http://www.huffingtonpost.com/jeffrey-smith/genetically-modified-soy_b_544575.html

 

Jeffrey SmithJeffrey Smith
The world's leading consumer advocate promoting healthier non-GMO choices.
April 20, 2010

Soja Geneticamente Modificada Conectada à Esterilidade e Mortalidade de Filhotes em Hamsters

"Esta pesquisa era apenas de rotina", disse o biólogo russo Alexey V. Surov, no que pode acabar como o eufemismo do século. Surov e assessores propuseram-se a descobrir se a soja geneticamente modificada (GM) da Monsanto, cultivada em 91% das lavouras de soja nos EUA, poderia levar a problemas no crescimento ou na reprodução. O que ele descobriu pode arrasar uma indústria multibilionária.
Após alimentar os hamsters por dois anos ao longo de três gerações, com dieta GM, especialmente o grupo com dieta máxima de soja GM, apresentaram resultados devastadores. Na terceira geração, a maioria dos hamsters alimentados com soja GM perdeu a capacidade de ter filhos. Eles também sofreram um crescimento mais lento e uma alta taxa de mortalidade entre os filhotes.
E se isso não foi suficientemente chocante, alguns na terceira geração ainda tinham pelo crescendo dentro de suas bocas - um fenômeno raramente visto, mas, aparentemente, mais prevalente entre os hamsters que comeram soja GM.
O estudo, realizado conjuntamente pelo Instituto Surov de Ecologia e Evolução da Academia Russa de Ciências e a Associação Nacional para Segurança Genética, deverá ser publicado em três meses (julho 2010) - assim que os detalhes técnicos terão que esperar. Mas Surov esboçou o conjunto básico para mim em um email.
Ele empregou hamsters Campbell, com rápido índice reprodutivo, e dividiu em 4 grupos. Todos foram alimentados com dieta normal, mas um foi sem qualquer tipo de soja, outro foi com soja não GM, um terceiros utilizou soja GM e o quarto com altas quantidades de soja GM. Cada grupo foi formado por cinco pares de hamsters, cada um produziu de 7 a 8 ninhadas, totalizando 140 animais.
O pesquisador Surov relata à Voz da Rússia (The Voice of Russia), "Inicialmente, tudo correu bem. No entanto, percebemos um efeito bastante grave quando selecionamos novos pares de seus filhotes e continuamos a alimentá-los como antes. A taxa de crescimento destes pares foi mais lenta e atingiu lentamente sua maturidade sexual".
Ele selecionou novos pares de cada grupo, que gerou mais 39 ninhadas. 52 filhotes nasceram no grupo controle e 78 no grupo de soja não GM. No grupo da soja GM, no entanto, apenas 40 filhotes nasceram. E destes, 25% morreram. Esta foi uma taxa de mortalidade cinco vezes maior que os 5% observados entre os controles. Dos hamsters que comeram altos teores de soja GM, apenas uma única hamster fêmea deu à luz. Ela teve 16 filhotes, com cerca de 20% de mortandade.
Surov disse que “o baixo número na F2 [3ª geração] mostrou que muitos animais eram estéreis”.
O texto a ser publicado também incluirá a medição dos tamanhos de órgãos dos animais da terceira geração, incluindo testículos, útero, baço etc. Se o grupo de pesquisa levantar fundos suficientes, também analisarão os níveis hormonais em coletas de amostras de sangue.
Crescimento de Pelo na Boca.
No início deste ano, Surov co-autor do trabalho no Doklady Biological Sciences, demonstra que, em raras ocasiões, o pelo cresce nos sacos bucais que os hamsters possuem.
"Alguns destes sacos bucais contêm pelos isolados; noutros, os maços de pelos são incolores ou pigmentados, alcançando a parte superior da área de mastigação dos dentes. Às vezes, a fileira de dentes foi cercada com uma escova regular de pelos, em pacotes, em ambos os lados. Os pelos cresceram verticalmente e tinham pontas afiadas, muitas vezes, cobertas com fragmentos de muco". (As fotos destes pelos sacos bucais são verdadeiramente repugnantes. Confia-se nesta informação ou constate aqui: look for yourself.)
Na conclusão da pesquisa, os autores supõem que tal espantoso defeito pode ser devido à dieta dos hamsters criados em laboratório. Eles escrevem: "Esta patologia pode ser exacerbada por elementos do alimento que estão ausentes nos alimentos naturais, tais como geneticamente modificados (GM), ingredientes de rações (soja GM ou farinha de milho) ou contaminantes (agrotóxicos, micotoxinas, metais pesados etc)". De fato, o número de hamsters com pelo na boca era muito maior entre a terceira geração de animais alimentados com soja geneticamente modificada do que em qualquer outro lugar que Surov tinha visto anteriormente.
Preliminar, mas Sinistro.
Surov adverte contra conclusões precoces e precipitadas. Ele disse: "É bem possível que os OGMs não causem esses efeitos por si só." Surov quer fazer da análise dos componentes da ração uma prioridade, para descobrir exatamente o que está causando este efeito e como.
Disse que além dos OGMs, que poderiam ser os contaminantes, podem estar maiores quantidades de resíduos de herbicidas, como o Roundup. Há, de fato, muito maiores níveis de Roundup sobre esses grãos, são os chamados "Roundup Ready". Genes de bactérias são introduzidos, forçadamente, no DNA dos grãos, a fim de que as plantas possam tolerar a agressão do herbicida Roundup da Monsanto. Portanto, a soja geneticamente modificada, sempre carrega a dupla ameaça de maior teor de herbicida, junta quaisquer efeitos colaterais da engenharia genética.
Anos de Desordens Reprodutivas pela Nutrição com OGMs.
