Estão os produtos de limpeza domésticos conectados ao câncer de mama?

Um estudo uma conexão potencial entre o uso de produtos de limpeza doméstico bem como purificadores de ar com o câncer de mama.
Foi quando em torno de 800 mulheres (400 com câncer de mama e igual número sem) foram questionadas sobre os produtos de limpeza que os pesquisadores detectaram uma conexão potencial.
O risco de câncer de mama foi mais alto entre a maioria das mulheres que reportaram usar produtos de limpeza e purificadores de ar – sendo o dobro do risco daquelas que reportaram baixo emprego destes produtos.
De acordo com o The Columbus Dispatch:
"A conexão foi percebida principalmente entre produtos de limpeza e de purificadores de ar que controlam fungos e mofos. Limpadores de chão e de forno não foram associados ao aumento do risco. Químicos que geram preocupação incluem almíscares sintéticos, ftalatos, o 1,4-diclorobenzeno, terpenos, benzeno e estireno e alguns agentes antimicrobiano".
Fontes:
The Columbus Dispatch July 20, 2010
Environmental Health July 20, 2010; 9(1):40
Comentários do Dr. Mercola:
Limpamos nossa casa para deixá-la pura e livre de contaminantes danosos, mas se usamos muitos dos produtos de limpeza populares e disponíveis no mercado, estaremos, na verdade, introduzindo químicos potencialmente tóxicos em nossos lares.
Em um dos últimos estudos envolvendo perto de 800 mulheres que, em sua maioria usam produtos de limpeza e purificadores de ar, tinham dobrado o risco de desenvolver câncer de mama quando comparadas com aquelas que faziam baixo uso.
Embora seja muito difícil provar que a exposição de uma pessoa a produtos de limpeza durante 10, 20 ou 30 anos seja o que causou o seu diagnóstico de câncer, é bem notório que os produtos químicos domésticos comumente usado, de fato causam câncer, juntamente com outros sérios efeitos à saúde, como problemas reprodutivos e de desenvolvimento em crianças em crescimento.
Mas realmente que tipos de produtos químicos de limpeza e tóxicos podem estar colocando nossa saúde em risco?
Tóxicos comumente presentes em produtos de limpeza.
O pesquisador líder do estudo acima detectou a maior correlação com o câncer de mama, os produtos de limpeza para mofos e fungos e purificadores de ar. Entre os químicos de maiores preocupações estão:
- Almícares sintéticos: Largamente empregado em detergentes, amaciadores de tecidos e purificadores de ar (junto com perfume), estes compostos foram detectados em 36 das 52 pessoas avaliadas pelo Environmental Working Group (EWG)/Commonweal studies.
Eles foram encontrados no leite materno de mães americanas (breast milk of American mothers), que têm aumentado as crescentes preocupações sobre sua segurança. Almíscares sintéticos estão sob suspeição quanto a serem disruptores endócrinos e pelo menos um, o tonalide, impedia as células de bloquearem a entrada de tóxicos em um estudo com animais.
- Ftalatos: Os efeitos dos ftalatos em nosso sistema endócrino, particularmente durante a gravidez, amamentação e a infância, são muito perturbadores. Por exemplo, estudos com animais com certos ftalatos mostraram que essas substâncias químicas podem causar:
- Prejuízo do desenvolvimento e da reprodução;
- Danos a órgãos;
- Supressão imunológica;
- Disruptura endócrina; e
- Câncer.
Estes abaixo são largamente empregados em produtos de limpeza, purificadores de ar e plásticos:
- 1,4-diclorobenzeno: Detectado em purificadores de ar, limpadores de vasos sanitários e outros produtos de limpeza domésticos. Esta substância está presente em quase todos os norte-americanos (present in the blood of nearly all Americans). Além de estar ligada a danos nos pulmões é conhecido por causar toxicidade para o sistema de órgãos (organ system toxicity).
- Terpenos: Comumente usados em produtos de limpeza doméstico com aromas de pinos, limão ou laranja. Ele interage com o ozônio na atmosfera para produzir substâncias tóxicas similares ao formaldeido, um conhecido carcinogênico.
- Benzeno: Também de uso comum em produtos de limpeza, ele é um conhecido carcinogênico humano e tem sido relacionado ao aumento do risco de leucemia e outras doenças do sangue, além de ser tóxico para os órgãos do corpo.
