento dos diversos sistemas naturais, ambientais e culturais amazônicos, com profissionais preparados para atuar na Região”.

A Coordenadora destaca ainda que o Curso de Pós-graduação em Zoologia forma especialistas em inventário da fauna; sistemática e biogeografia; dinâmica e conservação de ecossistemas; e monitoramento e manejo da fauna. Para ela, “a formação desses profissionais, na região e para a região, desempenha um papel crucial, para a ampliação do conhecimento da região. Além disso, “a pós-graduação possibilita a continuidade das pesquisas ao propiciar a fixação desses especialistas na Amazônia e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento de estratégias de conservação e uso adequado das riquezas e ambientes da região”, conclui Vilacy.

(Envolverde/Museu Emílio Goeldi)

http://www.cartacapital.com.br/carta-verde/biodiversidade-de-cartorio

Biodiversidade de cartório

Por Dal Marcondes, da Envolverde
A Natura, empresa de Guilherme Leal, vice de Marina Silva, pioneira em transformar recursos da biodiversidade em negócios, é multada em R$ 21 milhões pelo Ibama, mas vai recorrer
Uma onda de surpresa atravessou as fileiras da sustentabilidade no Brasil. A Natura, considerada como o que existe de mais avançado em transformar recursos da biodiversidade em negócios, foi autuada pelo Ibama em R$ 21 milhões. A acusação da maioria dos 64 autos de infração foi não cumprir as normas impostas por uma medida provisória (MP) 2186 de 2001, que regula o acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional. Da empresa emergiram comunicados explicando a dificuldade em se obter licenciamentos para a pesquisa genética focada na criação de produtos. A voz mais surpreendente em defesa da Natura, no entanto, veio do próprio Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, responsável por regular o acesso a este patrimônio e emitir as licenças de pesquisa. O presidente do CGen, Bráulio Ferreira de Souza Dias, declarou esta semana que a Natura buscou a entidade para regularizar suas pesquisas, “Mas não conseguiram, porque não há instrumentos legais para isto”. Ele alega que a MP de 2001 tem limitações e, por isso, não consegue dar segurança para a atuação de das empresas.
Em 2006 o CGen e o Ibama capitularam frente a pressões da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) para permitir às Universidades e Centros de Pesquisa o acesso ao patrimônio genético sem a necessidade de uma licença prévia, que em alguns casos pode demorar até 4 anos, segundo a diretora jurídica da Natura, Lucilene Prado. “A ciência é um campo de olhar aberto, o modelo atual da legislação brasileira é cartorial e não favorece a pesquisa”, diz a executiva. No comunicado que a empresa emitiu após receber as multas, ela alega que a “atual lei brasileira sobre o tema é inconstitucional e não define regras claras para acesso e repartição de benefícios”. Portanto vai recorrer das autuações.
O ambientalista e pesquisador João Meirelles, diretor do Instituto Peabiru, que atua há muitos anos na Amazônia, diz que a estrutura cartorial para a concessão de licenças favorece a realização de pesquisas clandestinas. “É mais fácil pesquisar primeiro e só depois, se o resultado for favorável, buscar legalizar”. Para a diretora da Natura a questão é mais séria, pois anos de espera por uma licença pode inviabilizar o lançamento de um produto. “O mercado de cosméticos é muito competitivo, dois anos é o tempo de vida de uma linha de produtos”, explica.
Mas a polêmica vai mais longe. A Natura foi acusada, em 2006, por vendedoras de ervas do Marcado do Ver-o-Peso, em Belém, de se apropriar de conhecimentos tradicionais para criar produtos de suas linhas de cosméticos. Segundo a Convenção da Diversidade Biológica (CDB) da ONU, assinada pelo Brasil em 1992, o acesso a conhecimentos tradicionais deve ser em comum acordo com as comunidades e os benefícios devem ser partilhados. E aí a discussão entra por um caminho difuso, onde conhecimento tradicional se confunde com conhecimento de domínio público. Uma comissão da Seção Paraense da Ordem dos Advogados está analisando o caso para saber se a empresa cumpriu os procedimentos que a lei exige.
Esta confusão toda poderia ter sido evitada se a legislação já tivesse sido regulamentada. Lucilene Prado, da Natura, acredita que a pesquisa em biodiversidade deveria ter procedimentos semelhantes ao de registro de patentes. “Você registra alguma coisa depois de descoberta ou inventada, e não antes, como exige o CGen”, explica. O que ela quer dizer é que para solicitar uma autorização de pesquisa, é necessário descrever o que se está procurando, e muitas vezes só se descobre isso no decorrer das pesquisas. Outro ponto polêmico em relação a essa legislação, é que, ainda na gestão da ex-ministra Marina Silva, foram feitas as consultas públicas para resolver os problemas da MP de 2001, e um projeto foi encaminhado à Casa Civil. Como não houve acordo dentro do governo, esta proposta nunca chegou ao Congresso e nenhum substitutivo foi elaborado. Por esta indefinição jurídica, em 2007 o CGen suspendeu os processos de regularização que estavam correndo no orgão.
A Natura reconhece que um dos pontos críticos de sua estratégia de negócios é o relacionamento com as comunidades que fornecem os frutos, sementes e outros produtos com os quais produz seus cosméticos. Para superar esses problemas criou um fundo para fazer a gestão dessa relação. Mas é preciso que a legislação seja clara e tenha objetividade em relação às obrigações das partes, reconhece a própria direção do CGen. A determinação para que o Ibama retome as fiscalizações sobre os supostos infratores veio do Ministério Público, que determinou que a pesquisa sem a anuência prévia dos orgões de regulação está fora da lei e, portanto, passível de autuação.
O Brasil assumiu na recente 10ª. Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10), em Nagoya (Japão) uma posição considerada de vanguarda em direção a uma regulação interacional sobre o tema. O acordo, assinado no início de novembro por 190 países, prevê a redução pela metade da perda global de espécies até 2020. O Protocolo de Nagoya, como ficou conhecido, prevê o aumento das áreas terrestres protegidas (unidades de conservação) dos 12% atuais para 17%. O mesmo cuidado deve ser aplicado nos ecossistemas marinhos: as áreas protegidas deverão passar de 1% para 10%, até 2020. Mas isso é apenas uma parte das necessidades de preservação. Outro ponto importante é a regulamentação do uso da biodiversidade dentro de um modelo de economia ética e sustentável, e esta confusão jurídica mostra que o Brasil ainda está longe disso.

