OS EFEITOS DA GORDURA DE CÔCO NOS NÍVEIS DE COLESTEROL NO SANGUE E OS HDLs


MARY ENIG Ph.D.

A Dra. Mary Enig MS (Ciência Nutricional), Ph.D. fez uma pesquisa original que mostra uma conexão positiva entre o óleo vegetal e câncer e uma correlação negativa em relação à gordura animal. Ela concretizou uma ampla análise dos componentes dos ácidos graxos trans em mais de 200 alimentos. Os ácidos graxos trans são formados quando óleos vegetais são hidrogenados ou aquecidos em altas temperaturas. Com as altas temperaturas, os ácidos graxos trans são gorduras alteradas por modificação que alteram sua estrutura química original cis. Ela estudou como as gorduras trans dos alimentos afetam a função combinada do fígado no sistema da enzima oxidase que metaboliza os fármacos e os poluentes ambientais no organismo. Uma importante descoberta de sua última pesquisa foi que animais de laboratório alimentados com dietas experimentais contendo gorduras trans tiveram alterada sua atividade do sistema enzimático. Estes resultados foram parcialmente responsáveis pela revisão do artigo “Aspectos sobre a saúde de Dietas com Ácidos Graxos Trans” defendido pelo Federation of American Societies for Experimental Biology, Life Sciences Research Office (nt.: Escritório da Federação das Associações Norte-americanas de Pesquisa Experimental em Biologia e Ciências da Vida), por solicitação da Food and Drug Administration (nt.: Administração de Alimentos e Fármacos). Mary Enig já teve 17 artigos publicados em periódicos científicos desde 1976. Em 1986, foi nomeada pelo Governador de Maryland como “State Advisory Council on Nutrition” (nt.: Assessora do Conselho Estadual de Nutrição). Foi editora colaboradora junto ao periódico “Clinical Nutrition” (nt.: Nutrição Clínica) e editora conselheira do “Journal of the American College of Nutrition” (nt.: Revista do Conselho Norte-americano de Nutrição). Conduziu mais de 50 seminários e palestras sobre tópicos relacionados à alimentação e nutrição, desde 1979.

Em um artigo publicado na Revista Indiana do Coco, em setembro de 1995, a Dra. Enig afirmava que “Ancel Keys (nt.: fisiologista norte-americano que popularizou a chamada dieta mediterrânea que trocava, basicamente, as gorduras animais pelas vegetais) foi fortemente responsável pelo início da postura contrária as gorduras saturadas nos Estados Unidos.” Ela repete Keys quando diz que “todas as gorduras elevam a quantidade de colesterol no sangue; enquanto as saturadas aumentam, as poliinsaturadas baixam os níveis de colesterol no sangue; gorduras hidrogenados são um problema; gorduras animal são um problema.” A Dra. Enig afirma: “Como se pode perceber, suas descobertas foram contraditórias.”

Afirma também que: “os problemas em relação à gordura de coco iniciou há quatro décadas quando pesquisadores alimentaram animais com gordura de coco que foi propositadamente alterada para torná-la completamente desprovida de qualquer ácido graxo essencial ... Os animais alimentados com gordura de coco hidrogenada (como única fonte de gorduras) naturalmente tornaram-se deficientes em ácidos graxos essenciais; e seus níveis de colesterol no sangue subiram. Dietas que causam uma deficiência de ácidos graxos essenciais sempre produzem uma elevação do colesterol no sangue tanto quanto um aumento nos índices de aterosclerose. O mesmo efeito pode também ser visto quando outros .... óleos altamente hidrogenados como algodão, soja e milho são utilizados como alimento; assim, isto é claramente uma função dos produtos hidrogenados, ou porque o óleo é deficiente em ácidos graxos essenciais ou em razão dos ácidos graxos trans.”

O que se relata sobre animais nutridos com gordura de coco in natura? A Dra. Enig escreve: “Hostmark et al (1980) compararam os efeitos das dietas contendo 10% de gordura de coco e 10% de óleo de girassol na distribuição das lipoproteínas em ratos machos Wistar (nt.: Mus norwergicus albinus). Aqueles alimentados com gordura de coco produziram níveis significativamente mais baixos (p=0,05) de lipoproteínas pré-betas (VLDL) e níveis significativamente mais altos (p=0,01) de lipoproteínas alfa (HDL) quando comparados com os nutridos com óleo de girassol.” (nota do editor: os HDLs são considerados o bom colesterol já que previnem os depósitos do colesterol LDL nas paredes das artérias). Ela também cita um estudo feito por Awad (1981) que alimentou ratos Wistar com uma dieta tanto com 14% de gordura de coco natural como 14% de óleo de girassol. Ela afirma: “Acumulação total de colesterol nos tecidos em animais na dieta com girassol são seis vezes maiores do que os nutridos com gordura de coco (não hidrogenada). A conclusão que se pode chegar de algumas das pesquisas com animais é que quando nutridos com gordura de coco hidrogenada desprovida de ácidos graxos essenciais .... potencializa a formação dos geradores de aterosclerose. Isto é uma observação de que animais regularmente alimentados com gordura de coco têm menos depósitos de colesterol em seus fígados e outras partes de seus organismos.” Ela também referiu estudos epidemiológicos levados por Kaunitz e Dayrit (1992) em sociedades que se alimentam com gordura de coco que detectaram que “estudos disponíveis sobre populações mostra que dieta com esta gordura não conduz à maior presença de colesterolno sangue nem à elevação de doenças coronárias do coração.” Deve-se ater de que a gordura de coco hidrogenada não é consumida por estas sociedades; utilizam somente gordura de coco natural.