- Estireno: Conectado ao câncer, efeitos sobre o nascimento e o desenvolvimento, toxicidade sobre os sistemas biológicos e problemas com a reprodução e a fertilidade, esta é uma substância química detectada nos demais produtos de limpeza domésticos (nt.: lembremo-nos que esta molécula é que forma o plástico poliestireno e o estiropor/isopor. Ver o link da Anvisa: http://www.nossofuturoroubado.com.br/arquivos/agosto_10/oficio_defesa.html ).
Outros produtos químicos muito desagradáveis susceptíveis de estarem escondidos debaixo da pia da cozinha ou do banheiro incluem:
- Fenol: Um ingrediente muito comum nos detergentes domésticos tipo ‘Lysol’, ‘Pinho-Sol’ e ‘Spic-n-Span’. Também é encontrado em desinfetante bucal. Fenol é tóxico e as pessoas que são hipersensíveis poderão experimentar sérios efeitos colaterais mesmo em baixas doses. Pesquisas têm relacionado os fenóis a:
- Danos aos sistemas respiratório e circulatório;
- Danos ao coração;
- Problemas respiratórios; e
- Danos ao fígado, rins e olhos.
- Nonilfenol etoxilados (NPEs): um ingrediente comum em detergentes para roupa e produtos de limpeza para todos os fins, está banido na Europa e conhecido por ser um potente disruptor endócrino. Já está reconhecido como sendo a causa da transformação de peixes machos em fêmeas em todos os locais do planeta.
- Formaldeido, detectado em sprays e desodorizadores de ar, suspeito de ser um carcinogênico.
- Solventes de petróleo em limpadores de piso podem danificar membranas das mucosas.
- Butil celossolve (nt.: também conhecido como butil glicol/etileno glicol éter monobutil), detectado em muitos produtos de limpeza multiuso e de limpeza de vidros, pode danificar os rins, a medula óssea, fígado e sistema nervoso.
- Triclosan, um ingrediente ativo da maioria dos produtos antibacterianos, não só mata as bactérias, também tem sido conhecido como exterminador de células humanas.
Ler os rótulos nem sempre ajuda.
Sempre advoguei que todos deveríamos ler os rótulos dos produtos alimentícios e de cuidado pessoal que comprássemos, mas no caso de produtos domésticos de limpeza, mesmo o olhar mais acurado em rótulos não levará muito longe.
Por que?
Porque muitos dos químicos mais perigosos não estarão listados nos rótulos. Os fabricantes têm convenientemente pressionados os governos a isentá-los desta exigência e podem assim omitir qualquer ingrediente que considerem como segredo industrial de seus rótulos. E muitos destes ingredientes secretos são tóxicos e carcinogênicos.
Os materiais domésticos são ainda um mercado muito pouco regulamentado. E os fabricantes de produtos domésticos de limpeza – mesmo aqueles que se rotulam como ‘verdes’ – não estão sob exigência legal de enumerar todos os seus ingredientes em seus rótulos.
Assim, enquanto ainda é melhor ler o rótulo do que não, estar ciente de que a falta de ingredientes expressos no rótulo não significa que eles, necessariamente, não estejam no produto!
Usar produtos de limpeza naturais é o topo da lista de minhas estratégias de prevenção ao câncer.
A pesquisa está recém começando a sugerir quão poderoso é o papel ambiental desempenhado por químicos como estes na nossa saúde em longo prazo.
Em 2009, 1,5 milhões de norte-americanos foram diagnosticados com câncer e o relatório do Painel sobre Câncer do Presidente (http://www.environmentalhealthnews.org/ehs/news/presidents-cancer-panel) (nt.: do NCI - Instituto Nacional do Câncer do governo norte-americano) sugeriu que a percentagem desta doença causada diretamente por fatores ambientais vem sendo “completamente subestimada”.
É por isso que o topo da minha lista de estratégias de prevenção ao câncer (top list of cancer prevention strategies) sempre inclui a redução da exposição a venenos ambientais como agrotóxicos, produtos domésticos de limpeza e purificadores de ar sintéticos.
Felizmente, esta é uma tarefa relativamente fácil de alcançar.
Para os momentos em que precisamos fazer uma limpeza rápida, um dos melhores desinfetantes não tóxico é simplesmente: água e sabão (simple soap and water). Pode-se usar para lavar as mãos, o corpo e a limpeza doméstica. Outro limpador multiuso que funciona muito bem para balcões de cozinha, tábuas de cozinha e banheiros é a água oxigenada (ou peróxido de hidrogênio) a 3% e vinagre (3% hydrogen peroxide and vinegar).
Podemos manter nossa casa muito limpa e saudável ao fazermos nossos próprios produtos domésticos de limpeza usando itens que sempre tivemos em nosso entorno. Algumas dicas para ser fazer produtos de limpeza simples eficazes e completamente naturais:
- Usar bicarbonato de sódio misturado com vinagre de maçã para clarear caixas de gordura, fossa e banheiras ou aspergi-lo junto com algumas gotas de óleo de lavanda ou óleo de melaleuca (que tem qualidade bactericida) como um simples frescor de ervas para nosso banheiro ou cozinha;
- O vinagre pode ser usado para clarear quase todas as coisas em nossa casa. Experimente-o misturado com sabão líquido de azeite de oliva espanhol, óleos essenciais e água para limpar pisos, janelas, banheiros e cozinhas. Ele pode até mesmo ser usado como um amaciador natural;
- O peróxido de hidrogênio é mais seguro do que usar cloro para a desinfecção e o branqueamento;
- A vodca é um desinfetante que pode remover manchas de vinho tinto, matar abelhas e vespas além de renovar tapetes (coloque-o em um difusor e simplesmente aspergir sobre o tecido).
Para um excelente vídeo sobre como usar esses ingredientes e outras dicas para a limpeza de sua casa, sem produtos químicos perigosos, ler o artigo Como manter sua casa limpa naturalmente (How to Keep Your Home Clean Naturally).
Finalmente, se ainda estiver usando purificadores de ar porque gosta de um ambiente perfumado, importante mudar para alternativas mais seguras, como óleos essenciais terapêuticos (therapeutic essential oils).
Lembrar: os óleos essenciais NÃO são a mesma coisa que os óleos de perfume. Estes são criados artificialmente e muitas vezes contêm produtos químicos sintéticos. Assim, certifique-se que o óleo essencial que se está usando é da mais alta qualidade e 100% puro. Algumas gotas colocadas em um difusor em torno de sua casa, ou misturado com água e pulverizado sobre tapetes ou tecidos, é uma maneira segura e suave de perfumar a casa naturalmente.
Links relacionados:
How Safe Are Green Cleaning Products?
Why You Want to Avoid Using Chemical Disinfectants
How to Keep Your Home Clean Naturally
Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, janeiro de 2011.
Crescem os casos de câncer de mama nas mulheres em idade reprodutiva
Câncer de mama aumenta em jovens – Crescimento no número de casos é expressivo em todas as faixas etárias, mas é mais preocupante nas mulheres em idade reprodutiva, por ser mais agressivo e difícil de detectar; especialistas defendem rastreamento para todas a partir dos 40 anos de idade
O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) levantou o perfil das mulheres que passaram pelo hospital para tratamento de câncer de mama. Entre as 2.573 pacientes atendidas nos quase três anos de funcionamento da instituição, 15% têm menos de 45 anos. A mais jovem tinha, na época em que recebeu o diagnóstico, apenas 19 anos. Reportagem de Karina Toledo, em O Estado de S.Paulo.
O coordenador do Setor de Mastologia do Icesp, José Roberto Filassi, diz que esse levantamento será feito também para outros tipos de câncer. Mama foi o primeiro justamente porque a incidência está aumentando em mulheres em idade reprodutiva. “Alguns defendem que há um aumento real, causado por mudanças de costumes. Outros dizem que os casos estão apenas sendo diagnosticados mais cedo. Os dois fatores pesam”, afirma.
A grande preocupação é que a detecção da doença nas mulheres jovens é mais difícil. Primeiro porque elas não estão na idade em que exames são feitos rotineiramente e, mesmo quando a mamografia é realizada, a percepção do tumor é mais difícil. “A mulher jovem tem muito tecido glandular e pouca gordura. Isso dificulta a visualização dos sinais precoces do câncer”, explica Afonso Nazário, do Departamento de Ginecologia da Unifesp.
