BIOÉTICA MEIO AMBIENTE E SAÚDE
Mesa redonda - XXVI CBH
Ângela Augusta Lanner Vieira
Natal, outubro de 2002

 

"Seja a mudança que você deseja na sociedade".Gandhi

"Tendo, pois o Senhor Deus formado da terra todas as criaturas, os animais terrestres e todas as aves do céu, levou-os a Adão para este ver como os havia de chamar. E, o nome que Adão pôs a cada criatura é o seu verdadeiro nome. Ele os chamou pelo nome que lhes era próprio." Gênesis

 

O meio ambiente se formou ao longo de milhões de anos, o homem, em milhares de anos. A aquisição do conhecimento, pelo homem, a respeito do que o cerca ocorreu pela observação repetida de cada fenômeno e sinal. A natureza repetindo-se incessantemente oferece-se ao homem, e este observando-a e repassando a sua observação ao longo dos anos, produz o conhecimento sobre o seu próprio ecossistema que permite o domínio do meio ambiente e de suas inter-relações.
O homem usufrui da natureza e convida-a a lhe presentear através da domesticação das espécies, tanto vegetais como animais. Assim ele fez com que a natureza produzisse variações genéticas que lhe fossem mais gratificantes. Essas variações genéticas ocorreram dentro do espectro de tempo da natureza num período muito curto (poucos milhares de anos), desde que o homem as maneja e submeteram-se a possibilidades da própria natureza. Assim o homem produziu a mula (estéril), o amendoim, a laranja de umbigo, várias espécies de grãos que hoje enchem nossos seleiros. As espécies viáveis foram sendo incorporadas gradativamente pela natureza e esta foi adaptando o seu entorno à criação do homem. Criador e criatura imiscuídos num processo respeitoso de aceitação mútua dos resultados deste ato que reunia de um lado a observação e a tentativa e de outro o potencial gerativo da natureza em uma nova espécie, e da adaptação desta última ao ecossistema já existente. Muito o homem conseguiu da natureza com esta atitude de predispor o nascimento de uma nova vida, mas nunca de determiná-la arbitrariamente. Assim os Incas produziram e presentearam a humanidade com o milho e todas as suas variedades, com a batata, e assim foi feito por outras Culturas, com inúmeros cereais. A viabilidade das novas sementes criadas foram o aceno positivo da natureza ao homem.

 

INÍCIO DO PROCESSO DE DESEQUILÍBRIO

O homem com seu desejo de domínio passa a produzir latifúndios de monoculturas, desequilibra os ecossistemas que, por sua vez, geram o aparecimento de "pragas" que concorrem com o homem pelo alimento. Para combater as "pragas" surgem os venenos químicos que são advindos das guerras para combater outro tipo de "praga" - o ser humano.
Cresce exponencialmente, no homem, o desejo de domínio, que transfere costumes e partes de ecossistemas para dentro de outros costumes, culturas e ambientes, carregando assim os desequilíbrios e, como arma contra eles, os agentes químicos. Usa-os inescrupulosamente, criminosamente contra a natureza, dando de ombros ao sofrimento e tortura impostos aos outros seres. Desconsidera o movimento orgânico ao longo do tempo e desconsidera a continuidade do pai no filho (ação de venenos genéticos). Surgem os primeiros grandes acidentes ecológicos.
O poder, o domínio considerando-se acima de tudo e renegando totalmente a sua própria origem (a natureza comum que nos cria e une), impõe aos vizinhos seus agentes químicos: a desgraça ocorrendo em terra alheia não lhes importa e até é melhor assim, torna o outro mais fraco."
A isto a natureza responde-lhe: - temos todos a mesma origem e estamos sujeitos ao mesmo terror.
Surgem os lutadores pela vida, os que denunciam os crimes ambientais. Porém, para calar as suas bocas e subjugar-lhes na luta, os venenos agrotóxicos passam a ser geridos por "normas" e a ser chamados de defensivos agrícolas, praguicidas, inseticidas, fungicidades e bactericidas. Nenhum deles se chama biocida ou homicida.
Porém as "pragas" insistem em querer viver e as que sobram da dizimação pelos venenos rapidamente espalham a sua resistência oferecendo-a também, de forma dadivosa, a outros seres através de cruzamentos. Ocorre, então, aos poderosos a idéia de um outro "filão de ouro", o controle biológico através de doenças provocadas por microorganismos e vírus. Este porém é mais fácil de ser dominado por todos e o alvo, então, dos que detém o poder econômico, direciona-se para a guerra biológica.
O dominador segue seu plano e agora adquiriu o domínio da tecnologia genética e com ela produz monstruosidades a semelhança da sua própria essência. O direito de gerar novas vidas cabe só e exclusivamente a ele. Sua produção não fará parte de cadeia da vida e suas sementes virão marcadas pelo "terminator" gen que torna a planta ou animal estéril.
Dominado o solo, os mananciais minerais e de biodiversidade, agora está também dominada a generosidade da própria vida, exterminada a generosidade em sua própria essência, o ato de reproduzir milhares de vida de uma só. Ao poderoso agora só é necessário mais um passo, implantar impositivamente no mundo a necessidade de acolher as suas sementes.
Com este caminho chegamos ao extermínio completo das culturas, cada uma com sua própria tradição vivendo em harmonia com seu ecossistema e especializando-se em sua própria diversidade. A imposição de monoculturas transgênicas é o próprio exterminador do futuro, usurpa do homem suas peculiaridades culturais, torna-o ignorante de si mesmo e do meio em que habita, impede-o de replicar e domesticar as suas próprias sementes e escraviza-o a mecanismos que lhe usurpam a condição de ser o Ser que nominou a própria natureza com o nome que lhe era próprio segundo as suas espécies.
No "Admirável Mundo Novo" de Huxel o dominador era possuidor do banco de vida indígena, a ele cabia a hegemonia e, determinava a seu prazer o tipo de vida que lhe interessava ter para os fins a que lhe servia.
O caminho do monopólio que hoje culmina nos transgênicos é a linha direta que nos leva a infração de todo o "código de ética" da própria vida, qual seja: - todo ser tem direito à vida, seu direito diminui a medida em que seus dotes não o torna apto a sobreviver na inter-relação com o meio ambiente. A vida tende cada vez mais a qualificar-se frente às mudanças a que está exposta. A sobrevivência do mais forte e mais apto também é a sobrevivência do que está mais adaptado. Na natureza o animal não come a melhor de suas presas e sim a que está menos dotada, a que está adoecida, mais lenta, menos atenta ou seja, a que apresenta algum defeito que a torna vulnerável. Desta forma, a natureza produziu um escripte exigente para seguir adiante com um único propósito, gerar e resguardar cada vez mais a sua essência - o potencial vital.

 

PANORAMA DA SAÚDE AMBIENTAL E HUMANA APÓS A EXPLOSÃO DOS PRODUTOS QUÍMICOS SINTÉTICOS
DADOS EXTRAÍDOS DO LIVRO "O FUTURO ROUBADO"

Este livro foi escrito por diversos cientistas entre eles a cientista Theo Colborn, cientista  da World Wildlife Found, especialista em distúrbios endócrinos provocados por produtos químicos - Washington.
Theo Colborn passou 7 anos avaliando as pesquisas sobre alteradores hormonais e o resultado de seu trabalho está compilado na obra descrita acima.
1929 - Lançados os PCBs, após a I Guerra Mundial, quando o mundo começa a assistir tímida e esperançosamente a revolução química.
1938 - São anunciadas duas substâncias ao mundo, o DES - anunciada como uma droga maravilhosa, por Edward Doods (químico suíço) e o DDT - elogiado como um pesticida milagroso, por Paul Müller que recebeu o prêmio Nobel em 1948.
1947 - Declínio das águias na Costa Leste do Canadá e EUA, ninhos abandonados e contendo cascas quebradas. Os casais de águias tornaram-se indiferentes ao ritual de acasalamento. 80% das águias americanas estavam estéreis.
1950 - Desaparecimento das lontras. Em 1980 atribuiu-se ao dieldrin.
1960 - Diminuição acentuada do vision.
1967 - As fêmeas não procriam e os poucos filhotes que nasciam não sobreviviam. Os visons que escaparam desta estatística foram os alimentados com peixes importados da Costa Oeste. Os cientistas estabelecem um elo entre os PCBs poluentes dos Grandes Lagos e a diminuição  dos visons. (PCBs família de agentes químicos sintéticos clorados usados no isolamento de equipamentos elétricos (transformadores), tintas, borrachas, plásticos, etc.)
Os criadores de visons da região Centro-Oeste dos EUA tiveram seus rebanhos dizimados pelo uso de rações com resíduos de frango que recebiam dietilestilbestrol (DES) - hormônio feminino sintético para aumentar o crescimento.
1970 - Lago Ontário - Colônias de gaivotas exibem ovos por chocar, ninhos abandonados, filhotes mortos, 80% morreram antes de abandonar as cascas, observando-se os filhotes encontrou-se deformidades grotescas: penas de adultos ao invés de penugem, bicos entrecruzados, pés deformados, falta de olhos, saco vitelino ligado ao corpo. O mesmo ocorreu com pintos expostos à dioxina.
Os Grandes Lagos estavam contaminados com a dioxina.
Anos 70 - Ilhas do Canal, sul da Califórnia. Fêmeas dividindo os ninhos com outras fêmeas de gaivotas, cascas dos ovos finas. Isto passou também a ocorrer com as andorinhas-do-mar rosadas.
Anos 80 - A eclosão dos ovos de jacarés do lago Apokpa (Flórida) caiu de 90% para 18% e 1/2 dos filhotes morriam nos primeiros dias. Após o acidente da companhia Química Tower (vasamento de Dicofol), mais de 90% da população de jacarés desapareceu apesar de o exame da água mostrar-se limpo, 60% dos jacarés machos apresentavam micropenia.
1988 - Norte da Europa - aparecimento de filhotes abortados de focas Otárias. Todos os indícios sugeriam uma doença infecciosa. Morreram mais de 40% da população de focas do Mar do Norte.
1990 - Mar Mediterrâneo, mortandade dos golfinhos pelo mesmo virus que matava as focas. Encontradas dosagens altas de PCBs nas amostras animais.
1922 - Dinamarca - Deformidade de espermatozoides humanos: 2 cabeças, 2 caudas, inatividade ou hiperatividade frenética. A incidência de câncer de testículo triplicou entre 1940-80. A contagem de sêmen humano diminuiu 50% entre 1938 e 1990, aumentou a incidência de criptorquidia e encurtamento do trato urinário.
Animais silvestres com defeitos nos órgãos sexuais e anomalias comportamentais, diminuição da fertilidade, perda de filhotes.
Final dos anos 80 o quebra-cabeças começa a fazer sentido. Grande surto de câncer em peixes foram registrados somente depois da revolução química sintética e ocorreram em peixes do lodo e do sedimento. A suspeita caiu sobre os PAHs (hidrocarbonetos poliaromáticos) decorrentes da queima incompleta de materiais com carbono (encontrados em derivados do petróleo).
Ligação dos PAHs com o DNA no núcleo das células foram apontados como desencadeadores dos cânceres.
A cada ano indústrias químicas lançavam centenas de novos agentes químicos sintéticos no mercado, um rítmo muito mais acelerado do que o dos cientistas pesquisadores. Para cada gente químico havia um efeito diferente.
Estudos passam a mostrar feminização de embriões machos de pássaros (70%), e (60%) de malformações genitais em fêmeas. Exposição dos pássaros masculinos ao estrógeno durante o desenvolvimento mostra sinais de afecção cerebral, alterações do comportamento sexual e do sistema reprodutor. O abandono do ninho e os ovos inviáveis mostraram-se em índices aterradores em locais contaminados. Crianças cujas mães haviam comido peixes dos Grande Lagos, mesmo que somente 2 a 3 vezes por mês, tinham nascido mais cedo, de menos peso e apresentavam cabeças menores e quanto maiores os índices de PCBs no cordão umbilical piores os resultados em testes de avaliação de desenvolvimento neurológico, diminuição da memória de curto prazo. Entre os vilões estavam o DDT, Organoclorados, Dieldrim, Clordane, Lindane e os PCBs. Colborn chocou-se com o alto teor destes agentes na gordura do leite materno.
A observação de pássaros jovens que enfraqueciam e morriam por não produzirem energia levou a junção deste problema com o das "gaivotas gays". Não era possível encontrar a chave do quebra-cabeças. Problemas como declínio populacional, efeitos reprodutivos, tumores, enfraquecimento, imunossupressão e mudanças comportamentais encontrados em espécies que se alimentavam de peixes dos Grandes Lagos não fechavam com o baixo índice de contaminantes no mesmo. O quebra cabeças fez sentido quando feito o estudo da cadeia alimentar evidenciou-se que o índice de contaminantes crescia exponencialmente da água para os predadores do topo da cadeia. Assim, a concentração de agentes persistentes pode ser 25 milhões de vezes maior no predador do topo da cadeia do que na água do seu ambiente.
Os problemas de saúde parecia ser mais nos filhotes do que nos animais adultos. Descobriu-se então, que estes venenos são venenos hereditários.
"Os venenos hereditários, encontrados na gordura do corpo dos animais silvestres, tinham uma coisa em comum: de uma ou de outra forma, todos agiam sobre o sistema endocrinológico que regula os processos vitais internos do corpo e orienta fases críticas do desenvolvimentos pré-natal. Ou seja, os venenos hereditários estavam alterando os hormônios".

 

DOSES INFINITESIMAIS DE HORMÔNIOS COMO DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO

Frederick von Saal pesquisador com trabalhos na área da testosterona no desenvolvimento pré-natal, evidenciou que o nível aumentado de testosterona a que o feto está exposto na vida intra-uterina determina o seu teor maior de agressividade no comportamento. Estudos com ratos cujo útero tem o formato de duas trompas posicionadas uma em cada lado formando um semi-círculo, onde os bebês ficam acomodados como grãos de ervilha numa vagem, dispostos em número de seis em cada parte lateral deste útero, mostram que esta disposição faz com que algumas fêmeas se desenvolvam entre machos e que sofram a ação da testosterona destes, exibindo ao longo da vida um comportamento de gênero masculino. Este achado foi comprovado por técnica de marcadores fetais e com cesareana que permitiu a localização de cada feto em relação aos mensageiros químicos. O ambiente hormonal pré-natal deixa uma marca comportamental definitiva nos cobaias. A concentração típica para o estradiol agir interferindo com o comportamento, atividade sexual e desenvolvimento genital é da ordem de 1 parte para um trilhão (CH4)
"O grau de sensibilidade ao hormônio para a produção de mudanças é da ordem do inimaginável."- von Saal
A diferenciação de machos e fêmeas nos mamíferos ocorre por pistas hormonais num determinado momento do desenvolvimento intra-uterino (7 semanas). Sem os hormônios na época certa não há o desenvolvimento nem do pênis e nem de um cérebro que combine com ele. No feminino as glândulas unissexes ou ovários se desenvolvem mais tarde, no 3 ou 4 mês de vida os ductos de Wolff sem as instruções da testosterona desaparecem e o estrógeno passa a definir o desenvolvimento normal da fêmea.
O processo do macho é mais complicado. A ordem química para o desaparecimento dos ductos de Müller ocorre num estágio precoce e muito curto do desenvolvimento e para isto a mensagem hormonal precisa chegar no momento certo. Desaparecidos os ductos de Müller os testículos começam mandar mensagens (testosterona) aos ductos de Wolff porque eles são programados para desapareceram na 14 semana a não ser que recebam estímulo contrário.
Os hormônios na fase intra-uterina modelam completamente o padrão sexual para toda vida. Um indivíduo que nesta fase do desenvolvimento recebe mensagem hormonal errada, mesmo que com genitais masculinos poderá nunca acasalar.
Na década de 30 foram feitas experiências em ratos de laboratório com doses extras de estrógeno natural ou sintético durante a gestação e houve alterações dramáticas no desenvolvimento genito-sexual dos fetos. Defeitos estruturais no útero, vagina e ovários. Os machos nasceram com pênis atrofiados e outras deformidades. O estrógeno em excesso pode ser devastador.
Na década de 40, surge o dietilestilbestrol (DES) que foi amplamente utilizado para manter a gestação de mulheres com dificuldades. 5 milhões de mulheres grávidas foram as cobaias do DES. O DES também foi utilizado em gestações normais como fortificante gestacional. O Journal of Obstetrics and Ginecology veiculou anúncios que defendia o uso do DES para qualquer gestação e promoveu a droga como produtora de super bebês.
O DES também foi largamente usado para o aleitamento e para a menopausa, acne, ca de próstata, gonorréia em crianças e para travar o crescimento na adolescência. Foi amplamente difundido como pílula anticoncepcional da manhã seguinte. Os fazendeiros usaram toneladas como aditivos em rações ou como implantes em seus animais. No pós guerra a tecnologia milagrosa foi amplamente utilizada. Foi a época do controle químico sobre a natureza.
As pesquisas que mostravam os resultados terríveis eram descartadas como irrelevantes, as anomalias nos ratos eram vistas como curiosidade.
Na década de 60 o escândalo da Talidomida chocou o mundo pela focomelia e em 70 a teratogenia do DES explodiu, após 30 anos de uso indiscriminado apoiado e aplaudido pela ciência.
A Talidomida acabou com o mito da inviolabilidade do útero e da barreira-placentária e o DES com a imediata visão e detecção dos defeitos congênitos (que para muitos só surgiu no momento de quererem gestar). O aparecimento de câncer de vagina na adolescência ou muitos anos após, nas usuárias do DES, é um típico exemplo disto.
Além de toda uma gama de alterações terríveis estudos posteriores provaram que o DES nunca preveniu nenhum aborto. Ao contrário estudos duplo-cegos mostraram que os índices de abortamento, natimortos e problemas gestacionais foram maiores no grupo que usou o DES.
Lista de problemas indubitavelmente atribuídos ao DES:

  1. ca de vagina
  2. gestação ectópica
  3. infertilidade
  4. mal formações congênitas (uterinas em 70% das expostas)
  5. criptorquidida
  6. atrofia de testículos
  7. cistos de epidídimo
  8. espermas anômalos
  9. tumores genitais
  10. infertilidade ou diminuição da mesma
  11. meninos com sobra de aparelhos genitais femininos
  12. alergias crônicas
  13. artrite reumatoide
  14. tu de células germinativas em outros órgãos
  15. deficiência imunológica

O DES age sobre o sistema imune, o cérebro, a hipófise, mamas, útero, próstata, e etc. Expostos ao DES antes do nascimento tem redução nas células T (coordenadores do sistema imune), também têm alteradas as Killer cells (patrulhadoras de tumores e controladoras de metástases).
Os indivíduos expostos ao DES na vida intra-uterina apresentam sensibilidade maior a cancerígenos químicos, maior evidência de febre reumática, tireoidites de Hashimoto, hipertireoidismo exoftálmico, artrite reumatóide.
Em animais de laboratório os estudos mostram que a medida que os animais expostos ao DES na vida intra-uterina envelhecem têm maior incidência de problemas imunes.
A ação sobre o cérebro e comportamento é tão intensa quanto sobre o resto do corpo. Padrão masculino de comportametno em fêmeas de ratos, camundongos, hamsters e porquinhos da Índia foram demonstrados em estudos com exposição ao estrógeno antes e logo após o nascimento. Em camundongos do sexo masculino cujas mães foram expostas com doses baixas de DES, os cientistas observaram um aumento do índice de comportamento territorial, notadamente a marcação de território com urina, e, durante a vida adulta, aumento nos níveis de atividade. Em doses altas, os efeitos contrários são observados juntamente com um comprometimento do comportamento masculino.
Estudos com 60 mulheres, 30 expostas ao DES, e 30 não expostas, mostrou que no grupo do DES havia 24% de mulheres com orientação bissexual ou homossexual contra nenhuma do outro grupo.
Outro estudo comparando 12 irmãs expostas ao DES contra irmãs não expostas, mostrou que 42% das mulheres expostas apresentavam bissexualidade contra 8% das não expostas.
Índices elevados de depressão profunda entre homens e mulheres expostos também foram encontrados, 40% em mulheres e 71% em homens.
"O mundo está cheio de substâncias que alteram os hormônios, diferentemente do DES, elas não vêm em cápsulas.
O DDT, "pesticida milagroso", hoje chamado de defensivo agrícola tem um de seus mecanismos de ação semelhantes ao DES, feminiliza os galos.
Os receptores de estrógeno se unem tão facilmente com estranhos que os cientistas chamam-nos de promíscuos. Eles estão presentes em muitos locais do corpo, cérebro, mamas, útero, fígado.
Na década de 40, no Oeste da Austrália, os criadores de ovelhas estavam otimistas com o resultado de seus rebanhos sobre o pasto verdejante. Porém, no momento da procriação evidenciou-se um grande aumento no número de natimortos, as ovelhas prenhes não entravam em trabalho de parto, os cordeiros e as mães morriam, com o tempo as ovelhas foram parando de conceber. Após exaustivas pesquisas descobriu-se que o problema advinha de um trevo (doença do trevo). Identificado no trevo o agente formononetrin que como o DES e o DDT mimetizava os efeitos biológicos dos estrógenos. Atualmente 300 plantas foram identificadas com estes mimetizadores. A lista inclui muitos alimentos tais como, arroz, centeio, cevada (altos níveis), soja, maçãs, salsa, sálvia, alho, aveia, cerejas, ameixas, romãs, ervilhas, brotos da alfafa, café, etc.
Por que as plantas produzem estrógeno?
São os seus anticoncepcionais orais como defesa para não serem dizimadas por superpopulções de predadores. Os trevos produzem mais estrógenos em seus ramos terminais e quando são mordidos ou machucados descarregam mais hormônios nestas áreas.
Exposição a fitoestrógenos pode minar a capacidade de ratos expostos no início de suas vidas, produzindo mudanças comportamentais e alterações na fertilidade. As fêmeas ficam masculinizadas e os machos feminilizados.
O mesmo estrógeno que em fases precoces pode lesar também pode salvar em fases ulteriores.
As glândulas supra-renais são as mais atingidas por agentes químicos sintéticos. A Pirimidina (fungicida) inibe a produção dos hormônios esteroides impedindo o envio de mensagens vitais. Impede os fungos de crescer pela inibição dos compostos graxos esteróis. Os esteróides são formados a partir do colesterol, membro da mesma família.
O DDE (família do DDT) também tem a função de exaurir os hormônios através da aceleração de sua decomposição e eliminação produzindo deficiência de estrógeno, testosterona e outros esteróides. Como os fetos são os mais sensíveis, quantidades baixas podem ser tão devastadoras quanto as altas.
Os ursos no Norte do Círculo Ártico diminuíram de forma alarmante suas proles e o índice de contaminação de PCBs e DDT resultaram muito altos. 90 partes por milhão para os PCBs, (quantia infinitesimal para os padrões de medidas normais). Em focas a presença de 70 partes por milhão de PCBs causam problemas sérios de deformidades de orgãos reprodutores e problemas imunes.
Os PCBs, DDT, DDE, dioxinas são agentes químicos sintéticos persistentes que resistem a decomposição.
PCBs, lançados em 1929, produzidos pela adição de átomos de cloro a uma molécula com 2 anéis hexagonais de benzeno = bifenilos policlorados. Compostos estáveis e não inflamáveis. Em 1935 a Companhia Química Swann que mais tarde foi incorporada pela Monsanto, lançou os PCBs no mercado para serem utilizados como agentes seguros, não inflamáveis para a produção de transformadores, aparelhos elétricos, lubrificantes, fluídos hidráulicos, fluídos para resfriamentos e lubrificação de lâminas de corte, seladores químicos, tintas, resinas, venenos domésticos, etc.
36 anos desde seu lançamento foram necessários para que evidências e questionamentos sobre estes agentes químicos maravilhosos viessem a surtir efeito no público. Os PCBs, hoje, estão presentes em toda natureza até nos pelos de um urso recém nascido no extremo norte polar ártico. Em meio século o mundo produziu 1,1/2 milhão de Kg de PCBs.
A persistência é considerada virtude em seres humanos e, nos agentes químicos, a marca de um desordeiro. Os PCBs e dúzias de agentes químicos, agrotóxicos, organoclorados, DDT, clordane, lindane, aldrin, endrin, toxafeno, heptoclor, dioxina (comunicador universal) que são produzidos por processos químicos e pela queima de combustíveis fósseis e lixo, combinaram as propriedades demoníacas de estabilidade extrema, volatilidade e afinidade pelo tecido adiposo.

