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Persistentes bioacumulativos e tóxicos (PBT) uma ameaça perene, artigo de Marcus da Matta

Publicado em fevereiro 17, 2011
[InterTox] Dois artigos se relacionam e colocam novamente em evidência as substâncias químicas Persistentes Bioacumulativas e Tóxicas (PBT), cujo cerne é a ciência toxicológica. O artigo Brasil apoia medidas da ONU para banir substâncias químicas poluentes mostra a conquista nacional e global, já, que a partir de 26 de agosto, o Brasil vai reforçar o banimento de nove substâncias químicas classificadas como Poluentes Orgânicos Persistentes (POP), incluindo-as a lista das 12 já banidas pela Convenção de Estocolmo de 1972 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Outro artigo publicado hoje (28 agosto) na Folha de são Paulo, Trechos “limpos” do Tietê têm metais pesados; homem pode ser contaminado, diz respeito aos riscos à saúde humana para o consumo de peixes e contato direto com as águas em trechos tidos como limpos do histórico Rio Tietê.
Convido-os a fazer uma rápida retrospectiva dos fatos que preocupam demais os especialistas da toxicologia.
A primeira constatação dos efeitos dos poluentes Persistentes Bioacumulativos e Tóxicos (PBT), data o ano de 1962 com a publicação do livro Primavera Silênciosa, de Rachel Carson, que colocou em xeque o modelo linear, cartesiano e antropocêntrico do pensamento humano, mostrando que o comportamento das substâncias químicas no ambiente depende de múltiplos fatores e que uma substância utilizada para o controle de pragas, o DDT, exercia efeitos secundários na formação da casca de ovos de pássaros colocando em risco a espécie.
Um nova visão de mundo começou a se desenvolver, o biocentrismo, muito bem descrita no artigo publicado na RevInter  Ainda uma vez a ética e a ética ambiental , que diz: “A nova visão tem por base a noção de interdependência de todos os elementos, animados e inanimados, da natureza, compondo uma teia de interconexões que faz fluir entre si estímulos positivos e/ou negativos”.
Essas substâncias PBT se tornaram uma ameaça global, seu transporte no ambiente pode percorrer milhares de quilômetros através das correntes de rios, oceanos e do ar, ao ponto de ursos polares do Alaska a pinguins e gaivotas do pólo Sul, que supostamente não estariam expostos à poluição ambiental, concentrarem no tecido adiposo níveis elevados de Dioxinas e Furanos como apresentado no artigo Polychlorinated dibenzo-p-dioxins, dibenzofurans and polychlorinated biphenyls in polar bear, penguin and south polar skua.
A preocupação para o controle dos PBTs tem-se intensificado. A Convenção de Estocolmo, de 1972, foi o primeiro passo para os Governos incluírem medidas de controle relacionadas à produção, importação, exportação, disposição e uso das substâncias classificadas como POPs, e promoção de melhores tecnologias e práticas para a sua substituição. Na primeira relação constaram as seguintes substâncias: aldrin, bifenilas policloradas, clordano, DDT, dieldrin, dioxinas, endrin, furanos, heptacloro, hexaclorobenzeno, mirex, toxafeno. As informações toxicológicas sobre esses produtos podem ser acessadas no livro Poluentes Orgânicos Persistentes – POPs publicado pela InterTox.
O homem tem mostrado uma capacidade surpreendente de desenvolver novas substâncias químicas. A Sociedade Americana de Química tem registro de 62 milhões de substâncias inorgânicas e orgânicas, 44 milhões comercialmente disponíveis e apenas 281 mil regulamentadas de alguma forma. O maior desafio dos cientistas e governo tem sido o de obter informações críveis para a regulamentação destes compostos. A lista dos 12 POPs – e agora dos novos 9 POPs – é um exemplo da permissão de uso de substâncias químicas ou de processos que geram essas substâncias sem o devido estudo de causa e efeito no ciclo de vida da substância.
Na União Européia, diante das incertezas na área regulatória para restringir o uso e a comercialização de produtos tidos como (PBT) e os muito Persistentes e Muito Bioacumulativos (vPvB), entrou em vigor, em junho de 2007, e vem sendo gradativamente implementado, o REACH (do inglês Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemical substances), que altera o ônus da prova: agora, a indústria, e não mais o governo, passa a ser responsável pela segurança das substâncias químicas colocadas no mercado. Assim as substâncias sem informação não têm mercado na Europa.
Retomando o caso local do estado de São Paulo, em que metais foram depositados e acumulados nos sedimentos por longo período, e se tornaram fonte de risco para as populações, porque muitas vezes a percepção da qualidade da água limita-se apenas a parâmetros de cor e odor, sabemos que inúmeros outros compostos oriundos dos efluentes urbanos e indústrias, não avaliados pelo atual marco legal, ou provenientes de passivos gerados ou não antes da era regulatória, estão presentes nos sedimentos e águas do Tietê e se tornaram ameaça perene ao ecossistema e à saúde humana, como os disruptores endócrinos e nanopartículas.
Por Marcus da Matta, Diretor de sustentabilidade da InterTox