Além disso, diz ele, o câncer de mama na mulher jovem costuma ser mais agressivo. Tem taxa de crescimento maior e mais risco de metástase. Mas, segundo Nazário, a incidência desse tipo de tumor cresce em todas as faixas etárias, não só em mulheres jovens. Levantamento feito pelo coordenador do Programa de Mastologia da Universidade Federal de Goiás, Ruffo de Freitas, confirma essa ideia. Ele analisou dados do Registro de Câncer de Base Populacional de Goiânia entre 2003 e 2008. Nas mulheres entre 20 e 49 anos, a taxa de crescimento anual foi de 4,8%. Entre as de 50 e 59 anos, de 6,3% e, entre as de 60 e 69 anos, de 5,8%%.
Quando ele avaliou o crescimento acumulado em todo o período, os resultados foram alarmantes: aumento de 134% entre mulheres de 20 a 29 anos; 104% entre 30 e 39; 127% entre 40 e 49 e 277% entre 50 e 59. Segundo Freitas, os dados de Goiânia refletem a realidade de todos os grandes centros urbanos do País e do mundo.
Especula-se que a explosão seja consequência da mudança no estilo de vida feminino. “No século 19, as mulheres menstruavam mais tarde e logo casavam e tinham filhos. Amamentavam mais tempo e entravam mais cedo na menopausa. A mama passava menos tempo sob o estímulo dos hormônios ovarianos”, explica Nazário. Além disso, continua, a entrada no mercado de trabalho deixou a mulher mais predisposta a sofrer de estresse, depressão e ansiedade, fatores que enfraquecem as defesas do organismo contra o câncer.
Especialistas concordam que pouco se pode fazer para evitar o problema. A melhor forma de se proteger e diminuir a mortalidade é o diagnóstico precoce. “Não dá para a mulher jogar fora o que conquistou, sair do mercado de trabalho e voltar a ter um filho atrás do outro. Mas dá para detectar o câncer em fase inicial, quando é mais fácil tratar”, afirma Nazário. Quando o tumor é diagnosticado e tratado quando o nódulo é menor que 1 centímetro, as chances de cura chegam a 95%.
EcoDebate, 04/01/2011
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Novas Evidências Identificam Forte Conexão entre Celulares e Câncer.

Recente pesquisa pode alterar o debate a respeito dos celulares e o câncer. Um grupo de pesquisa registrou um aumento acentuado na incidência de tumores da glândula parótida, nos últimos 30 anos, com o aumento mais significativo, acontecendo depois de 2001. A pesquisa ocorreu na Universidade de Hebrew em Jerusalém, na Escola de Medicina Odontológica Hadassah, feita por Rakefet Czerninski, Avi Zini e Harold Sgan-Cohen.
Por muitos anos, os céticos têm argumentado de que os estudos epidemiológicos que indicam para um risco de tumor de celulares devem estar errados, porque ninguém tem visto um aumento de tumores relacionados à telefonia celular na população em geral.
Mas um destes estudos epidemiológicos anteriores detectou que os usuários mais constantes de celulares “mostraram riscos significativamente elevados” de tumores nas glândulas parótidas. (Sadetzki et al mostraram 49% de elevação dos riscos de tumores na glândula parótida. Outro de Lonn et al, em 2006, detectou aumento de 160% de aumento (parotid gland increase of 160 percent) (significância limítrofe).
Assim, os dados de tendência em longo prazo registrado pela Universidade de Hebrew não são surpreendentes.
De acordo com a Microwave News:
“A glândula parótida é um tipo de glândula salivar – a que está mais perto da face onde a maioria das pessoas coloca seus celulares. Interessantemente, os novos … dados não mostram um aumento similar em duas outras duas importantes tipos de glândulas salivares, a submandibular e a sublingual que estão mais longe do telefone”.
Em notícia relacionada, outra pesquisa feita por Hardell et al na Suécia confirmou que falhas no projeto do estudo Interphone (nt.: estudo desenvolvido sob a chancela da OMS, através da IARC, por 21 cientistas de vários países - http://www.iarc.fr/en/media-centre/pr/2010/pdfs/pr200_E.pdf - e publicado em maio de 2010) fez com que os riscos de tumores de cérebro (gliomas) ficassem subestimados.
O estudo Interphone afirma que o uso de celular digital por mais de 10 anos, leva a um aumento de 118% no risco de câncer no cérebro. Mas uma análise feita pela Hardell et al, em 2006, e que os especialistas consideram um estudo muito bem engendrado, revelou que o aumento do risco de tumores cerebrais malignos poderia ser tão alto como 180%.
