A Humanidade pode ser extinta

A Humanidade pode ser extinta. Literalmente, conforme expressam pesquisadores, face a queda permanente na contagem dos espermatozoides nos homens modernos.

 

http://www.bbc.com/news/health-40719743

 

  • 25 July 2017
SpermImage copyright JUERGEN BERGER/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Os seres humanos podem se tornar extintos se a contagem de espermatozoides em homens continuar a cair nas atuais taxas, adverte um médico israelense.

Pesquisadores avaliaram os resultados de perto de 200 estudos que mostram que a contagem de espermatozoides entre os homens da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia, demonstram que caíram pela metade em menos de 40 anos.

Alguns especialistas estão céticos sobre as descobertas do Human Reproduction Update da Universidade Oxford, da Inglaterra (https://academic.oup.com/humupd/article/doi/10.1093/humupd/dmx022/4035689/Temporal-trends-in-sperm-count-a-systematic-revi).

No entanto, o pesquisador chefe, Dr. Hagai Levine, disse que estava “muito preocupado” sobre o que poderá ocorrer no futuro.

Este levantamento, um dos maiores já feitos, amealhou resultados de 185 estudos entre 1973 e 2011.

O Dr. Levine, epidemiologista, relatou à BBC que, se esta tendência continuar, os seres humanos podem ser extintos.

A taxa de declínio está ‘aumentando’

“Se não mudarmos as formas que temos usado para vivemos e nos relacionarmos com o ambiente, além das substâncias químicas que viemos empregando e sendo expostos, deixam-me realmente muito preocupado quanto ao que acontecerá no futuro,” diz ele.

“Finalmente vamos ter um problema e é com a reprodução em geral, além do que isso pode trazer a extinção da espécie humana.”

Cientistas não envolvidos no estudo apreciaram a qualidade da pesquisa, mas disseram que pode ser prematuro pra se chegar a alguma conclusão.

O Dr. Levine, da Hebrew University of Jerusalem, detectou um declínio de 52.4% na concentração de espermatozoides e um declínio de 59.3% na contagem total de espermatozoides em homens da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia.

O estudo também indica uma taxa de declínio entre homens vivendo nestes países, sendo contínua e possivelmente esteja até aumentando.

Pesquisas anteriores ‘falharam’

Em contraste, declínio não significativo foi encontrado na América do Sul, Ásia e África, mas os pesquisadores apontaram que poucos estudos foram conduzidos nestes países. No entanto, o Dr. Levine está preocupado de que, eventualmente, a contagem de espermatozoides possa decrescer também nestes lugares.

Muitos estudos anteriores indicaram declínios acentuados semelhantes à contagem de espermatozoides em países desenvolvidos, mas os céticos dizem que grande número deles foram falhos.

Alguns investigaram com número relativamente pequeno de homens ou incluíram somente homens que iam a clínicas de fertilidade e estão, em muitos casos, com maiores probabilidades de apresentarem baixas contagens de espermatozoides.

Também há preocupação de que os estudos que afirmam mostrar um declínio na contagem de esperma são mais propensos a serem publicados em revistas científicas do que aqueles que não afirmam.

spermImage copyright. SCIENCE PHOTO LIBRARY

Outra dificuldade é que os primeiros métodos de contagem de espermatozoides podem ter superestimado a verdadeira contagem.

Em conjunto, esses fatores podem ter criado uma visão falsa da queda de contagem dos espermatozoides.

Mas os pesquisadores afirmam ter explicado algumas dessas deficiências, deixando alguns descrentes, como o Prof. Allan Pacey da Sheffield University, menos céticos.

Disse ele: “Nunca estive particularmente convencido pelos muitos estudos publicados até agora alegando que as contagens de esperma humano diminuíram no passado recente.”

“No entanto, o estudo agora conduzido pelo Dr. Levine e seus colegas lidam de frente com muitas das deficiências dos estudos anteriores.”

Fumar e obesidade

Entretanto o Prof. Pacey acredita que mesmo que o novo estudo tenha reduzido a possibilidade de erros, ele não conseguiu removê-los inteiramente. Assim, diz ele, os resultados devem ser tratados com cautela.

“O debate ainda não está resolvido e há ainda muito trabalho a ser feito.

“No entanto, o trabalho representa um passo a frente no esclarecimento dos dados o que pode, em última instância, permitir-nos definir melhores estudos para examinarmos esta questão.”

Não há uma evidência clara que justifique este aparente decréscimo. Mas, está sendo conectado com a exposição a substâncias químicas usadas em agrotóxicos e plásticos, à obesidade, ao fumo, à dieta (diet) e mesmo a ver muito tevê (watching too much TV).

O Dr. Levine diz que há uma necessidade urgente de descobrir porque os espermatozoides estão decrescentes e descobrir meios de reverter esta tendência.

“Precisamos agir – por exemplo, melhor regulamentação das substâncias sintetizados pela humanidade – e precisamos continuar nossos esforços no ataque tanto ao fumo como à obesidade.”

Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, julho de 2017.

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