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http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/02/18/66575-peixe-evolui-e-se-adapta-a-rio-poluido-nos-estados-unidos-diz-estudo.html

 

Peixe evolui e se adapta a rio poluído nos Estados Unidos, diz estudo

Por clipping

 

Um artigo publicado pela “Science” nesta quinta-feira (17) mostrou que uma espécie de peixe conseguiu não só sobreviver, mas também se desenvolver nas águas poluídas do Rio Hudson, em Nova York. Por 30 anos, mais de meia tonelada de bifenilpoliclorados (PCB, na sigla em inglês) foram jogados ali, contaminando e devastando populações de peixes.
Cerca de 50 anos depois, pesquisadores da Universidade de Nova York (NYU) e do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI) detectaram uma mudança evolutiva que levou o Microgadus tomcod, um parente menor do bacalhau, a uma resistência ao PCB.
Anteriormente, já haviam sido percebidas adaptações de insetos a inseticidas e de bactérias a antibióticos. Contudo, “esta é a primeira demonstração de um mecanismo de resistência em qualquer população vertebrada”, afirmou Isaac Wirgin, um dos autores do estudo.
A descoberta é “um exemplo de como as atividades humanas podem provocar a evolução ao introduzir fatores de estresse no meio ambiente”, segundo a bióloga Diana Franks, que colaborou na pesquisa.
A alteração genética foi percebida por meio da análise do gene AHR2, um método comum de controlar a sensibilidade aos PCB’s. Dois dos 1.104 aminoácidos normalmente encontrados nas proteínas desse gene aparentemente sumiram nos espécimes que vivem na região.
A mudança provoca espanto por se tratar de algo muito rápido; a poluição do rio com esse composto químico começou a cerca de cem anos. “Qualquer mudança evolucionária nesse ritmo não pode ser uma coisa boa”, afirmou Wirgin, que disse ainda que o peixe deve precisar se readaptar caso o rio seja limpo.
Os cientistas fazem ainda o alerta de que a adaptação terá impacto na cadeia alimentar. “O peixe sobrevive, mas ainda acumula PCB’s no corpo e passa para frente, para quem quer que o coma”, apontou Mark Hahn, outro colaborador. Ele serve de alimento para peixes maiores e, consequentemente, os poluentes podem até ser consumidos por seres humanos.
(Fonte: G1)

 

http://www.ecodebate.com.br/2011/02/04/agencia-ambiental-dos-eua-planeja-novos-limites-de-substancias-toxicas-na-agua-potavel/

 

Agência ambiental dos EUA planeja novos limites de substâncias tóxicas na água potável