Uma recente re-análise dos dados de Hardell pela própria equipe, publicada 17 de dezembro de 2010 no International Journal of Epidemiology, agora explica finalmente a diferença no risco de tumor cerebral encontrados nos dois estudos.
Mostra que a diferença está relacionada a diferenças na metodologia: 1) diferença nas faixas etárias selecionadas para as duas análises, e 2) devido à classificação imprecisa do estudo Interphone dos usuários de telefones sem fio como "não expostos” à radiação de microondas.
Quando os dados de Hardell foram reformulados pela própria equipe usando o protocolo mais limitado usado pelo estudo Interphone – ou seja, considerando sujeitos aqueles que estavam entre 30-59 anos em vez de 20-80 anos usados pela equipe Hardell originalmente, e classificando quaisquer indivíduos que usassem telefone sem fio como “não exposto”, como o estudo Interphone inexplicavelmente fez – as duas baterias de dados revelaram essencialmente o mesmo risco de tumores cerebrais.
Isto demonstra que o menor risco de câncer de cérebro do uso do celular registrado no estudo Interphone foi resultado de uma falha de projeto.
Camilla Rees da ElectromagneticHealth.org diz:
“Foi adotada uma gama de idade mais ampla, como na pesquisa original de Hardell (idades entre 20 a 80), e os indivíduos corretamente classificados como "expostos” à radiação de microondas se eles usassem celulares e telefones portáteis (incluindo sem fios), emitindo radiação de microondas, o risco de tumores cerebrais seria como foi encontrado na pesquisa original de Hardell:risco 180% maior de câncer maligno no cérebro".
Fontes:
Epidemiology January 2011; 22(1): 130-131
Electromagnetic Health December 12, 2010
Microwave News
International Journal of Epidemiology December 17, 2010
Comentário do Dr. Mercola:
Cânceres de glândulas salivares são realmente raros e têm poucos fatores de risco conhecidos, mas a nova pesquisa detectou um certo tipo de câncer de glândula salivar, tumores na glândula parótida, que estão em crescimento. Em Israel, os cânceres da glândula parótida aumentaram quatro vezes de 1970 a 2006, enquanto os índices de outros cânceres de glândula salivar permaneceram estáveis.
Outra interessante descoberta é que 20% dos tumores de glândulas salivares são detectados em pessoas abaixo de 20 anos.
O que especialmente preocupa quanto a estas descobertas?
Nossa glândula parótida é a glândula salivar mais perto de onde colocamos os celulares na orelha e face.
O risco de câncer tornou-se difícil de ser negado.
Em 2008, uma pesquisa de Israel que era parte do projeto Interphone revelou que eles não encontraram nenhum tipo de risco aumentado de tumores de parótida devido ao uso do telefone celular entre todo o grupo de participantes do estudo. Esta afirmação é enganosa na melhor das hipóteses, da mesma forma como foi com o risco na situação anterior, de os usuários regulares como os usuários intensivos nas áreas rurais apresentaram um risco aumentado de tumores da glândula parótida, devido aos níveis mais elevados de exposição.
Em 2009, o Dr. Siegal Sadetzki, o pesquisador principal de um estudo de 2008, testemunhou em uma audiência do Senado dos EUA que o celular foram identificados como um contribuinte para os tumores das glândulas salivares.
Um novo relatório da Universidade Hebrew afirma que o nosso risco de ter um tumor na parótida no mesmo lado da nossa cabeça que usamos para ouvir o celular é aumentado em:
34% se tu és um usuário regular do celular e usuário por cinco anos (este foi apenas marginalmente significativo);
58% se tens mais do que 5.500 chamadas em tua vida (estatisticamente significativo);
49% se tens falado no celular por mais do que 266,3 horas durante tua vida (estatisticamente significativo).
Infelizmente, por agora a maioria das pessoas está num estado de santa ignorância, assumindo de que os celulares devem ser seguros visto que eles estão sendo tão extensivamente utilizados e não há nenhuma advertência de saúde pública sobre eles.
A realidade é, entretanto, que mesmo os fabricantes de celulares não recomendam o uso dos celulares da maneira como estamos provavelmente utilizando – pressionando-o contra nosso ouvido.
