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ecologia política
Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável
Excelente introdução às idéias de Sachs sobre a eco-sócio-economia, uma ciência nova que interliga três disciplinas - a ecologia política, a sociologia e a economia - e propõe uma nova maneira de enxergar o desenvolvimento
O economista e sociólogo polonês, naturalizado francês, Ignacy Sachs é um dos mais importantes pensadores sobre o desenvolvimento sustentável no mundo e tem uma estreita relação com o Brasil, pois viveu parte de sua juventude no País, onde realizou os estudos secundários, no Liceu Pasteur, em São Paulo, e universitários, na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro.
Seu trabalho está repleto de referências, visitas e participação em projetos no Brasil. Para quem quer conhecer um pouco dessa trajetória, a leitura de Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável, segundo volume da coleção Idéias Sustentáveis, da Editora Garamond, publicado em 2002, é uma excelente introdução às idéias de Sachs sobre a eco-sócio-economia, uma ciência nova que interliga três disciplinas - a ecologia política, a sociologia e a economia - e propõe uma nova maneira de enxergar o desenvolvimento.
Mais do que os três artigos de Sachs publicados no livro, por iniciativa do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB), é o Prefácio, escrito pelo ex-reitor da UnB e atual senador Cristovam Buarque, que mostra o homem por trás do teórico, dando ainda maior credibilidade à obra do economista. Ex-aluno de Sachs, a quem define como o professor humanista para o século XXI, Buarque mostra como foi influenciado pelo mestre na descoberta do valor da natureza, no entendimento do papel da tecnologia e na maneira de fazer ciência e lidar com a vida.
No primeiro artigo, Rumo a uma Moderna Civilização Baseada em Biomassa, Ignacy Sachs defende a idéia do pensador indiano M. S. Swaminathan de que "uma nova forma de civilização, fundamentada no aproveitamento sustentável dos recursos renováveis, não é apenas possível, mas essencial". Para o economista, a civilização precisa cancelar a enorme dívida social acumulada e, ao mesmo tempo, reduzir sua dívida ecológica. Para tanto, sugere o paradigma do "B ao cubo" (bio-bio-bio), onde os "bs" significam biodiversidade, biomassa e biotécnicas, empregando ao máximo as ciências de ponta.
O pensador defende que a biomassa coletada ou produzida em terra e na água pode ser utilizada para diferentes fins, otimizados pela sua adaptação às diferentes condições agroclimáticas e socioeconômicas e na escolha da combinação certa dos "5-F": alimento (food), suprimentos (feed), combustível (fuel), fertilizantes (fertilizers) e ração animal (feedstock).Sachs considera esse sistema uma grande oportunidade para os paises tropicais, e o Brasil em particular, por poderem "pular etapas" para chegar a uma moderna civilização de biomassa, "alcançando uma endógena 'vitória tripla', ao atender simultaneamente os critérios de relevância social, prudência ecológica e viabilidade econômica, os três pilares do desenvolvimento sustentável".
Em Pensando sobre o Desenvolvimento na Era do Meio Ambiente - Do aproveitamento racial da natureza para a boa sociedade, Sachs aborda a evolução do pensamento que desembocou no desenvolvimento sustentável, como um desenvolvimento endógeno (com soluções encontradas localmente), auto-suficiente (não-dependente), orientado para as necessidades (e não pelo mercado), em harmonia com a natureza e aberto a mudanças institucionais. Baseado na ecoeficiência e também chamado de ecodesenvolvimento, o desenvolvimento sustentável proposto pelo economista é baseado na "apropriação efetiva de todos os direitos humanos, políticos, sociais, econômicos e culturais, incluindo-se aí o direito coletivo ao meio ambiente".
No último artigo, Gestão Negociada e Contratual da Biodiversidade, Sachs mostra como conseguir o ecodesenvolvimento a partir do aproveitamento sensato da natureza para construirmos uma boa sociedade. Para obter a sustentabilidade, porém, é necessário a conservação da biodiversidade. O professor deixa claro que sustentabilidade não é apenas ambiental, mas social, cultural, econômica, de governabilidade política e até do sistema internacional, para manter a paz mundial. Defende, ainda, que o ecodesenvolvimento requer o planejamento local e participativo, no nível micro, das autoridades e populações locais, e que o êxito das iniciativas dependem de negociação em um contrato com os "stakeholders", que são todos os envolvidos com uma determinada questão. Por conta disso, uma gestão negociada e contratual dos recursos é fundamental para qualquer desenvolvimento sustentável.
O livro traz, ainda, um anexo com os critérios de sustentabilidade social, cultural ecológica, ambiental, territorial, econômica, política nacional e política internacional, além de uma pequena biografia e bibliografia do autor.