Publicado em fevereiro 4, 2011
O governo Obama disse na quarta-feira que imporia limites aos níveis permitidos de um novo conjunto de substâncias químicas tóxicas na água potável, incluindo os primeiros limites ao perclorato, um composto encontrado em combustível para foguetes e fogos de artifício que contamina as reservas de água em 26 Estados.
A medida, anunciada pela administradora da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), Lisa P. Jackson, é um grande passo visando atualizar as leis de água limpa do país, que estão atrasadas em relação à ciência ambiental e de saúde. Reportagem de John M. Broder, The New York Times News Service.
Vários estudos mostram que centenas de substâncias químicas industriais e agrícolas, incluindo vários carcinógenos conhecidos, estão presentes nos sistemas de água municipais. As leis e programas de fiscalização do país não acompanharam o ritmo da disseminação da contaminação, o que representa riscos de saúde significativos para milhões.
A decisão de quarta-feira de regulamentar o perclorato reverteu uma conclusão de 2008 do governo Bush, de que um padrão nacional para a substância era desnecessário e faria pouco para reduzir os riscos à saúde humana.
Jackson anunciou sua intenção de rever os padrões de água potável do país há um ano, ordenando uma extensa revisão dos efeitos para a saúde do perclorato e de outras substâncias tóxicas encontradas nas reservas municipais de água. Ela anunciou na quarta-feira que sua agência estabeleceria padrões para até 16 outras substâncias tóxicas e carcinógenas.
A agência disse que levaria de três a quatro anos para concluir as regulamentações.
“Apesar de termos implantado padrões para tratar de mais de 90 contaminantes da água potável”, disse Jackson em um depoimento perante o Comitê de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado, “há muito mais contaminantes de preocupação emergente, que a ciência apenas recentemente nos permitiu detectar em níveis muito baixos”.
“Nós precisamos continuar acompanhando o aumento do conhecimento e as implicações para a saúde pública de um crescente número de substâncias químicas que podem estar presentes em nossos produtos, nossa água e nossos corpos”, ela disse.
O perclorato pode ocorrer naturalmente, mas altas concentrações foram encontradas perto de instalações militares, onde era usado em testes de foguetes, e ao redor de lugares onde fogos de artifício, sinalizadores e propelentes sólidos são produzidos. Pesquisadores de saúde descobriram que a substância pode debilitar o funcionamento da tireóide e potencialmente atrapalhar o crescimento de fetos, bebês e crianças.
As empresas que trabalham para as forças armadas e usam a substância reclamaram de regulamentações mais duras, dizendo que substitutos são mais caros.
Mas ambientalistas e autoridades de alguns serviços de água municipais pedem há anos por regras mais duras para o perclorato e várias substâncias químicas carcinogênicas, incluindo solventes industriais e de lavagem a seco.
A agência ambiental encontrou quantidades mensuráveis de perclorato em 26 Estados e dois territórios americanos, que ela diz que poderiam contaminar a água potável de entre 5 milhões a 17 milhões de americanos. A Food and Drug Administration, a agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, encontrou a substância em mais da metade dos alimentos que testou, e pesquisadores de saúde encontraram traços dela em amostras de leite materno.
A agência ainda não estabeleceu um limite de fato para a quantidade de perclorato permissível na água potável, mas deu início ao processo para estabelecimento de um padrão.
A senadora Barbara Boxer, democrata da Califórnia e presidente do comitê ambiental, e alguns defensores ambientais saudaram o anúncio como sendo um forte passo em prol do bem-estar e da saúde pública.
Mas Rena Steinzor, uma professora de Direito da Universidade de Maryland e presidente do Centro para Reforma Progressista, criticou a EPA por demorar tanto para decidir pela regulamentação do perclorato e pelo que ela chamou de prazo “sem pressa” para emitir uma decisão final. A agência disse que publicaria uma regulamentação proposta em até dois anos e emitiria a regulamentação final 18 meses depois disso.
“A regulamentação do perclorato não deveria ser vista como algo a longo prazo, como uma meta para a qual encontraremos tempo, mas uma prioridade urgente de saúde pública”, ela escreveu em um blog na quarta-feira.
As indústrias que usam o perclorato disseram que a decisão da EPA não é justificada porque as exposições potenciais à substância química são baixas demais para ameaçar a saúde humana. O Birô de Informação do Perclorato, que representa a Lockheed Martin, Aerojet e outros usuários industriais, disse que 13 Estados, que cobrem a maioria dos locais de contaminação por perclorato, já aprovaram alguma política de controle, o que torna um padrão nacional supérfluo. O grupo disse que um processo de regulamentação seria caro e tomaria tempo, com pouco ou nenhum benefício para a saúde pública.
A EPA também disse na quarta-feira que desenvolveria uma regra única para governar um grupo de compostos orgânicos voláteis usados como solventes, incluindo o tricloroetileno e tetracloroetileno, e vários outros contaminantes não regulamentados. Ao agrupá-los, a agência ambiental poderá agir mais rapidamente e fornecer uma orientação mais simples para as autoridades responsáveis pela supervisão das reservas de água, disseram representantes da agência.
Tradução: George El Khouri Andolfato
The New York Times News Service, no UOL Notícias.

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