Muitos celulares, na verdade, contém em seus manuais, recomendações para mantê-los longe da cabeça quando em uso. A Apple recomenda manter seu iPhone, pelo menos, 5/8 de polegada de sua cabeça, enquanto BlackBerry recomenda cerca de uma polegada.
E, embora poucas pessoas sabiam disso, menos ainda sabe que os telefones sem fio de uso doméstico, de todos os dias, emitem o mesmo tipo de radiação que os telefones celulares. Então, eles também devem ser evitados para chamadas de longa duração ou, preferencialmente, ser utilizado somente em casos de emergências.
O estudo Interphone subestimou os riscos dos celulares.
O estudo maciço Interphone, que era para oferece finalmente uma prova definitiva sobre a segurança ou não dos celulares, custou mais de $ 30 milhões de dólares (financiados em parte pela indústria de telefonia móvel), e envolveu pelo menos 50 cientistas de 13 países.
Muitos especialistas acreditam, no entanto, que o estudo pode ter sido uma maciça campanha de relações públicas das indústrias de telecomunicações para obter a garantia de que os celulares são seguros e assim elas podem continuar a obter bilhões de dólares em lucros.
É por isso que não há nenhuma surpresa, agora que os dados foram finalmente liberados, que se verifica que o estudo está seriamente falho.
As falhas de projeto do estudo foram expostos em detalhes no relatório "Cellphones and Brain Tumors: 15 Reasons for Concern, Science, Spin and the Truth Behind Interphone", escrito em agosto de 2009 através da colaboração dos ativistas na Europa e nos Estados Unidos e foi endossado por mais de 40 cientistas internacionais.
Agora um novo estudo publicado pelo International Journal of Epidemiology em dezembro reafirma as falhas de projeto no estudo Interphone levando o risco de tumores cerebrais a serem subestimados e também confirma o papel causador dos celulares no câncer de cérebro, algo antes da confusão que as discrepâncias nos resultados serviram para ofuscar.
Enquanto o Interphone constatou 118% de aumento no risco de câncer cerebral pelo uso do celular por mais de 10 anos, mais cedo os estudos de Hardell (2006) detectaram o risco aumentado em 180%.
Finalmente, esta discrepância foi agora demonstrada e pode ser atribuída a falhas de projeto no estudo Interphone, incluindo o que muitos consideram de tudo, a falha de projeto mais chocante: a classificação de usuários de telefones portáteis como "não expostos à radiação de microondas", quando na verdade eles estavam muito expostos.
Francamente, não sabemos como os pesquisadores do estudo Interphone saíram impunes ao classificarem os usuários de telefones sem fio como ‘não expostos’. É improvável que haja um só epidemiologista no mundo de hoje que trataria exposições à radiação do telefone se, fio como um "não-exposto”.
De acordo com o Electromagnetic Health, outros fatos com este estudo além das 11 falhas de projeto primário, incluem:
- Os resultados foram somente fornecidos para câncer de cérebro (gliomas) e meningiomas, mas não nos tumores dos 20% do volume dos cérebros irradiados por telefones celulares;
- O risco não foi discriminado por sexo, o que pode ter ofuscado risco ainda maior de meningiomas em mulheres.
Os resultados de 5 anos de idade, são hoje desafortunadamente inadequados como um indicador de risco, como adultos e crianças, no momento, falam em telefones celulares muitas horas por dia em comparação com apenas 2 a 2,5 horas por mês naquela época.
Por exemplo, o estudo está cheio de descobertas perturbadoras e ridículas, como "usuários pesados" de celulares que dobraram o risco de glioma, uma ameaça à vida e muitas vezes o fatal tumor cerebral, após 10 anos de uso de telefone celular, quando comparados aos usuários que usam o celular por 1 a 1,9 anos. Por que isso é um achado ridículo? Devido a sua definição de um usuário "pesado" ser alguém que usou um celular por 2 a 2,5 horas ... num mês!
O que isto significa é que se você usar o celular por duas horas ou mais por mês, você pode duplicar o risco de um tumor cerebral potencialmente fatal. Use o seu celular significativamente mais do que isso, e seu risco será provavelmente muito, muito maior.
Muito simplesmente, este estudo não faz absolutamente nada para resolver centenas de milhões de usuários de celulares que simplesmente têm uma exposição que é significativamente maior.
O que a indústria de celulares não querem que se saiba.