 

 

http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=82969&edt=1

Conferência da biodiversidade termina em acordo
Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil
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Países reunidos no Japão concordaram com uma partilha mais justa dos recursos genéticos das espécies, o que possibilitou a concretização do plano que promete proteger 17% dos ecossistemas terrestres e 10% dos oceanos.

Os negociadores dos quase 200 países presentes em Nagoya para a Conferência das Partes (COP 10) da Convenção sobre Diversidade Biológica conseguiram ultrapassar o principal obstáculo do encontro, a divisão dos recursos da biodiversidade, e chegaram a um acordo de conservação do meio ambiente válido para os próximos dez anos.

O plano de 20 metas promete criar áreas de proteção em 17% dos ecossistemas terrestres e de água doce, e 10% dos ecossistemas marinhos e costeiros do planeta. Atualmente esses números são respectivamente 13% e menos de 1%.

Para tentar garantir que esses objetivos sejam cumpridos,  os países concordaram em buscar formas de tornar possível o financiamento de US$ 200 bilhões por ano. Ficou definido que o prazo final para a consolidação dessa iniciativa é o Encontro da Terra, que será em 2012 no Rio de Janeiro.

“Devemos comemorar esta que é uma resposta mundial a alarmante perda de biodiversidade e ecossistemas. É um importante momento para as Nações Unidas e para a diplomacia internacional que conseguiram vencer as diferenças e chegar a um bom acordo”, afirmou  Achim Steiner, sub-secretário geral da ONU e diretor-executivo do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA).

Bom, mas não o bastante

Cientistas estimam que estamos perdendo espécies a uma taxa até 1000 vezes maior que a média história, direcionando o planeta para a maior extinção em massa desde o tempo dos dinossauros.

Diante disso, ambientalistas pediam um acordo ambicioso vindo de Nagoya.

“Eu gostaria de ter visto metas mais fortes, especialmente para as áreas protegidas. Porém, em diversos momentos da conferência tudo parecia estar perdido, então temos que comemorar o acordo alcançado”, afirmou  Nathalie Rey, do Greenpeace.

As decisões também não agradaram vários países, como Bolívia e Venezuela, que exigiram que seu descontentamento fosse registrado nas atas da conferência, mas acabaram por ceder a aceitar a aprovação dos documentos.

Já o Brasil, um dos principais defensores da do “protocolo de acesso e divisão dos benefícios” (access and benefit-sharing – ABS), se disse satisfeito com o resultado final da COP 10.

"Não é exatamente o que nós gostaríamos, mas numa negociação multilateral como essa é preciso ser flexível e pragmático. Foi uma vitória", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

A partir de agora, grupos farmacêuticos, cosméticos e agrícolas, por exemplo, terão obrigações para o repasse de recursos financeiros a povos e comunidades detentores de conhecimentos tradicionais relacionados a plantas e animais.

Para entrar em vigor, o Protocolo de Nagoya deve ser ratificado pelos países, e os governos terão de adotar leis e regulamentações nacionais sobre acesso e divisão dos benefícios para colocá-lo em prática.