Kaunitz e Dayrit observaram em 1989 que Mendis et al. Reportou que quando os homens do Sri Lanka mudaram sua dieta com gordura natural de coco para o óleo de milho, seus níveis de LDL (nt.: o chamado mau colesterol) declinou 23,8%, o que foi uma bela notícia. No entanto, os seus níveis de HDL (nt.: chamado de bom colesterol) declinou 41,4% o que também foi uma péssima notícia. Esta situação acabou criando uma relação LDL/HDL mais desfavorável, significando que com a dieta com óleo de milho poderiam ter menos colesterol depositado nas paredes das artérias do que na dieta com gordura de coco. Num inglês bem claro, uma dieta utilizando óleo de milho líquido conduzirá depósitos de colesterol mais rapidamente do que numa empregando gordura de coco natural.
Esta, pelo incremento do bom colesterol HDL, pode prevenir a aterosclerose e doenças do coração. A Dra. Enig cita diversos estudos em seu artigo que demonstram que a gordura de coco natural (não hidrogenada) tem marcadores de benefício à saúde, indicando que esta gordura traz mais benefícios na prevenção das doenças do coração do que a maioria dos óleos vegetais. Cita também a pesquisa feita por Tholstrup et al (1994) com azeite de dendê natural (NÃO hidrogenado) que é rico em ácido láurico e que também contém ácido mirístico. O pesquisador detectou que com o azeite de dendê “os níveis do colesterol HDL aumentaram significativamente dos valores básicos.”

A Dra. Enig ainda reportou em seu artigo que os efeitos da gordura de coco em pessoas com níveis baixos de colesterol é o oposto de pessoas com altos níveis. Sobre as pessoas com baixos números totais de colesterol, ela escreveu que “pode haver uma elevação do colesterol no sangue, do LDL e especialmente do HDL”. Em pessoas com atos níveis de colesterol, “há um abaixamento do colesterol total e do LDL.”


Os estudos que ela citou, demonstram que em ambos os grupos a relação LDL/HDL moveu-se em uma direção favorável.
Em pessoas com AIDS ou com doenças com o sistema imunológico comprometido por outras causas, as conclusões desta pesquisa foram profundas. Significa que tudo o que certas pessoas trouxeram para a televisão sobre óleos vegetais nos últimos 15 anos tinha meias verdades e levou o público a conclusões equivocadas. Acabou o público sendo levado a acreditar que estes óleos tropicais obstruiriam suas artérias e causariam doenças cardíacas. Em verdade, o oposto é verdade; óleos vegetais tropicais auxiliam a prevenção do enrijecimento das artérias enquanto a maioria dos óleos vegetais aumentarão o enrijecimento das mesmas! Em uma chamada telefônica à Mary Enig em abril de 1997,feita pelo autor deste artigo, conta ela que o pior óleo a ser utilizado para qualquer situação é o de Canola. Quando utilizado para cozinhar, produz os mais altos níveis de ácidos graxos trans.

MARY ENIG Ph.D. E O ÓLEO NATURAL DE COCO PARA AIDS E OUTRAS INFECÇÕES VIRAIS


Em 19 de julho de 1995, a Dra. Enig mencionou em um artigo publicado no The HINDU, jornal nacional da Índia que afirma que o óleo de coco é convertido pelo corpo em “monolaurin” um ácido graxo com propriedade antiviral que ser útil no tratamento da AIDS. Os repórteres do The HINDU, transcrevem a apresentação da Dra. Enig para a imprensa na cidade de Kochi da seguinte forma:
“Houve um momento nos EUA no qual um bebê com teste HIV positivo tornou-se negativo. É que ele foi alimentado com uma fórmula infantil com alto conteúdo de gordura de coco atingindo ganhos significativos neste contexto e até o presente foi colocado um grande esforço para descobrir como a “carga viral” de um bebê infectado com HIV pode decrescer quando dispôs de uma dieta que auxiliou a formação de monolaurina em seu organismo.”
A reportagem comenta as observações da Dra. Enig que a “monolaurina auxilia na desativação de outras viroses como sarampo, herpes, estomatites vesicular e Cytomegalovirus (CMV) e que a pesquisa responsabiliza-se até aqui de que a gordura de coco indicava que oferecia certa medida de proteção contra substâncias indutoras de cânceres.”