A indústria de telecomunicações está muito MAIOR do que a indústria farmacêutica e estão mais influentes em Washington.
Esta situação é agravada pelo fato de que uma grande percentagem dos fundos de aposentadoria de várias organizações poderosas de lobby é investida em telecomunicações.
A indústria de celulares está fazendo tudo ao seu alcance para manter a todos nós na escuridão da ignorância sobre a pesquisa emergente a respeito dos celulares, e os sinais de alerta que as tecnologias de comunicação sem fio (“wireless”) não são seguras.
Enquanto isso, os órgãos governamentais, da mesma forma como agiu com o cigarro antes que as evidências tornaram-se insuportáveis, está literalmente ignorando todos os sinais de perigo.
Assim como foi com o fumar, os usuários não conseguem perceber que pode levar de 10 a 30 anos para tumores cerebrais se desenvolvam pela exposição ao celular. Por essa razão, só agora estamos começando a ver alguns dos efeitos trágicos pelo uso freqüente do celular. A verdade é que muitos acreditam que estamos à beira de uma epidemia de câncer cerebral.
Devra Davis, PhD, professora visitante da Escola de Trabalho Estrangeiro da Universidade de Georgetown, escreveu um novo livro – “Desconecte-se” - onde expõe uma pesquisa em que mostra de que a radiação celulares está sendo associada a:
- Danos ao DNA;
- Perda de memória;
- Doença de Alzheimer;
- Câncer;
- Fragiliza as defesas cerebrais; e
- Redução da contagem de espermatozóides.
Mas toda essa informação a indústria de celulares não quer que se saiba.
Presta Atenção: os primeiros alertas já tenham sido dados.
É imperativo que estejamos cientes das advertências iniciais sobre os perigos dos celulares e como elas pode nos ajudar a ficarmos um passo à frente na proteção de nossa saúde. Apesar de não serem amplamente divulgadas nos Estados Unidos, vários países, incluindo a Finlândia, Israel e França, já emitiram orientações para uso seguro do celular.
A Federal Communications Commission/FCC dos EUA, enquanto se distancia de qualquer informação de que celulares geram problemas de saúde, lançou recentemente orientações que se pode tomar para reduzir a exposição à energia de radiofreqüência dos celulares.
A legislação de São Francisco entrará em vigor em 01 de maio de 2011, quando, na verdade, exige um processo educativo a respeito dos riscos da telefonia celular, nos pontos-de-venda. Os materiais didáticos devem "informar aos clientes as ações que podem ser tomadas pelos usuários de celulares no sentido de minimizar a exposição à radiação, tais como desligar celulares quando não em uso, usar os auriculares ou viva-voz e mesmo mandar ‘torpedos’ ". (Linhas 15-17 da legislação final.)
Andrea Boland, deputada estadual do Maine, também quer que sejam emitidos avisos especialmente para crianças e mulheres grávidas, para que mantenham os aparelhos celulares longe de sua cabeça e de seu corpo, mas, infelizmente, uma comissão legislativa de seu estado rejeitou sua proposta, argumentando de que os "estudos são inconclusivos" e mostrou uma preocupação com o "aumento do medo das pessoas".
Em 2008, o Dr. Ronald B. Herberman, diretor do Instituto do Câncer da Universidade de Pittsburgh, também emitiu um aviso aos seus professores e funcionários, pedindo para que limitassem o uso de celular devido ao possível risco de câncer. Então, há uma abundância de avisos lá fora ... a indústria de celular acaba fazendo um bom trabalho para ter certeza que estes avisos não estejam sendo amplamente ouvidos ou se eles estão sendo postos em dúvida.
A melhor maneira de se proteger.
Quando eu uso meu celular ou estou longe de casa, sempre uso o viva-voz ou fone de ouvido da Blue Tube. Sugiro que todos tomem estas medidas de proteção também, como a melhor maneira de diminuir a exposição à radiação. Usar o viva-voz ou um fone de ouvido seguro quando falar ao telefone. Além disso, para manter o telefone o mais longe possível do corpo sempre estiver ligado.
Você nunca deve carregar seu telefone no bolso da camisa ou no cinto, por exemplo.