Os hamsters de Surov são exatamente os últimos animais que sofrem de distúrbios reprodutivos após consumir OGMs. Em 2005, Irina Ermakova, também em parceria com a Academia Nacional de Ciências da Rússia, informou que mais da metade dos filhotes de ratas alimentadas com a soja GMs morreram (babies from mother rats fed GM soy died) dentro de um prazo três semanas. A taxa também foi cinco vezes maior do que a de mortalidade de 10% do grupo da soja não-transgênica. Os filhotes do grupo GM também foram menores (see photo – ver foto) e não poderiam se reproduzir.
Em uma coincidência notável, depois deste processo de alimentação feito pela pesquisadora Ermakova, seu laboratório começou a alimentar todos os ratos da instalação com uma ração comercial feita com soja GM. Dentro de dois meses, a mortalidade de recém nascidos em todo o laboratório chegou aos 55%.
Quando a pesquisadora alimentava ratos machos com a soja transgênica, os testículos mudaram de cor rosa normal para azul escuro! (testicles changed from the normal pink to dark blue!). Cientistas italianos da mesma forma encontraram alterações nos testículos camundongos {changes in mice testes (PDF)}, incluindo células jovens de espermatozóides danificadas. Além disso, o DNA de embriões de camundongos de pais alimentados com soja GM funcionavam de forma diferente.
Uma pesquisa do governo austríaco, publicado em novembro de 2008, mostrou que, quanto mais milho transgênico foi administrado aos camundongos, menos prole tinham (the fewer the babies they had (PDF)), menor os filhotes eram.
O agricultor participante da Central Iowa Farmer, Jerry Rosman também teve problemas com porcos e vacas que se tornaram estéril. Algumas de suas porcas ainda tiveram ‘falsa prenhes’ ou deram à luz a bolsas de água. Depois de meses de investigações e testes, finalmente conectaram o problema alimentar ao milho GM. Cada vez que um jornal, uma revista ou a TV relatasse os problemas de Jerry, iria receber comunicações de mais agricultores se queixando de esterilização de animais em suas fazenda, ligada ao milho GM.
Pesquisadores da Baylor College of Medicine descobriram acidentalmente que os ratos criados em cama de sabugo de milho "nem cruzaram nem apresentam comportamento reprodutivo" (“neither breed nor exhibit reproductive behavior”). Ensaios sobre a ração de milho revelaram dois compostos que estancaram o ciclo sexual das fêmeas, e estavam em "concentrações de, aproximadamente, 200 vezes menores do que fitoestrogênios clássicos". Um composto também reduziu o comportamento sexual masculino e ambas as substâncias contribuíram para o crescimento de culturas de células de câncer de mama e próstata. Os pesquisadores descobriram que a quantidade das substâncias varia conforme a variedade de milho GM (amount of the substances varied with GM corn varieties). O sabugo de milho moído usado na Baylor College of Medicine era provavelmente enviado pela Central Iowa Farmer, perto da fazenda de Jerry Rosman e outros que se queixam da esterilidade de animais.
Em Haryana, na Índia, uma equipe de veterinários relatou que constaram que búfalos consumindo sementes de algodão GM sofrem de infertilidade, bem como abortos frequentes, partos prematuros e prolapso uterino. Muitos búfalos adultos e jovens também morreram misteriosamente.
Negação, Acusação e Follow-up Cancelados.
Os cientistas que descobrem resultados adversos a partir de OGMs são regularmente atacados, ridicularizados, negado apoio financeiro e mesmo demitidos. Quando Ermakova relatou a alta mortalidade entre as crias quando alimentadas com soja GM, por exemplo, apelou para a comunidade científica para repetição e verificação de seus resultados preliminares. Ela também procurou fundos adicionais para analisar os órgãos preservados. Em lugar disso, foi atacada e vilipendiada. Suas amostras foram roubadas de seu laboratório, papéis queimados em sua mesa e disse ainda que seu chefe, sob a pressão de seu patrão, disse-lhe para parar de fazer qualquer pesquisa com organismos geneticamente modificados. Ninguém ainda repetiu os simples e econômicos estudos de Ermakova.
Na tentativa de oferecer solidariedade, um de seus colegas sugeriu que talvez a soja transgênica pudesse vir resolver o problema da superpopulação!
Os relatórios de Surov, até agora, não estão sob qualquer pressão.
Desativação de Maciço Experimento de Alimentação com OGMs.
Sem testes detalhados, ninguém consegue identificar exatamente o que está causando estas anormalidades reprodutivas em hamsters ratos russos, em camundongos italianos e austríacos bem como na pecuária na Índia e na América. Podemos apenas especular sobre a relação entre a introdução de alimentos geneticamente modificados em 1996 e o aumento correspondente em prole nascida com baixo peso, infertilidade e outros problemas entre a população dos EUA. Mas muitos cientistas, médicos e cidadãos interessados não pensam que a população deva continuar sendo cobaia de laboratório para a experiência maciça e incontrolada da indústria biotecnológica.
Alexey Surov diz: "Não temos o direito de utilizar os OGMs até que entendamos os possíveis efeitos adversos, não só para nós mesmos, mas também sobre as futuras gerações. Precisamos, definitivamente, de estudos realmente detalhados para esclarecer isso. Qualquer tipo de contaminação tem de ser testada antes que as consumemos, e os OGMs são exatamente uma delas. "

 

Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, abril de 2011.