Partes por trilhão de estrógenos naturais ou de dioxinas não são inconseqüentes para a saúde. A Dioxina é milhares de vezes mais mortal para os porcos da Índia do que o Arsênico. Produz a morte na quantidade de 1 parte por 1 milhão por Kg de peso e é o mais poderoso agente cancerígeno jamais testado nesta espécie - 2-3-7-8 TCDD (dioxinas) é um subproduto acidental da vida do século XX, contaminante a partir de agentes clorados.
Após o acidente de Seveso, no norte de Milão com dioxina o índice nas pessoas passou a ser de 56 mil partes por trilhão. Logo após o incidente, 183 casos de cloroacne foram registrados (espécie de acne ligada à dioxina, pode durar por mais de trinta anos e recidivar após ter desaparecido, é extremamente severa.)
Os animais que recebem doses letais de dioxina não caem mortos na hora, definham misteriosamente com perda do apetite, semanas mais tarde.
Os PVCs para se tornarem mais resistentes e menos quebradiços são trabalhados com nonilfenois adicionados a poliestirenos e polivinil-cloreto conhecidos como PVC.
Trabalhos de laboratório feitos com tubos de ensaio produzidos com esta substância, onde foram colocadas culturas de células mamárias tumorais responsivas a estrógenos mostrou intensa atividade por parte destas células. Os cientistas após isolamento descobriram que o estímulo estrogênico era feito pelo próprio tubo de ensaio.
Policarbonato, plástico conhecido e utilizado tanto em laboratório como, também, em recipientes para armazenar água para beber contém um mimetizador estrogênico, o bisfenol-A que foi responsável por alterar pesquisas de laboratório.
Em 1982 e 1983 Times Beach foi acometida por um acidente com dioxina. A cidade foi evacuada, pássaros caiam mortos (duros) dos telhados e cavalos morriam. Crianças nascidas de mulheres expostas apresentaram disfunções cerebrais, anomalias nos lobos frontais e distúrbios imunológicos. O estudo também revelou que o índice de acometimento das meninas era mais alto que o dos meninos, mostrando que a dioxina semelhantemente a atividade hormonal pode ter maior impacto sobre o feminino.
Experiências feitas com ratos de laboratórios mostraram que somente uma dose (infinitesimal) aplicada no décimo dia de gestação (período crítico para a diferenciação sexual) alterou definitivamente o sistema reprodutor dos machos, a contagem de espermatozoides reduziu em até 56% em relação ao grupo controle. Esta experiência foi feita com doses tão baixas quanto as encontradas no leite materno. "Esta é uma ilustração dramática da extrema suscetibilidade do sistema reprodutor masculino em um estágio crítico do desenvolvimento."- Moore
A dioxina também exibiu respostas em ratos que nos fazem pensar: alterou o comportamento sexual dos machos na fase adulta, quando estes foram expostos na vida intra-uterina a baixas doses de dioxina em períodos críticos. Quando maduros estes machos apresentavam comportamento sexual menos ativo durante encontros de acasalamento. Apresentavam também uma propensão a exibir comportamento sexual feminilizado com arqueamento das costas em resposta de lordose (tipicamente feminina) e se deixavam cobrir por outros machos.
O Metoxiclor e o Vinclozolin são venenos que se ligam a receptores de estrógeno. Os cientistas estão descobrindo que a dioxina, em humanos, se liga a um recptor órfão e logo ao DNA no núcleo celular incitando mudanças na expressão dos genes a semelhança do que faz em animais
Autópsias feitas em baleias do rio São Francisco exibiram alterações que nunca foram encontradas em similares de outros pontos menos poluídos: tumores malignos, benignos, de mama e intumescências abdominais, ca de bexiga, (como muitos operários da fábrica de Alumínio do rio Saguenay - afluente do São Francisco onde muitas baleias passam parte do tempo), úlceras na boca, no esôfago, no estômago e nos intestinos. A maioria apresenta gengivite e não possuem todos os dentes. Pneumonias e infecções virais e bacterianas generalizadas, desordens endocrinológicas, aumento da glândula tireóide e presença de cistos nessa glândula. Mais de metade das fêmeas examinadas apresentavam infecções severas nas mamas. As mães que estavam amamentando tinham pus no leite. Algumas baleias tinham espinhas dorsais retorcidas ou outras desordens do esqueleto. Porém, um caso examinado; chocou a equipe, o de um macho de 26 anos que na necrópsia exibiu hermafroditismo verdadeiro (fenômeno raríssimo em animais silvestres, somente visto anteriormente em 2 coelhos e um porco. Este macho Booly nasceu de uma mãe exposta a altos índices de contaminantes do São Francisco. Booly além do hermafroditismo possuia todos os acidentes encontrados nas outras baleias (falta de dentes úlceras, enfisema e etc.) O rio São Francisco é altamente poluído com PCBs, DDT e Mercúrio. Uma jovem baleia examinada exibiu mais de 500 partes por milhão de PCBs - 10 vezes maior do que o nível para caracterizar lixo contaminado. O lixo com 50 partes por milhão necessita licença especial para ser carregado.
As tartarugas de orelhas vermelhas do lago Apopka sofreram um drástico decréscimo. Ao serem investigadas, os cientistas descobriram que a causa da devastação está na quase total inexistência de machos. Muitos animais examinados estão num estado intermediário, nem fêmeas e, nem machos. Devido a alterações hormonais durante o desenvolvimento sexual os animais que deveriam ter sido machos ficaram perdidos na fase intersexo do desenvolvimento. Cientistas acreditam que estas alterações se deram a partir do vazamento de Dicofol (derivado do DDT e DDE).
Após a proibição do uso de DDT e dieldrin no início dos anos 70, o afinamento das cascas de ovos das aves observadas diminuiu, nos EUA e no Canadá.
Os ovos de trutas ou alevinos quando expostos a 40 partes por trilhão de dioxina têm um alto grau de letalidade, quando expostos a 100 partes por trilhão todos os ovos morrem. O que não acontece com a truta adulta, mostrando que, novamente, os embriões ou recém-natos apresentam muito maior sensibilidade.

 

NOSSO DESTINO ESTÁ LIGADO AOS ANIMAIS - RACHEL CARSON (DÉCADA DE 70)

Processos hormonais que hoje dominam as espécies tem milhões de anos de evolução e são ainda hoje, extremamente semelhantes ao que eram há milhões de anos. Talvez este parentesco tão antigo entre os seres da natureza explica nossa ligação tão estreita com todas as outras formas de vida. Ao descobrirmos que as plantas se utilizam de hormônios semelhantes aos nossos evidenciamos um elo muito próximo. Processos fisiológicos básicos como os governados pelo sistema endócrino persistem intocados há centenas de milhares de anos de evolução. O estrógeno que circula na tartaruga é exatamente igual ao que circula nos seres humanos. Nosso mapa genético difere menos de 10% do mapa genético de uma mosca. Fatores ainda desconhecidos traçam as diferenças entre os seres que vão além do mapeamento genético. Todos os cachorros têm o mesmo mapa cromossômico apesar de suas intensas diferenças.
John Muir, filósofo ambientalista "Quando tentamos isolar qualquer coisa, descobrimos que ela está presa através de mil cordas invisíveis ... a tudo mais no universo".

Os pesquisadores dinamarqueses descobriram que a contagem média de espermatozóides no sêmen masculino humano caiu 45%, de uma média de 113 milhões por milímetro de sêmen em 1940 para apenas 66 milhões em 1990. Ao mesmo tempo, o volume de sêmen ejaculado caiu 25%, tornando o declínio efetivo dos espermatozóides equivalente a 50%. Neste período triplicou o número de homens com contagem de espermatozóides na faixa de 20 milhões por milímetro. Esse grupo cresceu de 6 para 18%, enquanto que o percentual de homens com contagem alta de espermas, acima de 100 milhões decresceu.
Contagem de espermas em homens nascidos em:
1945 e medidas em 1975 = 102 milhões por ml
1962 e medidas em 1992 = 51 milhões por ml
1975 e medidas em 2005 = 32 milhões por ml = 1/4 do normal.
Todos os cientistas concordam que esta baixa nos espermatozóides se deve a eventos pré-natais.

Na Dinamarca triplicou nos últimos anos o câncer de testículo.
Entre 1962 e 1981 dobrou o número de criptorquidia na Inglaterra, Suécia e Hungria.
Fredirick von Saal descobriu que machos expostos no período pré-natal a níveis elevados de estrógenos desenvolvem mais receptores de andrógenos na próstata e ficam permanentemente sensíveis à testosterona. Com um pequeno aumento de exposição ao estrógeno na fase adulta o número de receptores de andrógenos em suas próstatas aumenta em mais de 50%. Esta fartura de receptores torna esta próstata extremamente sensível à testosterona e, portanto à hiperplasia. Este problema masculino tem consumido 6 bilhões de dólares ao ano nos EUA.
Entre 1973 e 1991 o Instituto Nacional de Câncer nos EUA registrou um aumento de 126% na incidência de ca de próstata, 3,9% ao ano.
Um estudo feito em colônia de macacos rhesus resultou na primeira pista sólida a respeito da endometriose. Os animais desenvolveram endometriose uma década após terem sido expostos à dioxina. Quanto maior foi a exposição maior foi a severidade da doença.
Desde 1940 o ca de mama vem aumentando 1% ao ano e sabe-se que ele depende da exposição ao estrógeno e do número de receptores estrogênicos.
Entre mulheres americanas de 40 a 55 anos o ca de mama é a maior causa de morte. Uma em cada 8 mulheres americanas terá ca de mama.
"A descoberta de que agentes químicos estrógenos nos espreitam nos plásticos, enlatados e em subprodutos dos detergentes também sugere que uma exposição significativa pode resultar de outros agentes químicos além dos suspeitos. Ainda não foram pesquisados no tecido humano a presença de bisfenol-A ou o nonilfenol (sabidamente mimetizadores do estrógeno). Em 1979 um acidente em Taiwan envolvendo PCBs em óleo de cozinha contaminou inúmeras gestantes. Seus filhos foram analisados na época da puberdade e exibiram alterações equivalentes aos jacarés do Apopka, os meninos tinham micropenia, diminuição das habilidades motoras e mentais e problemas de comportamento com sinais de desenvolvimento retardado.

Transferindo-se aos seres humanos tudo o que foi encontrado nos animais que sofreram a influência destes agentes químicos sintéticos teríamos a importante baixa na fertilidade, as alterações comportamentais bi e homossexuais crescentes em nossos dias, o déficit de atenção, hiperatividade frenética, aumento na incidência de cânceres, doenças auto-imunes, deficiência imunológica, mal-formações dentárias (posicionamento dos dentes alterados), abandono da prole (filhos), negligência ou violência contra as crianças (algum instinto básico deve estar alterado).

"Algumas pessoas poderão achar irônica esta probabilidade dos humanos, na sua busca insaciável de dominar a natureza, terem inadvertidamente, solapado a sua capacidade de se reproduzir, pensar e aprender. Talvez estas mesmas pessoas vejam justiça poética na hipótese de termos nos tornado cobaias involuntárias nessa nossa ilimitada experiência com agentes químico sintéticos. Entretanto, é bastante difícil considerarmos o resultado de tal violência, um assalto químico a nossos filhos e ao seu potencial de uma vida plena, a não ser como algo profundamente triste. Os agentes químicos que alteram as mensagens hormonais têm o poder de nos saquear ricas probabilidades que são não só o legado de nossa espécie mas, de fato, sua essência. Existem destinos piores do que a própria extinção".

O que o salto em direção a novas tecnologias nos gerou?
Gerou saúde, luxo e conforto para uma minoria insignificante da população humana. Estas tecnologias com seus lados obscuros tornaram-se visíveis somente anos após, quando já não se podia evitá-las. Hoje cabe-nos a pergunta: - Qual o risco de se lançar no planeta organismo alterados geneticamente? Um dos biólogos moleculares mais importantes do mundo respondeu a esta pergunta dizendo: - Temos que ser corajosos.
Seguir adiante com novas tecnologias é um ato de coragem ou quem sabe um ato de irresponsabilidade e leviandade.

Alerta - 45% do PIB mundial é derivado da indústria que se alicerça sobres os combustíveis fósseis, seus derivados e químicos sintéticos.
Os CFCs foram lançados na natureza durante 50 anos até que a evidência do buraco na camada de ozônio foi descoberto sobre a Antártida. Cientistas foram ridicularizados em seus alertas. Sempre há por trás, uma estrutura econômica que se justifica e se coloca necessária para o sustento de populações. Tem algum ganho financeiro que justifique um gasto astronômico em pesquisas não só para provar que estas indústrias poluem como também para promover a despoluição? Tem algum imposto recolhido que chegue "aos pés" do que se necessita para reverter o problema? Quando este é ainda passível de reversão? Estas perguntas precisam ser por nós respondidas assim como, necessitamos estar presentes na formação de opinião de nossas populações.
Lançamo-nos imprudentemente à frente, sem admitir jamais o perigoso desconhecimento que está no cerne desta aventura. Talvez essa arrogância presunçosa seja uma parte inalienável da natureza humana. Os gregos antigos a chamavam de hubris. Por toda a história humana os seres humanos arriscaram-se rumo ao desconhecido cortejando ao mesmo tempo o sucesso e a catástrofe. O que difere agora é aquilo que estamos colocando em risco, é a magnitude da probabilidade dos erros. A escala das atividade humanas hoje envolvem a magnitude de todo o planeta.

 

DECLARAÇÃO DE WINGSPREAD

(Realizada por um grupo de 21 cientistas, pesquisadores e especialistas em efeitos de drogas sobre animais e seres humanos, em julho de 1991)
Temos certeza que um grande número de agentes químicos sintéticos que foram lançados no ambiente, assim como alguns agentes naturais, podem alterar o sistema endócrino dos animais, inclusive o dos seres humanos. Entre estes agentes se encontram os compostos organohalogênicos persistentes e biocumulativos que incluem alguns agrotóxicos (fungicidas, herbicidas, inseticidas) e agentes químicos industriais, além de outros agentes sintéticos e alguns metais. Entre os que reconhecidamente alteram o sistema endócrino estão o DDT e os produtos de sua degradação, DEHP (di(2-etilexil)ptalato); dicofol; BHC (hexaclorobenzeno); keltane, kepone, lindano e outros hexaclorociclohexanos; metoxiclor; octacloroestireno; piretróides sintéticos; herbicidas triazinas, fungicidas EBDC; certos PCBs; 2,3,7,8-TCDD e outras dioxinas; 2,3,7,8-TCDF e outros furanos; cádmio, chumbo, mercúrio, tributiltin e outros compostos de organo-estanho; alquillfenóis (detergentes não biodegradáveis e antioxidantes presentes em poliestireno modificado e PVCs); dímeros e trímeros de estireno; produtos de soja; produtos alimentícios para animais de laboratório e de estimação.

DEBCP - NEMAGON - fonte El Legado
1-2-dibromo-3cloropropano, produto criado em 1940. Em 1958 descobre-se os efeitos tóxicos e em 1977 descobre-se alto grau de esterilidade associado ao produto e o mesmo passa a ser proibido nos EUA. Em 1992/93 o produto é vendido pela mesma companhia em larga escala para a África.
Pesticida altamente persistente e móvel se decompõe lentamente no solo, perdura por 2 anos, muito estável na água mesmo em quantidades muito pequenas.
Causa esterilidade por aplasia de células germinais, câncer de estômago, câncer de rim, câncer de duodeno e câncer de testículos.
O Instituto Nacional contra o Câncer (entidade americana) cita o DBCP como uma das causas de câncer mais poderosas. Induz câncer sob as doses menores, produz teratogenia e aumento do número de abortamentos. Estudos efetuados em trabalhadores bananeiros contaminados mostrou azospermia total em 26 dos 28 casos estudados e oligoespermia em 2.
Quando a Shell (empresa responsável por sua produção e venda) contratou investigação para os efeitos do Nemagon não notificou que deveriam ser  feitas pesquisas que avaliassem a função testicular. Medição no ar das fábricas demonstraram que as concentrações estavam (normalmente mantidas), mas ocasionalmente se elevavam a 50 unidades por milhão (admitido 1 unidade por milhão) quando os fabricantes Shell e Dow Química informaram que o Nemagon e o Fumazone podiam ser utilizados sem risco excessivo, o governo suavizou sua posição e registou o produto. Desde então os trabalhadores não se inteiraram mais da esterilidade e atrofia testicular e demais danos.
Em julho de 1977 de 114 empregados que fabricavam DBCP, 35 estavam estéreis. Um mês após a agência de proteção ambiental proibiu o DBCP
Circular interna confidencial para os gerentes da Dow Chemical em 1958, advertia que o praguicida causava atrofia testicular, esterilidade, danos severos aos pulmões e rins em animais e humanos, câncer de fígado, rins, estômago, alergias severas, problemas ósseos, déficit visual, alterações menstruais e hormonais, teratogenias sérias, dano moral e psicológico.
Alerta - Os trabalhadores bananeiros da Costa Rica expostos ao DBCP têm sofrido, 5 tipos de situações que lhes têm impedido, até o momento, obter justiça

  1. os efeitos tóxicos físicos e psicológicos (sem volta);
  2. terem sido o primeiro grupo de trabalhadores costariquence vítima da globalização pois em meados de 80 aplicou-se a eles uma reestruturação produtiva do trabalho como conseqüência imediata, entre outras, tiveram a perda de seus sindicatos. A partir de então tiveram que enfrentar individualmente este processo de luta;
  3. os trabalhadores caíram nas mãos de advogados nacionais e norteamericanos que fizeram acordos com as transnacionais fabricantes de químicos. Milhares deles receberam 100 dólares de indenização pela causa;
  4. não há participação da sociedade civil na comissão nacional de agrotóxicos, somente representantes do governo e das empresas produtoras;

 

PRINCIPAIS ALTERAÇÕES PRODUZIDAS PELOS AGENTES QUÍMICOS SINTÉTICOS

  1. Hexano - desmielinização, degeneração e desintegração dos axônios.

São compostos lipossolúveis que atravessam rapidamente a barreira das membranas, movem-se por difusão passiva. Quando o composto é lipossolúvel tem uma capacidade maior de fazer ligações.
Via inalatória. Produz neuropatia periférica de instalação sub-aguda ou crônica, diminuição da força muscular, paresias dos músculos dos membros tanto proximais como distais e perda dos reflexos tendinosos profundos. Alterações sensoriais simétricas (mãos e pés) progredindo para paresia muscular distal e perda dos reflexos tendinosos profundos, dormência nos dedos das mãos e pés, perda moderada da sensibilidade táctil dolorosa, vibratória e térmica.
A fraqueza muscular é geralmente observada nos músculos intrínsecos das mãos e extensores longos ou flexores dos dedos podendo envolver braços, antebraços e coxas. Há dismielinização, degeneração e desintegração dos axônios. Cãibras nas extremidades dos músculos inferiores. Instalação dos sintomas lenta e insidiosa. Em casos severos há quadriplegia em 2 meses após iniciado os sintomas. Também, há perturbação visual e perda de memória conseqüente a degeneração do núcleo visual e algumas estruturas do hipotálamo.

  1. Anelina - fenacetina acetanilida. Composto muito volátil e lipossolúvel o que faz com que seja facilmente absorvido pela pele e tubo gastrointestinal. Utilizado na fabricação de plásticos, pigmento, tintas.

Lesa o tecido cutâneo e mucosas e produz depressão. Transforma a hemoglobina em metahemoglobina. Produtos de degradação: fenilidroxilamina e nitrosobenzeno.
A intoxicação aguda produz cefaléia, vertigens, convulsões, sobretudo em crianças, transtornos na marcha e na palavra, arreflexia, sonolência e coma. Cianose, vômitos, palpitações e dispnéia, midríase e convulsões finais.

  1. Gasolina - mistura de hidrocarbonetos parafínicos, olefínicos, naftênicos e aromáticos. Os vapores são constituídos de n-butano+ isobutano+n-pentano+isso-pentano+2-metilpentano+3metil-pentano+hexona+isso-butileno+benzeno+tolueno+xilenos.

Lesões de pele pela ação desengordurante dos hidrocarbonetos.
Absorção pulmonar causa depressão central, distúrbios respiratórios com traqueobronquites exsudativas, edema pulmonar e pneumonia. Incoordenação + hiperexcitabilidade, distúrbios visuais, confusão mental, cefaléia e náuseas.
Cronicamente temos os efeitos da presença do benzeno e mais do aditivo chumbo tetralina.
Querosene, Acetona, Cloroformio, Tricloroetileno (utilizado na lavagem a seco, operações industriais de desengraxamento)
Possuem ação anestésica, inconsciência e coma, fibrilação ventricular. Transtornos nervosos, perturbações digestivas, estado nauseoso, anemia, perturbações visuais, confusão mental, tonturas, fadiga, edema pulmonar, paralizia do trigêmio, paralizia do nervo olfativo (anosmia) (auditiva), surdez, diplopia (nervo óptico), borramento de visão, neurite óptica com cegueira, glossofaríngeo (perda do gosto), pode perder o tato e também apresentar alterações eletroencefalográficas e psíquicas e produz toxicomania, fibrilação ventricular, taqui ou bradicardia, anorexia, transpiração excessiva, impotência, sono agitado, perda de memória neurastenia e demência.
Tricloroetano - solvente de óleos, cêras, resinas e adesivos e em formulação de inseticidas, desengraxantes e propelentes de aerosóis.
Intoxicação crônica - distúrbios gastrointestinais, hipotensão, bradicardia, arritmia, sintomas "like" embriaguez, distúrbios do equilíbrio eincoordenação motora, dermatites, conjuntivites, irritabilidade, ansiedade, insônia e gastrites, danos renais e hepáticos.
Diclorometano - cloreto de metileno. Líquido incolor, volátil. Muito usado como desengraxante nas fábricas de fibras sintéticas e nos compostos de fumigantes agrícolas.
Causa distúrbios de comportamento e depressão do SNC
Tetracloroetileno - Cefaléias, tonturas, incoordenação e depressão do SNC e deterioração nas áreas vitais da percepção e comportamento com alterações na velocidade de condução do impulso nervoso.
Estireno - Utilizado na produção industrial de polímeros plásticos e na produção da borracha sintética. É um contaminante de embalagens plásticas, recipientes de poliestirenos. O oliestireno deriva do aquecimento do estireno.
Produz anorexia, astenia, depressão do SNC, leucopenia, afeitos embriotóxicos.
Benzeno - Trabalho com indústria do couro, manejo de colas e indústria de síntese de fenol e manejo do carvão mineral.
É rapidamente absorvido e fixado no SNC e tecidos lipóides, fígado, baço, sangue e medula. Concentrações elevadas de seus sub-produtos são encontradas na medula.
Intoxicação crônica - euforia com desconhecimento do perigo, fadiga desproporcional ao esforço físico com palidez dos pigmentos e dispnéia, transtornos digestivos, epistaxes freqüentes, transtornos mesntruais, anemia com diminuição dos glóbulos vermelhos, leucopenia com predomínio de neutrofilia, eosinofilia, plaquetopenia com transtornos da coagulação, hemorragias, petéquias, equimoses, hemorragias viscerais e de mucosas, anisocitose, poiquilocitose, leucopenia severa (- de 1000) e plaquetas (-de 10 mil)
Tolueno - solvente tiner, usado nas tintas adesivos e na indústria gráfica. Amplamente utilizado pelos cheiradores de cola.
Absorção pulmonar. Na intoxicação acumula-se mais no corpo caloso. Euforia, confusão mental, incoordenação muscular, cefaléia, vertigem, midríase, náuseas e vômitos. Irritabilidade acentuada, cefaléia, náuseas e astenia.

  1. Sulfeto de Carbono - indústria de fibras de rayon obtidas pelo processo da viscose (massa gelatinosa obtida a partir da celulose para produção de fios texteis, pneus, fibras.

Produz alterações no matabolizmo das catecolaminas aumentando a dopamina e diminuindo a norepinefrina, aumenta os níveis séricos de lipídios, colesterol livre e total e beta-lipoproteínas e interação com o sistema enzimático microssomial (citocromo P-450) Excitação psíco-maníaca, parestesias, emagrecimento, dermatites, polineurites, dores musculares, abolição dos reflexos, anemia monocítica, anginopatia, degeneração hepática, frigidez e impotência.

  1. Tetracloreto de Carbono - líquido volátil, solvente não inflamável em tintas, ceras, lacas, agente de limpeza, produtos industriais de borracha e fumigantes no armazenamento de cereais. Carcinogênico em animais. Produz necrose centro-lobular no fígado e acúmulo de triglicerídios.
  2. Dibromocloropropano - DBCP líquido marron, fumigante, usado no controle de nematódios. Produz câncer em ratos, camundongos e humanos. Produz oligoespermia, azospermia, infertilidade. Atrofia de testículos. (Ver mais detalhes acima em El Legado)

GRUPO DOS METAIS

  1. Arsenicais - atua no sistema de descarboxilação oxidativa dos ácidos cetônicos especialmente, do ácido pirúvico.

Produz efeitos teratogênicos, carcinogênicos e mutagênicos.

  1. Mercuriais - Muito importante porque tem grande ação no ambiente e sofre biotransformação através de bactérias e é liberado do sedimento para a água acumulando-se nos peixes que vão nutrir a cadeia alimentar.

Têm afinidade pelos grupos sulfidrilas de sistemas enzimáticos essenciais. Alteram a atividade da monoamino-oxidase resultando em acúmulo de serotonina endógena produzindo distúrbios neuro-psíquicos.
Causa cronicamente alterações da personalidade e do caráter, ansiedade, perda da capacidade de concentração, depressão, irritabilidade, anorexia, insônia, tremores primeiro nos músculos faciais e após se estendem aos membros superiores e inferiores e transtornos renais.

  1. Chumbo - Liberado no 1/2 ambiente como contaminante através da indústria extrativa petrolífera, de tintas, corantes, cerâmicas, gráfica, bélica e de acumuladores. O chumbo está acumulado em locais de tráfego mais intenso.

Interfere nas várias fases da biossíntese do heme. Inibe a enzima ácido delta-aminolevulíco desidratase (ALA-D) e da hemissintetase.
Age nos eritroblastos aumentando a protoporfirina e no lugar de produzir heme produz protoporfirina zinco.
Produz encefalopatia com instabilidade, cefaléia, tremor muscular, alucinações,perda da memória e da capacidade de concentração, delírio, mania, convulsões, paralisias e coma. Profundas alterações do humor com problemas psiquiátricos com alucinações e delírios. No Sistema nervoso periférico produz debilidade muscular, hiperestesia, analgesia e anestesia da área afetada, ataxia. Dano reversível no túbulo proximal e redução crônica da função glomerular com danos vasculares e fibrose.
Produz tumores em especial nos rins e nos pulmões. Apresenta como sinal de evidência da intoxicação a linha de Burton junto à gengiva.

  1. Cádmio - Ocorre nos seres vivos e atmosferas de locais industrializados. Utilizado na fabricação de pigmentos, baterias de níquel e cádmio, células fotovoltaicas, lâmpadas e vapores de cádmio, etc. O hábito de fumar aumenta consideravelmente a retensão e assimilação pulmonar do cádmio. Um cigarro contem em média 1,4 ug de cádmio. A 1/2 vida do cádmio oscila entre 19 e 40 anos no organismo.

Produz descalcificação óssea com pseudofraturas da tíbia, fêmur, pelve e escápulas, aumenta a litíase renal e cálcio urinário. Proteinúria de até 1000 mg/l e aumento da eliminação de glicose e aminoácidos por diminuição na reabsorção tubular renal.

  1. Cromo - usado em ligas metálicas acidorresistentes, tintas anticorrosivas, cromagens, impregnação de madeiras por sais diversos. Está presente no levedo de cerveja, fígado, germe de trigo, gorduras animais, manteigas, cimento, etc.

Produz dermatite de contato, eczema alérgico e ulcerações características na pele exposta. Queratites de epitélio superficial da córnea e conjuntivites. Perfuração de septo nasal precedida de alterações do olfato e sangramento nasal.
Rinite, laringite, pneumoconiose, asma bronquica, anemia severa, necrose hepática e renal. Carcinogênico para o homem. Incidência aumentada de câncer de pulmão em trabalhadores expostos está comprovada epidemiologicamente.
6-Manganês e seus compostos - Essencial para o homem e outros organismos vivos. Amplamente distribuído na natureza como óxidos, carbonatos e silicatos. Mais de 90% do Manganês produzido no mundo destina-se à fabricação do aço. Na indústria química é utilizado na fabricação de permanganato de potássio e hidroquinona, fertilizantes, rações para animais, mistura despolarizante de pilhas secas, pigmentos para tinta, resistência elétrica e eletrodos para solda, fogos de artifício, curtição do couro, agentes branqueadores, fabricação dos organocompostos de manganês em ligas com níquel e cobre e na indústria de fertilizantes e fungicidas. O composto (metilciclopentadienila tricarbonila de manganês – MMT), usado como aditivo na gasolina para substituir o chumbo tetraetila.

A grande semelhança da intoxicação pelo manganês com o Parkinson pressupõe mecanismos de ação semelhantes, as alterações de catecolaminas no cérebro, especialmente a Dopamina e a boa resposta à sua intoxicação com o uso de L-DOPA demonstra que as alterações histológicas no SNC podem ser comuns aos 2 casos.
O manganês tem preferência pelos órgãos ricos em mitocôndrias. Atravessa a barreira placentária e hematoencefálica com preferência pelos núcleos da base e substância nigra.
A outra alteração importante é a redução de melanina da substância nigra, substância que junto com o globo pálido e os sistema estriado participam do sistema extrapiramidal.
Os sintomas que podemos ter são: choro e riso desconectado do estado emocional e com tendência a persistir mesmo após cessado o motivo. Apatia, sonolência, pesadelos, compulsividade, tendência à melancolia com crises de choro, inquietação, euforia, excitação psicomotora, aumento da libido, bulimia, alucinações. Confunde-se com o Parkinson e muito, também, com a neuropatia periférica de origem etílica, impressão confirmada pelos distúrbios de equilíbrio. O primeiro pensamento que nos vem à mente quando vemos um intoxicado pelo Manganês é de que o mesmo está alcoolizado.
Marcha característica, caminhar com o tronco inclinado para trás e região da articulação coxofemoral projetada para frente (caminhar de manequim em desfile). Os passos são curtos e a musculatura mais ou menos espástica, sendo que os pés quase não se elevam do solo, dando a impressão que ele está chutando alguma coisa. Nos casos mais adiantados os pés se arrastam pelo solo e, nos casos mais graves, o pé descreve um semi-arco ao ser deslocado para frente. A espasticidade conseqüente à liberação do sistema extrepiramidal costuma se manifestar inicialmente por uma contração da musculatura da região gemelar. Como conseqüência a parte posterior do pé se eleva. O paciente apóia-se com a parte ântero-lateral do pé (passo da bailarina ou passo de galo). Há aumento do polígno de sustentação e uso de bengalas. Ao descer uma escada há tendência a cair pelo problema da propulsão (projeção anterior). Retropulsão ou tendência a cair para trás, facilmente notada por um pequeno empurrão no peito do paciente. Dificuldade de executar uma volta sobre si mesmo caminhando, o que lhe trará muita dificuldade a atender uma chamado que venha de trás. Tendência dos braços a dirigirem-se para trás e o corpo acompanha esta tendência. Pode ocorrer paralisia espástica com acentuada deformidade e impotência funcional das mãos. O teste de pronossupinação, o de roda denteada, do dedo nariz, e a presença de disdiadococinesia indicam alterações significativas do comprometimento neurológico com disfunção da coordenação motora. Os reflexos podem estar aumentados como por ex., o de Romberg.
A face seja pela rigidez da musculatura, seja pelas alterações do humor, é muito inexpressiva (face gelada).
O tremor do paciente mangânico, ao contrário do parkinsonismo agrava-se com o movimento e pode ser muito intenso podendo até transmitir-se ao leito do paciente. Apresenta também distúrbios na fala, a intensidade da voz começa elevada e vai diminuindo para quando chegar ao final da frase está praticamente num murmúrio, além disso o intervalo entre as palavras tende a diminuir e a fala torna-se muito monótona e pouco inteligível. Isto igualmente ocorre com a letra que é tremida, as palavras iniciam-se com letras grandes que vão diminuindo e terminam como um traço. O espaço entre as palavras tembém está muito reduzido e, muitas vezes, as palavras aparecem ligadas umas as outras. Afeta também o aparelho respiratório causando pneumonia química que não deixa fibrose. Há também incidência aumentada de pterígio, câncer pulmonar, aberrações cromossômicas, aumento da atividade mitótica, efeitos mutagênicos, depressão da atividade tireoidiana, aumento de cálcio e redução do magnésio sérico, alterações imunológicas e distúrbio no metabolismo do nitrogênio. Sobre o aparelho reprodutor há impotência, disfunção sexual e esterilidade.

  1. Zinco - Não houve a pesquisa diretamente do zinco mas sim de produtos que o contenham e que estam descritos no grupo dos fungicidas.

O zinco é essencial para a formação do SNC e periférico. Seus efeitos tóxicos afetam diretamente as funções nervosas. Toda substância que impede a ação do zinco ou que o mimetiza, sem contudo cumprir com sua função produz alterações neurológicas graves. Mal formações do tubo neural são vistas em fetos de mães com problemas na absorção do zinco.