(Envolverde/CarbonoBrasil)

 

 

 

http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2010/10/19/61769-a-biodiversidade-pouco-conhecida-do-pampa.html

 

A biodiversidade pouco conhecida do Pampa

Por clipping
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Restrito ao estado do Rio Grande do Sul, o bioma Pampa não era reconhecido oficialmente como bioma até 2004, quando entrou para o Mapa de Biomas Brasileiros, uma parceria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Ministério do Meio Ambiente. Pastagens, campos, pecuária e agricultura são imagens comumente identificadas com o bioma Pampa. Poucos sabem, no entanto, que a área de 700 mil km2, dividida em quatro países – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai -, guarda uma grande e rica biodiversidade, com flora e fauna próprias. Estimativas indicam valores em torno de 3000 espécies vegetais, mais de 100 mamíferos e quase 500 espécies de aves.
Com uma área original no território brasileiro de 176,5 mil km2 , a vegetação nativa do Pampa vem sofrendo uma supressão sistemática e histórica pela expansão agrícola, que se iniciou nos anos 1970, estende-se até os dias de hoje e se agrava atualmente com os reflorestamentos de espécies exóticas plantadas para a fabricação de papel. Segundo dados do IBGE, de 1970 a 1996, as áreas de campos diminuíram de 14 para 10,5 milhões de hectares, uma conversão de 25%. De acordo com os dados do inédito Projeto de Monitoramento do Desmatamento dos Biomas Brasileiros por Satélite, já foi suprimida 54% da área original do Pampa. Entre os anos de 2002 e 2008, foram perdidos 364 km2  1,23% da área original do bioma.
Representando 2,07% do território nacional e cerca de 63% da área do estado gaúcho, o Pampa tem quatro paisagens predominantes, sendo o planalto da campanha o mais reconhecido: relevo suave ondulado coberto por gramíneas e usado como pastagem natural, pastagem manejada e para atividades agrícolas, principalmente o cultivo de arroz, que precisou drenar grandes áreas alagadas.
Outra atividade econômica característica do Pampa é a pecuária que, segundo o último Censo Agropecuário Brasileiro (IBGE, 2006), cobre 44% da cobertura vegetal do Rio Grande do Sul, o que equivale a 70% do total da área destinada à pecuária na região sul. São dois tipos de pastoreio: o intensivo e o extensivo. O intensivo contribui para a degradação dos campos, acelerando o processo de arenização em boa parte do estado. Já a criação de gado extensiva, atividade que acontece desde o século 17, é a própria imagem da cultura gaúcha e contribui para a manutenção e preservação da vegetação, ajudando a manter a integridade dos ecossistemas campestres, com uma linha tênue que separa o uso sustentável da degradação.
Conservação da biodiversidade – A conservação da biodiversidade contribui para a manutenção de áreas de nascentes nas regiões de campo, dos mananciais hídricos e das áreas de recarga do aquífero Guarani. A descoberta recente de novas espécies de peixes e crustáceos em corpos d’água inseridos na região dos campos do Rio Grande do Sul vem corroborar a importância da manutenção de tais áreas, uma vez que ainda há organismos desconhecidos.
Segundo dados da atualização das Áreas e Ações Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade, apenas 3,6% das áreas prioritárias estão sob algum tipo de proteção – unidades de conservação ou terras indígenas. Recentemente, MMA e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio concluíram estudos e audiências públicas para criação de três novas unidades de conservação de proteção integral nos Campos Sulinos: Parque Nacional do Campo dos Padres (SC), com cerca de 56.000 hectares, Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (PR), com 23.100 hectares; e Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas (RS/SC), com 262.000 hectares. Outras iniciativas importantes para o uso sustentável do bioma Pampa são o turismo rural, o turismo de aventura e o turismo ecológico, assim como a atividade agropecuária, indissociável da cultura local.
 (Fonte: Ana Flora Caminha/ MMA)

 

 

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=37791

 