Também recomendo que todos que usam celulares sigam estas diretrizes de bom senso e compartilhe-os com amigos e também a família. Por favor, não espere por mais provas para entrar nessa, ..., comece a proteger seu cérebro e seu corpo de radiação dos celulares, a partir de hoje:
- As crianças devem sempre evitar usar celular: salvo uma emergência com risco de vida. As crianças não devem usar celular ou aparelhos sem-fio de qualquer tipo. Elas são muito mais vulneráveis à radiação dos celulares do que os adultos porque os ossos de seus crânios são mais finos além de outros fatores.
- Reduzir o uso de seu celular: desliguemos cada vez mais o seu celular. Reservemos seu uso somente para emergências ou assuntos importantes.
- Usar telefone fixo em casa e no trabalho: Apesar de mais e mais pessoas estarem se ligando ao uso de celulares como sua maneira exclusiva de telefone, esta é uma perigosa tendência e podemos optar ficar fora desta loucura.
- Reduze ou elimine o uso de outros equipamentos sem-fio (wireless): podemos ter a sabedoria de refugar o uso destes aparelhos. Exatamente como os celulares, é importante nos perguntarmos se realmente precisamos ou não usá-los a todo o momento. Mesmo telefones sem-fio domésticos, incluindo o velho tipo que operava a 900 MHz, pode ser um problema. A lição disso tudo é que todos os telefones portáteis DECT (Digital Enhanced Cordless Telecommunications- Telecomunicações Digital Sem-fio Melhoradas) são problemáticos. Se não se sabe se o telefoneque se tem é DECT (já que muitos não são rotulados como tal), a ÚNICA maneira de saber ao certo é fazer uma medição. Pode-se aprender no site www.emfsafetystore.com sobre instrumentos de medição.
- Para as chamadas "mãos livres" caseiras: eu recomendo usar o viva-voz antiquado (ligados ou não ao telefone) ou utilizar o Skype no seu computador em modo de alto-falante, que é excelente. Com o Skype, você recebe um número de telefone que é portátil, assim como é com o celular. Pode-se também ligar em um cabo de Ethernet quando se estiver viajando para receber mensagens e fazer chamada (isto é, se estiver usando o Apple iPad que, infelizmente, não permite uma conexão de internet com fio em tudo!).
- Use Seu Celular Apenas onde a recepção é boa: a fraca recepção, mais energia de seu telefone deve ser usada para transmitir, e mais energia que usa, mais radiação emite, e quanto mais profunda e perigosamente as ondas de rádio penetram em seu corpo. Idealmente, você só deve utilizar o telefone com pressão atmosférica perfeita em relação ao “mbar” e uma boa recepção além de fazer breves chamadas. Também deve-se procurar evitar carregar o telefone junto ao corpo, limitando maximizar a exposição potencial. O ideal é colocá-lo na bolsa, sacola ou bolso de viagem.
- Manter o celular desligado enquanto não estiver em uso: durante todo o tempo em que o celular estiver ligado, estará emitindo radiação intermitentemente, mesmo quando não se estiver fazendo nenhuma chamada.
- Manter o celular longe do corpo quando estiver ligado: o lugar mais perigoso de estar, em termos de exposição às radiações, é próximo da antena que as emite. Não se deve querer ter nenhuma parte do corpo próxima desta área e esta proximidade é tudo. Quanto mais próximo o telefone estiver do corpo, o pior a exposição - a exposição cai drasticamente com a distância. Assim, usando o modo alto-falante, o mais distante que se pode manter o telefone distante do corpo, e ainda ouvindo a chamada, melhor.
- Usar a tecnologia do fone de ouvido com segurança: fones de ouvido com fio permitirão manter o celular longe do corpo. Mas, se este acessório não estiver protegido – e muitos deles não estão – o próprio fio funcionará como uma antena de captação das ondas de rádio do ambiente e a transmitirá a radiação diretamente em seu cérebro e corpo, como por exemplo, o coração. Certificar-se que o fio utilizado para transmitir o sinal ao ouvido, seja blindado. O melhor tipo de fone é uma combinação do fio ser blindado e ainda o fone ser “air tube” (nt.: ver a imagem no site: http://www.amazon.com/Smart-Safe%C2%AE-Hollow-Hands-free-Headset/dp/B003AO55JY). Funciona como um estetoscópio, transmitindo as informações para sua cabeça como uma onda sonora real embora. Embora haja fios que ainda precisam ser blindados, não há fio que vá diretamente para a cabeça. Pesquisar no site: www.emfsafetystore.com.
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Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, janeiro de 2011.