 

INSETICIDAS
1- Organofosforados - TEPP, Blandon, Rhodiatox, Benzefás E 605, DNTP, Sumiton, Fenitrotion, Danation, Folition, Fention, Diazinon, Dimetoato, Formation, Malation, Ekation, Disyston, Gusation, DDVP (Nuvan), Dipterex (Tugon, Neguvon, Dilox, Triclorfan).
São absorvidos por todas as vias. A eliminação do organismo ocorre por três vias. Uma delas é o da dessulfuração. É a primeira via de transformação da ligação P=S em P=O com a transformação da chamada forma oxon do inseticida que resulta em maior toxicidade. Por ex. o Paration etílico tem a DL50 aguda (dose mínima letal oral para ratos) em 4 a 8 mg/Kg e a sua forma oxon tem uma DL50 de 0,8 mg/Kg. São forma hidrossolúveis menos acumuláveis e mais excretáveis.
Os organofosforados inibem o centro esterásico da acetilcolinesterase incapacitando a mesma de exercer sua função, desdobrar acetilcolina em colina e ácido acético. Matam por insuficiência respiratória por ação local e central. Produz três efeitos, agudo, intermediário e tárdio.
Efeito tárdio - polineuropatia motora chegando a quadriplegia onde geralmente são poupados os nervos cranianos e respiratórios. Quadro com evolução de anos. Miose e fasciculações são sintomas de diagnóstico.
Uma gota de paration etílico no olho pode ser fatal.
Fosforados são derivados do ácido fosfórico ou ácido pirofosfórico. O Paraoxo E600 tem uma toxicidade muito elevada por ser muito anticolinesterásico. São absorvidos por todas a vias. Os sintomas são todos aqueles provenientes da falta de acetilcolina, substância essencial para a transmissão nervosa.
2- Fluor e cianofosforados - Sarin (isopropilmetilfluorfosfato), Soman (pinacolilmetilfluorfosfato), Tabum (O-etil N,N-dimetilcianofosfato.
São compostos gasoso, extremamente tóxicos, com elevada neurotoxicidade caracterizado pela existência de radicais fortemente eletronegativos ligados ao átomo de fósforo que favorecem a rápida ligação com o centro esterásico da acetilcolinesterase, formando uma enzima fosforilada refratária à reativação. A Atropina não funciona como tratamento pois estes compostos fazem uma forte ligação com os receptores nicotínicos.
Os inseticidas caseiros sprays  são geralmente do grupo dos clorofosforados.
3- Organoclorados - Hexaclorocicloexano, Endrin, Aldrin, Endosulfan, Dieldrin, Toxaphene, Lindane, Hexaclorocycloexane, Chlorophenothane (DDT), Heptaclor, Chlordecone, Mirex, Dienochlor (DDD).
Fixam-se no tecido adiposo e sua principal rota de eliminação é pela bile. São excretados no leite materno (todos os de fixação gordurosa). A toxicidade básica é nervosa. Influi no fluxo de cations através da célula nervosa aumentando a irritabilidade neural causando mioclonias, "jerking", convulsões, arritmias cardíacas. Hipersensibilidade a estímulos, hiperpirexia, irritabilidade, vertigem, distúrbios no equilíbrio, tremores e convulsões.  Age na fibra nervosa sensitiva e motora do cortex motor. Altera o transporte dos ions NA e K através das membranas do axônio do nervo causando tremores, ataxia, convulsões e prostração intensa. Causa degeneração tubular renal. Produz quadros crônicos com hepatomegalia, tremores, salivação, reflexos pupilares lentos, respiração deprimida. Altera os hormônios esteroides e drogas terapêuticas.
4- Hexaclorobenzeno - causa porfiria cutânia tardia, desordens hematológicas (anemia aplástica). Cegueira em ovelhas, cataratas em ratos e camundongos.
DDD e DDT, concentram-se mais nas glândulas adrenais e inibem a síntese de corticosteroides.
5- Carbamatos - Carbaril, Sevin, Menktol, Carvin, Shellvin, Inivin. São compostos derivados do ácido carbâmico, mais particularmente do N-metilcarbâmico. Acumulam-se no tecido embrionário e produzem mal formação fetal. Agem inibindo a acetilcolinesterase, decréscimo da atividade metabólica do fígado, décréscimo na síntese cerebral de fosfolipídeos, alteração dos níveis de serotonina no sangue, e decréscimo da atividade da glândula tireoide.
6- Pyrethrin - pyrethrun  - resina oleosa das flores do crisantemo. O estrato contém 50% de produto ativo.
Os Ésteres cetoalcoólicos são conhecidos como pyrethrins, cinerins, jasmolins. A alta atividade inseticida dos piretroides tem possibilitado o aparecimento de produtos sintéticos novos e mais estáveis à luz e menos voláteis.
Os inseticidas feitos do pyrethrin vêm misturados com organophosphatos e carbamatos pois seu efeito paralizante é rápido e nem sempre letal.
São paralizantes do sistema nervoso. Produzem agressividade, tremores e espasmos convulsivos, incoordenação e prostração. É um forte alergeno dérmico e respiratório, produz rinite e asma, peneumonia e choque anafilático. Vários casos de convulsões em crianças foram associados a este produto, inclusive casos de recidiva quando a criança é novamente exposta. Esta substância é rapidamente inativada pelas enzimas hepáticas. Este inseticida é um dos produtos que a natureza produziu para defender-se do extermínio. É um poderoso veneno porém, para ele, o organismo tem enzimas específicas inativadoras.
Os compostos do grupo II dos piretroides produzem salivação excessiva, movimentos irregulares dos membros, convulsões tônico-clônicas e sensibilidade aumentada a estímulos externos.
7- Retonone -Tóxico para o sistema nervoso dos insetos, peixes e pássaros. Causa dormência da mucosa oral, dermatite e irritação respiratória. É usado como paralizante de peixes na pesca predatória. Os índios já o usavam mas tinham um ritual especial: nos dias de pesca as mulheres e crianças eram chamadas para urinar dentro da água logo que os peixes emergiam, inativando rapidamente o veneno.
8- Sabadilla - Possui o alcaloide Veratrina que tem ação semelhante ao Digitalis, diminui a condução cardíaca e produz arritmia. É muito irritativa do trato respiratório produzindo espirros.
Bacilus thuringensis
9- Gibberellic acid - culturas de fungos, é um produto metabólico para o crescimento das plantas.
10- Sodium fluoride - Muito usado para o controle de larvas e insetos
11- Sodium silico fluoride e sodium fluoduminate (Florocid, Prodan, Kryocid)
Altamente tóxico por via oral. Causa falência renal aguda por dano às células tubulares, inibe as enzimas intracelulares e afeta diretamente a ionização do cálcio. Apresenta um efeito corrosivo no trato gastrointestinal com edema, ulcerações, e hemorragias, sede, dor abdominal, vômitos e fezes sanguinolentos, reduz a concentração extracelular de Ca e Mg. Produz hipo e hipercalcemia resultando em tetania e alterações elétricas cardíacas. Arritmia e choque cardíaco. Hipotensão e arrtmia grave fibrilação ventricular). Falência respiratória é a causa comum de morte.
12- Ácido bórico e Boratos - irritante da pele, do aparelho respiratório (tosse e respiração encurtada). Usado para suprimir o desenvolvimento bacteriano (na medicina) - compressas em queimaduras. Muitos relatos dos efeitos tóxicos são provenientes de acidentes com queimados na década de 50 e 60. Facilmente absorvido pela via digestiva ou pela pele lesada (queimaduras). Afeta o trato gastro-intestinal, cérebro, pele, sistema vascular. Produz náuseas, vômitos persistentes, dor abdominal e diarréia que reflete a gastroenterite tóxica por absorção cutânea. Sangue nas fezes e no vômito são sinais das lesões mucosas (ulcerações)
Rash cutâneo (carne-viva) nas palmas, solas, nádegas e escroto (boliled lobster appearence). O eritema é seguido de intensa exfoliação.
13- Chlordimeform - Hematúria, cistite hemorrágica provavelmente por degradação da chloranilina. Hemorragia macroscópica intensa na urina, dor urinária, polaciúria com urgência, corrimento uretral, dor abdominal e dor nas costas, sensação de calor geral, sonolência, rash cutâneo e descamação, paladar doce e anorexia. Os sintomas persistem por 2 a 8 semanas.
14- Chlorobenzilate - Efeitos neoplásicos em animais. Usado como acaricida
15- Detamide Metadelphene - DEET Diethyltoluamide = repelente para insetos. Produz eritema, bolhas e erosão nas áreas antecubital e fossas poplíteas. Muito absorvido pela pele e pelo estômago. Concentração de 3 mg/l no sangue tem sido vistas após 2 a 3 horas da aplicação. Pode causar encefalopatia tóxica.
16- Chlorophenoxy - herbicidas. Dispigmentação local em partes com dermatite de contato. Hepato, encefalo e nefrotóxico. Miotonia (rigidez e incoordenação, desmielinização dos cordões posteriores da medula), mioglobinúria e elevação sérica da creatina posphoquinase reflete a injúria aos músculos esqueléticos. Hipertermia. Neuropatia periférica.
17- Diflubenzuron - metaheglobinemia.
18- Nitrophenolic e Nitrocresolic - herbicidas. Causam coloração amarela nas escleróticas, urina, cabelos e pele. Perda de peso crônica ocorre em pessoas expostas a doses baixas. Cataratas com glaucoma.
19- Pentachlorophenol - PCF, PCF Na, usado largamente como fungicida, herbicida, inseticida, bactericida. 80% de sua produção é destinada à preservação da madeira, fibras texteis, colas e tintas com amido. Na produção industrial deste agente, em função da necessidade de altas temperaturas e da condensação de 2 moléculas do mesmo ocorre a formação de diversos compostos entre eles PCDD (dibenzodioxinas). O PCDD além de teratogênico e carcinogênico. Tem sua potência letal DL50 em 1,0 ug/ Kg, sendo o mais potente agente tóxico de síntese conhecido. Sua 1/2 vida no solo é de cerca de 1 ano. Na intoxicação pelo TCDD o mais alarmante é a sua interferência no crescimento de lesões do SN e sintomas neurológicos, produção de dermatites acneiformes e ação teratogênica e carcinogênica. As lesões dérmicas provocadas em animais são caracterizadas microscopicamente por hiperplasia e hiperceratose do epitéio folicular. Lesões similares a acne dos adolescentes. Ocorre mais na face e pescoço, costas, torax e genitais, raramente nos pés e mãos. Podem durar por mais de 30 anos e podem recidivar. Pode também, ocorrer eritemas e edemas por maior sensibilidade dérmica à luz solar. Pode provocar erupção furunculosa (pequenos ou grandes) e pigmentação marron. Produz aumento da temperatura corporal 42,2 C, colapso e morte. Poduz hepatomegalia. É carcinogênico por sua grande atividade mutagênica.  Anemia aplástica, leucemia, neuropatia periférica. É facilmente absorvido pela via oral.
20- Paraquat e Diquat (Difyridylis). Compostos quaternários de amônio. Concentra-se especialmente nos pulmões causando fibrose pulmonar por rápida proliferação dos fibroblastos. Também ocorre miocardite tóxica  com falhas no eletrocardiograma. Na autópsia há hemorragia pulmonar, edema e áreas maciças que devido ao aparecimento de proliferação fibroblástica na parede alveolar e proximidades impedem a passagem de ar normal nos alvéolos. As alterações pulmonares são decorrentes do processo de síntese ou de degradação do colágeno. Também ocorre a alteração das enzimas que interferem nos processos de síntese do colágeno especialmente da prolil-hidroxilase que catalisa a hidroxilação dos resíduos de prolina. A hidroxilação dos resíduos de prolina é o ponto de controle da biossíntes do colágeno. A 4-hidroxiprolina é a responsável pela estabilidade conformacional da molécula de colágeno. O Diquat causa menos lesão pulmonar e mais no SNC
21- Fenoxiácidos - herbicidas que contém dioxina como impureza de fabricação. Concentram-se no tecido adiposo, rins, fígado, músculos, baço e cérebro.
A intoxicação produz pouca disposição para mover-se agravada por rigidez dos músculos esqueléticos e ataxia. Apatia progressiva, depressão, fraqueza muscular e coma. Marcada anorexia com irritação nos olhos e fossas nasais. Necrose por úlceras na mucosa oral e intestinal, necrose hepática e hipertrofia epitelial tubular renal, convulsões violentas. Erupção cutânea, oligúria, hematúria e albuminúria. É teratogênica e embriotóxica causando morte fetal, retardo no crescimentos.

 

FUNGICIDAS

  1. Hexaclorobenzeno - porfiria cutânea tardia. Eliminação de porfirina na urina, bolhas na pele exposta à luz, atrofia da pele com aumento do crescimento de pelos, aumento do fígado, perda de apetite, artrite e perda de massa muscular. A intoxicação é causada por resíduos nos alimentos.
  2. Dichloran - Causa injúria hepática e opacidade da córnea, metahemoglobinemia.

 

FUNGICIDAS DERIVADOS DO ZINCO E DO MANGANÊS

  1. Ditiocarbamatos - Maneb, Zineb, Ferbam, Ziran, Mancozeb, Dithane, Manzate.

Decompõem-se na presença de umidade e de ácidos e produz sulfeto de carbono, etilenodiamina e etilenotiouréia (ETU), sendo este último biologicamente ativo, com atividade carcinogênica, mutagênica e teratogênica (etileno bis-ditiocarbamato de manganês). O Maneb produz nódulos de tireóide em cães e ratos alimentados cronicamente com 2500 parte por milhão.

  1. Zineb - Etileno bis-ditiocarbamato de zinco
  2. Mancozeb - Etileno bis-ditiocarbamato de manganês e zinco

Absorção oral, respiratória e cutânea. Em animais de laboratório todos eles, provocam ataxia e hiperatividade seguida de debilidade e perda do tônus muscular, mudança de comportamento e convulsões, danos renais e hepáticos e efeitos teratogênicos, mutagênicos e carcinogênicos. O Zineb é responsável por hiperplasia da tireoide em cães e em ratos, tumores pulmonares, sarcoma do retículo endotelial, anomalias congênitas, leucopenia, danos hepáticos e danos gonadais. Reprime a maturidade e o crescimento dos espermatozoides e possui atividade embriotóxica. Os efeitos tóxicos estão associados com a defeciência de zinco por ser, este elemento, necessário às várias coenzimas e atividade enzimática.

  1. Ziran - Indivíduos expostos ocupacionalmente ao Ziran por 3 a 5 anos mostram anomalias cromossômicas que também foram evidenciadas in vitro com linfócitos humanos.
  2. Maneb - Produz insuficiência ranal aguda.
  3. Edifenfós - O-etil-S,S-difenilditiofosfato - Fungicida do arroz (aplicação proibida até 15 dias antes da colheita)
  4. Compostos de fluor - extremamente tóxicos em doses baixas. Inibem a formação de energia no ciclo de Krebs. Transforma-se no ciclo de Krebs em fluocitrato, um inibidor da aconitase e desidrogenase, enzimas responsáveis pelo metabolismo do citrato e succinato.

 

RODENTICIDAS INORGÂNICOS

  1. Sulfato de Zinco -
  2. Sulfato de Thallium - alopécia, paralizia respiratória, colápso cardíaco, neuropatia dolorosa crônica e paresia, atrofia do nervo óptico, ataxia e movimentos coreicos e demência.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
-Fitofarmaci - Repertori Dei Principi Attivi e Dei Presidi Sanitari; Gelosi, Attilio; Edagricole; 1983
-Recognition and Management of Pesticide Poisonings; Morgan, Donald P.; EPA; 1989
-Toxicologia; Larini, Lourival; Ed. Manole Ltda; 1997
-Doenças Ocupacionais Causadas Pelo Manganês E Seus Compostos; Gomes, Jorge da Rocha; Cocioppo, Sérgio; Faculdade de Saude Pública de USP
-Quadri Lesivi Polmonari In Corso Di Manganismo Alimentare Nel Coniglio; Pinotti G., Luppi ª, Cantoni ª, Di Lecce R.; Instituto de Anatomia Patológica, Facoltà di Medicina Veterinaria, Università di Parma, 1999
-Major Hazards in Foods Ranked from Mosto to Least Hazardous - EXTOXNET FAQs
-The Safety of Foods Addtives - EXTOXNET FAQs
Misconceptions About Environmental Pollutin, Pesticides and the Causes of Cancer, NCPA Policy Report, n.214 March, 1998.
-O Futuro Roubado; Colborn, Theo; Dumanoski, Dianne; Myers, John Peterson; LPM; 2002
Fronteiras - Revista do CPERS/Sindicato e da ADUFRGS, abril 1999, n.16
Cartilha Sobre Transgênicos - GIPAS - Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação em Agricultura e Saúde

Esta parte do trabalho que agora transcrevo foi totalmente retirada do CD-room de Sebastião Pinheiro, de 2001. A NATUREZA NO MERCADO E A ANGÚSTIA À SUA MESA

 

RESÍDUOS

O uso de agrotóxicos resulta em contaminação. Esta contaminação divide-se didaticamente em "depósito" e "resíduo".
"Depósito" é o encontrado logo após a ultima aplicação do agrotóxico sobre a planta. Ele normalmente é alto e calculado para controlar eficientemente a praga ou doença, ficando centenas de vezes acima de sua tolerância.
No Brasil, é pratica comum, embora ilegal, o uso de produtos após a colheita, muitas vezes já dentro da embalagem de transporte para o mercado. Também é permitido, através das permissões cartoriais, os tratamentos pós-colheitas, para frutos e oleirícolas, que fazem o problema de "depósito tornar-se muito sério, principalmente com produtos sistêmicos.
O Ministério da Saúde afirma, após um levantamento realizado em Cantagalo (RJ), que 10 por cento das intoxicações de trabalhadores, naquele cinturão verde ocorrem na colheita de hortigranjeiros. O que é uma situação grave para o agricultor e seus trabalhadores.
Para a análise de qualidade dos hortigranjeiros é muito importante esta separação pois ela irá ser problema para o agricultor, ambiente, consumidor, indústria e qualidade internacional do produto exportado.
Os fatores que fazem um "depósito" se transformar em "resíduo" são vários: as características físico-químicas do agrotóxico, que lhe dotam de maior estabilidade, em função do tipo de ingrediente ativo, formulação, hidrossolubilidade, pressão de vapor, resistência à temperatura, à luz solar, vento. Também as características do cultivo, fase de crescimento do mesmo, pois isto indiretamente diminui a quantidade de resíduo presente. A respiração, oxidação celular e outras reações da planta.
Os resíduos de agrotóxicos podem ser divididos em:
A) Extracuticular, ou resíduo de superfície;
B) Cuticular quando sobre ou na cerosidade da epiderme;
C) Subcuticular quando na polpa do fruto.
A análise destes três tipos de Resíduos é denominada de "técnica ABC".
Há aspectos importantes sobre cada um destes resíduos, pois o de tipo A e B são mais facilmente retirados, eliminados ou diminuídos por lavagem ou descascado, que o tipo C.
Deve-se levar em consideração a situação de certos cultivos como as folhosas ou morangos onde a lavagem é difícil e a retirada do resíduo A e B torna-se praticamente impossível. Como a relação entre superfície contaminada e a polpa deste hortigranjeiro é de 25:1, o problema de contaminação extracuticular e cuticular é grave.
No caso das frutas isto é importante, pois normalmente elas não são peladas ou descascadas, embora possam ser lavadas com maior cuidado, outras nem tanto.
As práticas de uso de agrotóxicos em estufas de plasticultura demonstram que a proteção contra a luz solar, vento e precipitação impedem uma retirada maior de resíduos que no cultivo em campo livre. Entretanto há também a possibilidade de decomposição de certos fosforados e piretróides mais rapidamente em função do calor e maior teor de gás carbônico no interior das mesmas. Isto é levado em consideração nos países mais avançados, embora seja desconhecido aqui.
Vamos tomar o estudo de dois casos:
A) Os resíduos de Ditiocarbamatos, os fungicidas mais utilizados no país (já severamente banido em outros países), em amostras de alimentos, caem de 50 a 80%, com o lavado, dependendo da intensidade do lavado e quantidade inicial do resíduo. Entretanto, em outros tipos de agrotóxicos, isto não segue o mesmo princípio.
Os fungicidas Ditiocarbamatos possuem uma análise especial, aceita internacionalmente, o método de Keppel, que determina a destruição dos resíduos e sua quantificação como Disulfeto de Carbono (CS2). Mas, por este método, não se consegue saber a situação higiênico-sanitária do produto hortigranjeiro ou alimento, pois as análises de Ditiocarbamatos são apenas indicativos e incompletos do ponto de vista toxicológico-higiênico-sanitário, já que cada um deles tem um grau de toxicidade específico.

 

Os principais metabólitos dos Ditiocarbamatos são:
NABAM PM 256g; Etileno Tiuram MonoSulfito (ETM) PM 178g; Etileno Tio Uréia (ETU) PM 134g; Etileno Tio-Disulfito (ETD) PM 210g; Etileno Diamina (EDA) 62g; Diisotiocianato de metila 134g; Isotiocianato de metila PM 74g ; Ácido tiocianidrico PM 60g.
Entretanto, seu metabólito de grande importância toxicológica é ETU, por causar câncer em tireóide em humanos, comprovadamente.
Quando um alimento é aquecido ou cozido, os metabólitos de ditiocarbamatos presentes se transformam em ETU. Para evitar a formação de ETU, as empresas, primeiro canadenses, depois norte-americana e européias passaram a lavar as frutas e hortaliças com uma solução de Hipoclorito de Sódio, que destruía os Ditiocarbamatos e impedia a formação de ETU.

 

Isto foi feito desde a década de setenta até os anos oitenta, quando se descobriu que o tratamento de água contaminada com matéria orgânica por cloro e hipoclorito potencializava a formação de Policloradas Dibenzo-para-Dioxinas e Furanos Clorados, os mais tóxicos de todos os venenos existentes.

 

B) O TRICLORFON é um inseticida organofosforado de intenso uso em alimentos, principalmente em frutas e hortaliças. Logo após aplicado, suas moléculas começam a transmutar-se em: DDVP, principalmente, por ação do pH. Ele é três vezes mais tóxico que o Triclorfon; TRICLOROETANOL, um álcool que se oxida rapidamene a ácido; ÁCIDO TRICLOROACÉTICO, que é extremamente corrosivo e explosivo; DICLOROACETALDEIDO; CLORAL e CLOROFÓRMIO; este três últimos, também, mutagênicos e carcinogênicos. O maior impacto toxicológico deste organofosforado é causar diminuição na capacidade intelectual e aprendizado nas crianças e depressão nos adultos.

 

C) O Glyphosate é um herbicida, ou seja, um agrotóxico que mata ervas daninhas, eliminando a concorrência das mesmas nas plantações. "Roundup" é a marca comercial do herbicida mais utilizado no mundo, Glyphosate (Glifosato), inventado, no início dos anos sessenta, pela Monsanto, dos EUA. No Brasil, se utiliza acima de 80 milhões de litros anualmente e com a soja transgênica a tendência é se utilizar mais de 200 milhões de litros.

Quimicamente, o "Roundup" é um composto fosforado (N-fosfono-metilglicina) sem ação inseticida. Ele é um herbicida não seletivo, pois destrói a quase totalidade das plantas existentes no reino vegetal. Devido a esta característica, não se pode aplicar diretamente o "Roundup" nos cultivos, pois mata tudo. Isto faz com que seja aplicado, diretamente, somente sobre as ervas daninhas, sem atingir os cultivos, o que reduz sua utilização e mercado.
Quando a solução de "Roundup" é aplicada sobre as ervas daninhas ou plantas, uma série de enzimas (delta ALA, PAL, catalase, etc.) é inibida, mas o principal mecanismo de funcionamento dele é o bloqueio da 5 enolpiruvilshikimico-3-phosfato sintase, conhecida pela sigla EPSPS.
Isto impede, nos vegetais atingidos pelo Glyphosate, a síntese de aminoácidos aromáticos precursores da síntese de proteínas, ligninas, taninos, flavonóides, vitaminas, etc., causando a morte.
Também, há bactérias, que, submetidas ao herbicida, têm inibição da EPSPS, outras são insensíveis.
Depois, descobriu-se que a inibição provocada pelo herbicida, nas bactérias sensíveis, podia ser bloqueada, quando foram agregados aminoácidos aromáticos à solução.
Os resíduos de Glyphosate ficam presentes no solo por até três anos, podendo contaminar os cultivos feitos sobre o mesmo.
Composição dos Resíduos de Glyphosate
AMPA - Ácido Aminometilfosfônico
HMPA - Ácido Hidroximetilfosfônico
MPA - Ácido Metilfosfônico
MAMPA - Ácido Metilaminometilfosfônico
Poucos são os estudos toxicológicos e ecotoxicológicos sobre os riscos destes produtos.
Resíduos Permitidos Na Soja Normal: 0,2 ppm (Port. Nº. 110 D. O U. 07/12/93) Intervalo de Segurança: Não Tem - Plantio Direto - (Port. Nº 110 D. O U. 07/12/93)
Na Soja Transgênica: Resíduos 20 ppm (Port. Nº 764 D.O.U 25/09/98).
Intervalo de Segurança: 45 dias antes da colheita.
Uso Adequado do "Roundup": Em 27 de Novembro, devido à gritaria, o nível de resíduos na soja transgênica foi diminuído dez vezes, mas na Austrália, Canadá e EUA os níveis são os anteriores.
Por outro lado o Glyphosate é altamente solúvel em água e nela resiste a altas temperaturas. Com temperaturas próximas a 218 graus Celsius, ele se polimeriza em 2, 5 - Diketopiperazina que pode novamente se transformar em Glyphosate em contato com HCl do estômago. Qual a repercussão toxicológica disto?
No caso da inserção de um gene resistente ao Roundup não foi suficiente para permitir a soja sobreviver às aplicações do mesmo, foi necessário se introduzir duas inserções, com que a soja passou a ter uma atividade enzimática 83% superior à normal. Qual impacto disto na nutrição?
A engenharia genética da Monsanto deve apresentar uma resposta para os seguintes problemas:
I - O primeiro é agronômico. A soja, todos sabem, é uma planta que sintetiza o N do ar, através da simbiose com bactérias Bradirhizobium que vivem em suas raízes. Por isso inoculamos nossa soja para ter maiores colheitas. As Bradirhizobium possuem em seu organismo a proteína EPSPS sensíveis ao Glyphosate. Na presença deste herbicida, não podem sintetizar os seus aminoácidos aromáticos e, por outro lado, têm os microelementos essenciais para catalisar esta síntese, contudo, quelados pela alta dose do agrotóxico, que inibe a ação da nitrogenase, logo o rendimento em grãos da soja é diminuído. Seguramente a Monsanto está desenvolvendo um Bradirhizobium com EPSPS insensível e com alta conversão de microelementos, para solucionar esta situação.
II - O segundo é bromatológico. Se uma empresa prepara o molho de soja "shoyo", o queijo de soja "tofu", "missô", "okara", "yuba" com soja transgênica, que contém, um teor de 20 ppm de Glyphosate nos grãos, o que ocorre? Para preparar estes fermentados há inoculação com fungos e bactérias, para a fermentação da soja crua, em "shoyo", "missô" e "tofu", "okara" e "yuba". Estes microorganismos possuem a proteína EPSPS sensível, que, na presença do resíduo de Glyphosate, altera a síntese de aminoácidos aromáticos, para a produção final destes alimentos.
Na composição destes alimentos, a alteração pode ocorrer em componentes que se formam em concentração inferior a 1 x 10 -11, como Biotina, Inositol, Ac. Pantotênico, Piridoxina (B6)?
Como se poderá identificar esta alteração nutricional analisando o "tofu", "missô" e "soyu", okara, yuba?
Durante a digestão humana, também, uma série de microorganismos, entre eles Bacillus subtilis, que contém EPSPS, desdobram alimentos, como a soja transgênica, contendo resíduos de Roundup e necessitam formar vitaminas e antibióticos para o metabolismo humano. Como a inibição destas vitaminas e antibióticos podem ser medidos, se os mesmos se formam em quantidades e concentrações próximas as acima expressas?
O mesmo se passaria para a qualidade do vinho, iogurt, chucrut, em caso de uva, pastagens, repolho respectivamente, Roundups Readys?
O Ministério da Saúde determinou o máximo de resíduo tolerado em 20 ppm. Por que a inserção do "gene de resistência" faz a "Glyphosate Tolerant Soybean" - GTS - absorver o herbicida do solo e acumular os resíduos nos feijões? Nos solos ricos em sais férricos este acúmulo é maior?
Universitários, professores e alunos ficam possessos, quando se apresentam os riscos dos transgênicos e os problemas toxicológicos dos agrotóxicos. A informação é escondida, no caso do Roundup, não se sabe que o produto técnico é mais seguro que ele formulado ao alcance do agricultor, devido ao Polyoxyetilenamina -POEA. Há registro de mortes no Japão e China devido a este surfatante/emulgador.

 

DISRUPTORES ENDÓCRINOS

Tradução Ocean. Fabíola Pinheiro, GIPAS

Peter Mortague, da União Nacional dos Escritores, dos EUA, fez um extrato do RELATÓRIO WEYBRIDGE, anais da Conferência Internacional sobre substâncias químicas disruptoras endócrinas.
É ele quem diz, "Nos últimos 6 anos, acumularam-se evidências indicando que os seres humanos e a vida selvagem podem ser afetados por produtos químicos industriais que interferem com hormônios. Hormônios são mensageiros químicos transportados pela corrente sanguínea, ligando e desligando processos corporais e, assim, regulando a reprodução, o crescimento, o desenvolvimento (inclusive o mental) e a saúde. O termo genérico para produtos químicos que afetam hormônios é disruptores endócrinos.
Cerca de 50 agentes químicos foram identificados como tais, mais aproximadamente 70.000 produtos químicos comercializados atualmente ainda não foram testados quanto a efeitos sobre o sistema endócrino.
Por estarmos, hoje, todos expostos diariamente a centenas (se não milhares) de agentes químicos no ar, água e alimentos, é (no mínimo) preocupante que alguns destes possam estar permanentemente alterando nosso desenvolvimento e o de nossos descendentes, sem mencionar nossa saúde.
No mês passado, a Agência Ambiental Européia publicou um relatório [1] de uma importante conferência sobre disruptores endócrinos realizada em Weybridge (Inglaterra) de 2 a 4 de dezembro de 1996. O workshop foi organizado pela Comissão Européia, Agência Ambiental, Centro Europeu da Organização Mundial de Saúde, para Ambiente e Saúde; Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD); Agências Ambientais da Inglaterra, Alemanha, Suécia, Holanda, Conselho Europeu das Indústrias Químicas (aproximadamente o equivalente europeu da Associação das Manufatoras Químicas dos EUA), Centro Europeu para Ecotoxicologia e Toxicologia de Produtos Químicos (aproximadamente o equivalente do Instituto de Toxicologia da Indústria Química dos EUA).
Este novo relatório, ao qual nos referimos, contém algumas conclusões importantes, tais como:
** É evidente que há efeitos adversos sobre os órgãos reprodutivos tanto dos homens quanto das mulheres. A incidência de câncer testicular aumentou dramaticamente, em países com registro de casos de câncer, incluindo Escandinávia, países vizinhos ao Mar Báltico, Alemanha, Reino Unido (Inglaterra), EUA e Nova Zelândia.
Igualmente, houve um aumento de incidência de câncer de mama em muitos países, e a incidência de câncer de próstata também parece ter subido. Enquanto alterações na incidência de câncer de próstata podem ter sido influenciados por melhores registros e diagnósticos, o mesmo não pode explicar o aumento maçico dos casos de câncer de testículos. Da mesma forma, a ascensão na incidência de câncer de mama parece real (1, pág. 13).
** O declínio aparente nas contagens de esperma em alguns países é provavelmente genuína, e não devida a variáveis metodológicas ou fatores de confusão. (1, pág 6).
**Contudo, "as evidências não são suficientes para estabelecer definitivamente uma relação causal" entre a exposição química e os efeitos observados sobre a saúde humana. (1, pág. 6)
** Em resumo: "Embora nosso conhecimento atual sobre os agentes ambientais (disruptores endócrinos) e da reprodução seja extremamente limitado, sabemos o bastante sobre efeitos adversos à saúde reprodutiva para que fiquemos preocupados,"conclui o relatório Weybridge. (1, pág. 14)
** Sobre a vida selvagem, foram percebidos os seguintes tipos de efeitos, quanto aos produtos químicos disruptores endócrinos:
** Fêmeas de moluscos (e.g., caramujos e mexilhões) tornaram-se machos, em conseqüência da exposição a produtos químicos disruptores endócrinos (condição denominada de "imposex") (1, pág. 14)
** Em peixes, foi observada em machos a produção de vitalogenina (uma proteína formadora da gema do ovo e geralmente encontrada em fêmeas). Também foi observado hermafroditismo em peixes (um único peixe possuindo tanto órgãos sexuais masculinos como femininos). (1, pág 14)
** Certos répteis (tartarugas e jacarés) tiveram reduzida sua fertilidade em virtude do subdesenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos (pênis pequeno).
** Em aves, foi observado um comportamento de nidificação anormal, ou seja casais constituídos por duas fêmeas.
** Quanto aos mamíferos, houve alterações da fertilidade nas panteras da Flórida e em penípedes.
Em animais de laboratório, foram observados os seguintes efeitos endócrinos-disruptores.
** Ratos e hamsters expostos à dioxina antes do nascimento e logo após o nascimento tiveram a quantidade de esperma reduzida quando adultos. O tempo de exposição determina os efeitos conseguintes. (1, pág. 28)
Também há evidências de que exposição permanente a baixos níveis de dioxina possam causar endometriose em macacos (1, pág. 28)
Endometriose é uma enfermidade dolorosa dos tecidos que revestem o útero., que geralmente resulta em esterilidade e atualmente atinge estimatidamente de 5 a 9 milhões de mulheres americanas.
** Ratos expostos a PCBs antes do nascimento apresentaram distúrbios dos hormônios tireodianos e, como efeitos colaterais, redução no tamanho dos testículos e na quantidade de esperma, quando adultos. (1, pág. 28)
** A exposição de roedores a produtos químicos endócrinos-disruptorres pode induzi-los à puberdade prematura e à persistência de "estrus", ou seja, tempo anormalmente prolongado de "aquecimento".
** Machos de roedores expostos a agentes químicos que interferem com os hormônios sexuais masculinos (andrógenos) podem nascer com hipompadia (defeito de nascença no pênis) e criptoorquidismo (testículos ocluídos). (1, pag.29)
O relatório Weyybridge salienta que, em humanos, há indicações de que, ao menos em alguns países... a incidência de testículos ocluídos e hipompadia aumentou". (1, pág. 13). O relatório Weybridge associa especificamente estes efeitos (em roedores) com exposição a Vinclozolin, um poderoso agrotóxico anti-andrógênico. (Nos EUA, hoje, Vinclozolin está legalizado para uso em pepinos, uvas, alface, cebolas, morangos, tomates, pimentas, amoras e couve de Bruxelas. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EUA) não tem planos anunciados de banimento do Vinclozolin).
** Há evidências a partir de um número de espécies animais, de que esteróides sexuais ( por exemplo, estrógeno e testosterona) exerçam efeitos a longo prazo sobre o tamanho do timo e "sobre o sistema imunológico em geral" (1, pág. 29). Em seres humanos, o timo é um órgão situado logo acima do coração e produtor de células T, as quais têm importância crucial no sistema imunológico.
O Relatório Weybridge chega a algumas outras conclusões sugestivas da dificuldade do trabalho que os pesquisadores têm pela frente ao tentar desvendar a relação entre agentes químicos endócrinos-disruptores e o desenvolvimento normal nos homens e outros animais.
** "Não é possível entender por completo a significância dos níveis encontrados no sangue e outros tecidos até que o mecanismo e o tempo da ação das substâncias endócrinos-disruptores (SED) e seus metabólitos sejam melhor compreendidos." (1, pág.37) Em outras palavras, não somente as substâncias endócrino-disruptores precisam ser compreendidas.
Estando presentes no organismo (animal ou humano), são metabolizados e transformados em agentes químicos diferentes, cujos efeitos também devem ser examinados e entendidos. Além disso, o tempo de exposição é crítico.
Por exemplo, a exposição de uma rata prenhe à dioxina no décimo-quinto dia da gestação provoca efeitos que não sobreveêm se a exposição ocorre no décimo-quarto ou décimo-sexto dia. Isto torna a pesquisa laboratorial dos endócrinos disruptores muito mais complexa (e, por conseguinte, mais dispendiosa) do que a pesquisa tóxico-química típica.
Por fim, será preciso testar no mínimo duas gerações de animais, pois os efeitos sobre as proles são a preocupação principal quanto aos endócrinos-disruptores (1, p&aac