Mudar o desenvolvimento para salvar a biodiversidade

Uma drástica mudança no rumo do desenvolvimento econômico é essencial para evitar o desaparecimento dos ecossistemas do planeta, que são a base da vida, afirma um estudo publicado ontem na revista científica norte-americana Science. A mudança climática, a contaminação, o desmatamento e as transformações no uso da terra empurram as espécies à extinção, reduzindo sua abundância e os lugares que habitam.
A reportagem é de Stephen Leahy, da IPS, e publicada pela Agência Envolverde, 28-10-2010.
“As sociedades e as infraestruturas humanas evoluíram e dependem de espécies e ecossistemas particulares”, disse Paul Leadley, da Universidade de Paris-Sud, que encabeçou o estudo. “Mesmo os cenários mais otimistas para este século sistematicamente preveem a extinção e a redução das populações de muitas espécies”, declarou Paul, da França, à IPS em conversa telefônica. A meta de frear a perda de biodiversidade até 2020 está sendo discutida esta semana nesta cidade japonesa, onde acontece a 10ª Conferência das Partes do Convênio sobre Diversidade Biológica. Porém, o objetivo de 2020 é, tristemente, algo “irreal”, admitiu Paul, baseando-se em cinco recentes estudos ambientais mundiais.
Paul e seu colega Henrique Miguel Pereira, da Universidade de Lisboa, lideraram uma equipe de 23 cientistas de nove países que compararam os resultados dos últimos estudos e uma ampla gama de literatura para avaliar as possíveis mudanças futuras na biodiversidade. A análise traça uma inevitável e contínua perda de biodiversidade no Século XXI, mas oferece esperanças de que possa diminuir essa deterioração se forem adotadas as medidas políticas adequadas.
O termo biodiversidade é usado para descrever a ampla gama de variedades de seres viventes – árvores, insetos, plantas, animais – que formam a infraestrutura biológica e nos fornecem saúde, riqueza, alimento, água, combustível e outros serviços úteis. Muitos não entendem o quanto a humanidade é dependente de numerosos serviços proporcionados pela natureza e a rapidez com que isto está mudando, afirmou Paul.
Embora a atenção pública se concentre na extinção de espécies, é a mudança em sua distribuição e no tamanho de suas populações, o ponto mais grave para o bem-estar humano, bem como os melhores indicadores da pressão que é exercida pelas pessoas sobre os ecossistemas, diz o estudo. Nos oceanos, a combinação de pesca em excesso e mudança climática – causada pelas emissões de dióxido de carbono das atividades humanas – está transformando rapidamente a vida marinha a ponto de no futuro haver menos peixes grandes.
Além disso, o desmatamento e o aquecimento global estão transformando as paisagens terrestres. Uma pesquisa na selva amazônica concluiu que, se as temperaturas mundiais aumentarem dois graus centígrados, como parece provável, a mescla de incêndios com desmatamento acabará com a capacidade única dessa região para gerar a metade de sua própria chuva. Sem estas, a selva se converterá em região de pradarias, causando maciça liberação de dióxido de carbono e a perda de muitas espécies.
Mesmo se o desmatamento terminasse, a maior parte da selva amazônica poderia desaparecer em 50 ou 60 anos devido ao aquecimento do planeta, disse o biólogo Thomas Lovejoy, principal conselheiro sobre biodiversidade do presidente do Banco Mundial e membro do painel científico assessor do Fundo para o Meio Ambiente Mundial. “Dois graus de aquecimento será algo duradouro para muitos ecossistemas. As florestas tropicais estarão em dificuldades. Haverá poucos arrecifes de coral, a temperatura das florestas será muito diferente da atual”, afirmou Lovejoy à IPS em Nagoya.
Uma solução para esfriar o planeta e salvar a selva amazônica é restaurar florestas e áreas verdes, com a finalidade de remover dióxido de carbono da atmosfera, acrescentou o cientista. O crescimento econômico deve deixar de focar os lucros que proporciona a conversão de terras e procurá-los por meio da restauração da biodiversidade. Combater a mudança climática é uma forma de frear a perda de diversidade biológica, disse Paul. Colocar preço nas emissões de carbono em todas suas formas, desde a gerada pelo desmatamento até a agricultura seria uma maneira de enfrentar o problema, prosseguiu.
O desmatamento e a agricultura contribuem com 35% a 50% de todas as emissões de gás carbono na atmosfera. Também são os principais causadores da conversão de ecossistemas naturais. É necessário um forte peso de impostos sobre as emissões, incentivo aos esforços para capturar carbono e criação de áreas protegidas efetivas. Proteger apenas 20% da terra e 15% do mar, segundo proposto originalmente como meta para 2020 no Convênio, não é suficiente para deter a perda de biodiversidade.
As ações devem ser adotadas com urgência, disseram os cientistas, já que a janela de oportunidades se fecha rapidamente. Medidas imediatas poderiam garantir até 2030 uma ampliação de 15% das áreas florestais do planeta, mas a falta de ações pode gerar uma perda superior a 10% destas até esse ano. O maior desafio continua sendo convencer os políticos.
Os cientistas acreditam que a criação da Plataforma sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES, um mecanismo do grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática - IPCC) poderia fazer uma diferença. “Os temas são tão urgentes e o que está em jogo para a humanidade é tão importante que os cientistas devem unir-se e, por meio do IPBES, e informar os governantes com voz única e autorizada”, disse Henrique Miguel. Delegações governamentais expressaram em Nagoya seu apoio à criação do IPBES, mas alguns negociam seu apoio para conseguir a aprovação de um acordo sobre o acesso equitativo aos recursos biológicos.
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