Em outro artigo publicado no Semanário Indiano do Coco em setembro de 1995, a Dra. Enig afirma:
“O reconhecimento de que a atividade antimicrobial do monoglicerídio do ácido láurico (Monolaurina) foi relatada desde 1966. O trabalho embrionário pode ser creditado a Jon Kabara. Esta antiga pesquisa foi direcionada aos efeitos viricidas em razão de possíveis problemas de conservação de alimentos. Alguns destes antigos trabalhos de Hierholzer e Kabara (1982) que mostravam os efeitos viricidas da monolaurina no invólucro do RNA no DNA dos vírus foi feito em conjunção com o Centro de Controle de Doenças (CDC) do Serviço Público Norte-americano de Saúde com protótipos selecionados ou cepas reconhecidas de vírus com invólucro. Sendo que este invólucro destes vírus é uma membrana lipídica.”

A Dra. Enig afirmou em seu artigo que a monolaurina, do qual o precursor é o ácido láurico, gera uma disfunção nas membranas lipídicas de vírus envelope e que também desativou bactérias, fermentos e fungos. Ela escreveu: “Dos ácidos graxos saturados, o ácido láurico tem maior atividade antiviral do que tanto o ácido capílico (C-10) como o ácido mirístico (C-14). A ação atribuída à monolaurina é que ela solubiliza os lipídios ... no envelope do vírus causando a desintegração deste seu envelope.” Na Índia o óleo de coco serve de alimento aos terneiros para tratar Cryptospoiridium como reportado pela Lark Lands, Ph.D em seu livro “Positively Well” (1).

Apesar do vírus HHV-6A não ter sido mencionado por Enig, ele é também envelopado e que pode ser desintegrado na presença do ácido láurico e/ou do monolaurin. Alguns dos patógenos relatados por ela de serem desativados por monolaurin incluindo HIV, sarampo, vírus da estomatite vesicular (VSV), vírus da herpes simples (HSV-1), visna, cytomegalovirus (CMV), vírus influenza, Pneumonovirus, vírus sincicial e rubéola. Algumas bactérias inativadas pela monolaurina incluem do gênero Listeria, Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Streptococci dos grupos A, B, F e G, organismos Gram-positivo e gram-negativo se tratados com quelato (monolaurina).


DRA.ENIG E A DOSE TERAPÊUTICA


Baseada nos seus cálculos sobre a quantidade de ácido láurico detectado no leite materno, a Dra. Enig sugere uma dieta que poderia contar com cerca de 24 gramas de ácido láurico diariamente como um media para os adultos. Esta quantidade pode ser conseguida com 5 colheres de sopa ou d e 300 gramas de leite de coco. Em torno de 200 gramas de coco in natura diariamente pode conter 24 gramas de ácido láurico. Estas 24 gramas de ácido láurico diário é considerada pela Dra. Enig como uma dose terapêutica para adultos, face suas pesquisas da quantidade deste ácido no leite materno.(1)

1. Positively Well, de Lark Lands Ph.D. Este novo livro desta escritora discute o ácido láurico e sugere muitas opções de tratamento para pessoas com AIDS ou CFIDS (nt.: Síndrome da Fadiga Crônica).


PESQUISA CIENTÍFICA DOS EFEITOS ANTIVIRAL DO ÁCIDO LÁURICO

Mary Enig cita 24 referências em seu artigo de sete páginas “Lauric Acid for HIV-infected Individuals”. alguns estão a seguir:

1. Issacs, C.E. et al. Inactivation of enveloped viruses in human bodily fluids by purified lipids. Annals of the New York Academy of Sciences 1994;724:457-464.

2. Kabara, J.J. Antimicrobial agents derived from fatty acids. Journal of the American Oil Chemists Society 1984;61:397-403.

3. Hierholzer, J.C. and Kabara J.J. In vitro effects on Monolaurin compounds on enveloped RNA and DNA viruses. Journal of Food Safety 1982;4:1-12.

4. Wang, L.L. and Johnson, E.A. Inhibition of Listeria monocytogenes by fatty acids and monoglycerides. Appli Environ Microbiol 1992; 58:624-629.

5. Issacs, C.E. et al. Membrane-disruptive effect of human milk: inactivation of enveloped viruses. Journal of Infectious Diseases 1986;154:966-971.

6. Anti-viral effects of monolaruin. JAQA 1987;2:4-6 7. Issacs C.E. et al. Antiviral and antibacterial lipids in human milk and infant formula feeds. Archives of Disease in Childhood 1990;65:861-864.

Note: Enig’s article in the Indian Coconut Journal has 41 reference cites. To obtain a complete set of both articles she wrote, see our order form on the last.



Mary G. Enig, PhD é a autora de “Know Your Fats: The Complete Primer for Understanding the Nutrition of Fats, Oils, and Cholesterol”, Bethesda Press, maio de 2000.

Reportagem coletada no site :
www.coconut-info.com/mary_enig_cholesterol.htm

Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha