É seguro comer trigo?

É seguro comer trigo?
Gluten

Resumo da História

  • O trigo foi domesticado há uns 10 mil a 12 mil anos e os grãos se expandiram em grande parte do continente africano, fazendo com que seja muito difícil abdicar deles como uma fonte alimentícia;
  • O trigo é difícil digestão e conhecido por causar problemas digestivos. Mas a melhor resposta poderia ser: não elimine o trigo por completo;
  • Ao reparar e restaurar adequadamente a função digestiva, poder-se-á recuperar a capacidade para comer trigo integral orgânico.

 

http://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2017/01/22/how-to-safely-bring-wheat-back-into-your-diet.aspx

 

By Dr. Mercola


(Nota do site: esta entrevista está sendo traduzida para posterior publicação)

https://www.youtube.com/watch?v=KCXc7TZel40

Pode-se comer  trigo ou grãos em qualquer momento?

O livro de John Douillard: “Eat Wheat: A Scientific and Clinically-Proven Approach to Safely Bringing Wheat and Dairy Back Into Your Diet” parece ter alguma relação com meu primeiro livro intitulado: “The No-Grain Diet: Conquer Carbohydrate Addiction and Stay Slim for Life” que se encontra na lista de best-sellers do New York Times.

Curiosamente, nossas opiniões não são tão opostas como se poderia pensar. Na realidade, concordamos em, mais ou menos, torno de 90 % delas. Mas a controvérsia está nos detalhes, por isso pensei que seria interessante um diálogo sobre este conflito que foi percebido.

Trigo ou Não Trigo

Douillard, que começou sua carreira na área da saúde como quiroprático, foi para Índia em 1986 para passar férias de duas semanas. Terminou ficando durante um ano e meio, estudando a medicina tradicional Ayurvédica.

Durante sua estadia, conheceu Deepak Chopra, terminando por atuar no Centro Chopra por oito anos antes de seu regresso aos Estados Unidos.

“O que tenho escrito no meu newsletter a cada semana é a antiga sabedoria, de longa data, das práticas medicinais tradicionais que agora estão sendo provadas pela ciência moderna.

Quando se dispõe de técnicas que vêm sendo usadas com sucesso, por milhares de anos e agora apoiadas pela ciência, — deveríamos ter real interesse nestes conceitos,” diz  Douillard.

“Os seres humanos, desde seus tempos primordiais, têm se alimentado com grãos ricos em glúten, como o trigo e a cevada, por mais de 3,4 milhões de anos, de acordo com uma série de estudos.

Há muita ciência que não foi divulgada, sugerindo muitos benefícios para a saúde e a longevidade trazidas por grãos integrais, incluindo o trigo.  Agora temos uma indústria de produtos sem glúten que está girando em torno de  US$ 16 bilhões e promovendo mais alimentos processados.

A maior parte da ciência que franziu a testa para os grãos, foi feita para os grãos processados, não para os  integrais. Meu livro ‘Eat Wheat‘ compartilha mais de 600 referências sugerindo os benefícios documentados dos grãos integrais [versus] refinados.

Trinta anos atrás, eu estava tratando Epstein-Barr (nt.: virús do Herpesvirus humano),  fadiga crônica e Cândida. A primeira coisa que se faz é dizer aos pacientes: ‘parem com o trigo e os produtos lácteos’. Eles passam a se sentir melhor … Mas seis semanas depois … os mesmos problemas estão de volta. Aí vamos dizer: ‘deixe a carne ou se torne um vegetariano, ou até mesmo vegano ou crudívoro’. 

Acham muitos que, novamente, continuamos empurrando o problema com a barriga e nunca realmente lidamos com a realidade que subjaz, que é a nossa incapacidade geral para digerirmos alimentos difíceis de serem digeridos. Isso resultou por termos nossa dieta completa com alimentos processados, agrotóxicos e contaminantes ambientais.

Mas há uma boa ciência que mostra que estes alimentos processados, e nunca os grãos integrais, que literalmente abalam nosso sistema digestivo, particularmente a flora microbiana intestinal e as próprias enzimas que nos auxiliam a digerir o próprio trigo.”

É Provável que os Seres Humanos Hajam Ingerido Grãos por Milhares de Anos

Quando Douillard falou sobre o consumo de trigo pelos humanos, ele se referia especificamente a uma subespécie de seres humanos que haviam demonstrado ter comido grãos em forma de trigo há milhões de anos. (O ‘homo sapiens‘ não evoluíu há não mais do que 200 000 anos.)

A  visão Paleo, por outro lado, diz que os grãos foram agregados recentemente à alimentação dos humanos e que nossos antigos antepassados ​​eram principalmente caçadores-coletores e comiam uma quantidade limitada de grãos.

“Há muitos estudos: um realizado na Universidade de Utah. Há 3,4 a 4 milhões de anos encontrou-se glúten nos dentes de antigos humanos na África”, diz Douillard.

“Também detectaram de que estes antigos humanos podiam juntar suficientes grãos de trigo em somente duas horas para se alimentarem durante o dia. Todo o continente africano estava coberto de pastiçais.

Parece lógico que se tinham capacidade de coletar grãos de trigo suficiente durante todo o dia, isso era algo muito mais fácil do que perseguir um mamute lanudo ou um leão.

Não começamos a caçar nossa própria carne antes do que há uns… 500 000 anos. Temos genes carnívoros que datam de 500 000 anos. Temos, por outro lado, genética de uns 3,4 a 4 milhões de anos que mostram que comíamos trigo, cevada e glúten… De certa maneira, nossa genética quanto ao consumo de trigo é mais ampla do que a do consumo de carne.”

David Lieberman, um pesquisador de Harvard e professor que escreveu o livro, “The History of  the Human Body” (A história do corpo humano), mostra em sua pesquisa que no período paleolítico, a alimentação das pessoas  representava  em torno de 35 a 45 % de carboidratos, incluindo grãos de cereais.

De acordo com Douillard, o trigo foi domesticado faz uns 10.000 a 12.000 anos e os grãos cobriam grande parte do continente africano. Era uma fonte alimentícia difícil de ignorar.

Também cita a pesquisa que demonstra que a amilase, uma enzima que ajuda a descompor o trigo, foi geneticamente adquirida faz aproximadamente 2 milhões de anos.

Os Grãos Têm Seu Lugar na Alimentação—Sempre e Quando Haja Recuperada a Capacidade para Queimar Gordura

Quando escrevi o livro “The No-Grain Diet” há 13 anos, foi principalmente uma resposta à maioria dos pacientes que eu tratei e que sofriam de resistência à insulina (insulin resistance). Evitar os grãos é um passo importante para quem tem este tipo de complicações. Dito isso, hoje em dia meu ponto de vista quanto aos grãos vem melhorando com o passar dos anos.

Ainda que creia que normalizar a resistência à insulina segue sendo um passo fundamental, optimizar a função mitocondrial (mitochondrial function) é ainda mais importante para a boa saúde e prevenção de enfermidades. Uma parte importante disso é recuperar a capacidade de queimar gorduras como seu combustível principal–algo que não se pode fazer com 90 a 95% das pessoas.

Ter a capacidade de queimar gorduras de maneira eficiente implica uma alteração na alimentação, longe dos carboidratos líquidos– incluindo os grãos—com um enfoque em altas quantidades de gorduras saudáveis.

Por esta razão, creio que para a maioria das pessoas seja importante evitar os grãos durante as primeiras etapas que intencionem recuperar a capacidade de queimar a gordura como combustível principal. Como regra geral, recomendo manter o consumo de carboidratos líquidos abaixo dos 15 o 20 gramas por dia, até que haja recuperado esta capacidade de queima. Somente NESTE momento,  acredito que se poderia reintroduzir os grãos e torná-los parte de sua alimentação saudável.

“Creio que tem toda a razão”, disse Douillard. “Em 1960, quando decidiram eliminar o colesterol de nossa alimentação, substituíram o que tinha, por estes óleos processados, branqueados, desodorizados e refinados que são completamente indigeríveis.

Ao se caminhar pelo corredor dos óleos vegetais no supermercado se verá que todas essas garrafas cheias contêm óleos que podem rançar, que são completamente indigeríveis, que congestionam nosso fígado e nossa vesícula biliar.

Quando se analisa a maneira em que digerimos os alimentos, o fígado e a vesícula biliar são os que controlam a digestão.

A bílis gerada pelo fígado é como uma defesa que devora toxinas, gorduras e contaminantes ambientais. Ao se congestionar, perde esta capacidade de desintoxicar.

A bílis também amortiza o ácido no estômago. Quando se come um bocado de trigo ou lácteos, [seu estômago] requer uma grande quantidade de ácido.

Mas se não existe este poder tampão porque o fígado e a vesícula biliar estão congestionados por anos por estes alimentos processados, o estômago começará, lentamente, a deixar de produzir ácido. Portanto, nossa capacidade de digerir os laticínios e o trigo está ameaçada.

Como resultado de haver consumido alimento processados ​​por muitos anos… estamos com nosso sistema digestivo debilitado a um ponto em que já não pode digerir mais nada…

Estou de acordo com você–primeiro temos que refazer nosso modo de queimar gorduras–[e] estes alimentos processados​​ nos impedem de fazê-lo. Mas antes de eliminar os grãos de nossa alimentação, ou evitá-los temporalmente, devemos refazer a função digestiva já que este nosso sistema digestivo é o mesmo que desintoxica nosso organismo”.

NosSo Sistema Digestivo e o de Desintoxicação Estão Conectados Entre Si

De acordo com Douillard, a principal razão pela qual as pessoas se sentem mal ao comerem trigo não é porque haja algo inerentemente mal no trigo, senão porque é difícil digeri-lo e parte do problema, em primeiro lugar, se relaciona com a nossa deficiente capacidade para digerir os alimentos.

Ele acredita que se tudo o que se faz é evitar o trigo, seguirá experimentando problemas no futuro, devido a esta deficiência em nossa capacidade digestiva, ainda que em principio se sinta melhor. A razão disso é porque ainda não se focou no real problema, que é a deficiência da digestão.

É por isso que recomendamos eliminar os alimentos processados (processed foods) e alimentos contaminados com agrotóxicos. E, quando se come grãos, devem ser os grãos indicados. Em essência, é necessário refazer sua função digestiva. Uma vez que se alcance, poderia começar  a desfrutar certos tipos de pão (como os de trigo integral orgânico e pão de massa mãe) com moderação, sem experimentar nenhum efeito negativo.

“Temos comido grãos, trigo em particular, três vezes ao dia durante 50 a 60 anos numa versão processada em que o único que faz é congestionar nossa capacidade para digerir qualquer coisa. Temos que solucionar isso”, diz.

Como Otimizar a Função Digestiva

E a pergunta é: e então, como restaurar a função digestiva? Uma área de grande importância é evitar os agrotóxicos (pesticides) como o Roundup (Roundup), que nas últimas duas décadas, converteu-se em um contaminante dos alimentos básicos da humanidade.

Q pesquisa agora demonstra que o Glifosato (glyphosate) princípio ativo do herbicida da Monsanto, Roundup, causa síndrome de intestino permeável. Os alimentos transgêneros (Genetically engineered (GE) foods ) são conhecidos por terem maiores quantidades de contaminação por glifosato, devido a serem os cultivos resistentes a ele.

O trigo convencional (não transgênico) também tende a ter quantidades elevadas de resíduos de glifosato, gerada pela cortesia de um processo (nt.: ‘bolado’ pelos praticantes da visão degrada da produção de alimentos chamada agronegócio, em português e ‘agribusiness’ em inglês, já que produzem mercadorias ou ‘commodities’ e não alimentos) chamado dessecação (desiccation) (nt.: estado de extrema secura ou o processo de extrema secagem). O cultivo é pulverizado com glifosato pouco antes da colheita, para aumentar seu rendimento (nt.: solução tecnológica, inclusive com teses de pós-graduação, com a intenção de acelerar a maturação dos grãos e sua homogenização. Visão puramente mercadológica e nunca de saúde).

Emocionou-me muito dar-me conta de que Douillard tocou neste tema em seu livro, já que muitas pessoas ainda desconhecem este problema. Sabendo que é parte do problema, a resposta se torna mais evidente: comer sempre alimentos orgânicos, incluindo o trigo orgânico.

A chave é reparar o epitélio de seu trato intestinal. Douillard assinala de que existem vários estudos que demonstram que há diferença significativa entre o trigo integral e refinado.

O trigo integral suporta e incrementa os níveis de bactérias boas, apoiando a resistência dos tecidos epiteliais, protegendo-os então contra a síndrome do intestino permeável (leaky gut syndrome).

O trigo integral também poderia ajudar a diminuir a inflamação e a dor relacionadas com a síndrome do intestino irritável (IBS, sigla em inglês). Os problemas que muitas pessoas atribuem ao trigo são causados especificamente pelo  trigo refinado e processado.

“Existe muita ciência interessante… que não incluí no livro,  porque foi publicada depois. Um estudo demostrou que as pessoas que ingerem uma alimentação livre de glúten têm quatro vezes mais mercúrio no sangue do que as pessoas que comem trigo.

As pessoas cuja alimentação é livre de glúten têm menos bactérias favoráveis do que as desfavoráveis, do que as  pessoas que comem trigo.

Aquelas cuja alimentação não contém glúten têm menos células T, a grande atuante no sistema imunológico, do que aquelas que comem trigo, o que sugere que estes alimentos difíceis de digerir, lectinas e ácidos fíticos… [trazem] algum benefício…

Alguns produtos irritantes e venenosos em nossos alimentos  (como as tomatinas nos tomates e solaninas nas batatas andinas, que são venenosas)… são uma parte fundamental de nossa atual alimentação… Estes irritantes demonstraram ser excelentes para estimular o sistema imunológico…

O que estamos começando a ver é que quando eliminamos de nossa alimentação todos os alimentos difíceis de digerir… nosso sistema imunológico se vê ameaçado devido a este hábito…

Durante quase 4 milhões de anos temos comido grãos. Teremos uma necessidade genética a este tipo de irritantes para ativar nosso sistema imunológico? A ciência aponta nesta direção”.

A Importância dos Alimentos da Época

E seu livro “The 3-Season Diet: Eat the Way Nature Intended,” Douillard mergulha noutra pesquisa que sugere que possa haver imperativos biológicos para se comer alimentos de acordo com as estações. Diferente microvida estará presente no solo e nas plantas durante as diferentes estações e comer certos alimentos em certas épocas do ano, pode ser oportuno para efetivamente otimizar o nosso microbioma intestinal (gut microbiome).

Por exemplo, no outono e no inverno, enzimas como a amilase aumentam nos grãos. Durante o verão e a primavera, ela decresce e esta enzima especificamente auxiliar nosso organismo a digerir alimentos como os grãos. Então é por isso que não deve ser por acaso de que os grãos são colhidos no outono e no inverno quando os níveis da amilase estão mais elevados.

“Quando se pensa sobre [isto], talvez devêssemos comer estes grãos num tempo devido no ano ao invés de comermos qualquer coisa todo o tempo por três vezes ao dia na forma processada que nem podemos digerir”, Douillard sugere. “Somos parte do ritmo circadiano da natureza. Nós perdemos completamente esta realidade … Os pássaros voam para o sul, as baleias migram. Nossa sobrevivência depende também de nós estarmos conectados com estes ritmos da natureza. E parte disso é o que nos alimentamos. 

Eu, na verdade, publiquei, gratuitamente, uma lista mensal de supermercado (monthly grocery list), uma lista de super alimentos (superfood list) e uma lita de receitas (recipe list1 para as pessoas se alimentarem com os produtos sazonais … para cada mês do ano, porque eu sinto que isso é muito importante para as pessoas conhecerem quais alimentos estão na época adequada e saberem como prepará-los.

A microvida do solo muda a cada estação. E os alimentos sazonais levam estes organismos para nossos sistemas digestivos, tornando-se nossa nova microvida estacional. Eles nos auxiliam a ter uma melhor imunidade no inverno, descongestiona na primavera e dissipa o calor no verão …’

Acho que isso é uma peça de um quebra-cabeça … [I]sso é um ponto chave que pode ser traiçoeiro se nós o ignoramos completamente. Se os veados morrem caso comam [casca de árvores] fora da estação, significa que podemos comer indiscriminadamente qualquer coisa que desejarmos, quando bem quisermos? Acredito que não …

Claro, poderíamos comer maiores quantidades de proteína e de gordura, uma dieta mais Paleo, no inverno … Mais nozes, sementes, grãos, carne, ensopados e sopas. Mais verduras folhosas, inflorescências e ‘berries’ na primavera e frutas e vegetais no verão. A dieta poderia mudar dramaticamente de maiores volumes de proteína e gordura no inverno a baixa quantidade de gorduras na primavera a frutas ricas em carboidratos e vegetais no verão. E isso é algo não fazemos mesmo.

Se recebermos uma lista de supermercado e colamos na bolsa e formos com ela às compras, começaremos a trazer mais desses alimentos em nossa dieta. Isso, juntamente com a reinicialização do sistema digestivo e tentando limpar a dieta e comer organicamente, podemos ajudar as pessoas a reiniciarem a força de sua digestão para que eles possam começar a digerir o pão novamente

Um pão verdadeiro tem em seus ingredientes o trigo integral orgânico, sal, água e um fermento também orgânico. São necessários três dias para assar o pão, quando o pão de supermercado se faz em duas horas. Este pão [comprado em lojas] nunca vai endurecer. Ele é colocado lá na bancada e fica macio por semanas em razão de óleo vegetal que usam que estende a vida de prateleira dele, mas para nós ele é indigerível.”

Princípios Ayuvérdicos para Melhorar a Saúde Digestiva

Para melhorar a habilidade do organismo de queimar gordura como seu combustível primário, levar em conta jejuns intermitentes. Nunca ignorar de que as refeições são o maior parte do problema. Comer constantemente impede que o nosso corpo queime toda a gordura armazenada.

Tornar-se o queimador de gorduras mais eficiente também melhorará seus níveis de energia e estabilizará o humor. “O almoço deve ser a maior refeição”, diz Douillard. “O jantar pode vir como um ‘suplemento’ ou  uma ‘sopa’. Assim tentar comer refeições menores, se puder, à noitinha.”

Para restaurar a saúde digestiva, estar seguro de evitar alimentos processados. Douillard também recomenda a incorporação de gengibre (ginger), cominho (regular, não o negro), coentro (coriander), erva doce (fennel) e o cardamomo na nossa culinária. Estas iguarias têm poderosos benefícios digestivos que mantêm a saúde digestiva. ”

“Quando colocamos tudo junto, alguma coisa,  como que por mágica, ocorre. Esta é uma antiga fórmula que foi usada por milhares de anos pra refazer o sistema digestivo”, diz Douillard. Isso faz parte pelo descongestionamento dos dutos da bile e melhorar a produção de ácido hidroclorídrico, enzimas digestivas e  pancreáticas.

Quando ingerimos cúrcuma, coentro, erva doce (ou funcho), gengibre e cardamomo (cardamom ) juntos, amplificam os benefícios de cada um deles.  Douillard tem um website (nt.: http://store.lifespa.com/gentle_digest.html) onde vende estas especiarias como um suplemento que chama ‘Gentle Digest‘. O ideal é adicioná-los às refeições todos os dias. Normalmente, demora umas duas a três semanas para reformular nossa digestão quando usamos estas ervas diariamente. Se usar um suplemento, ingira junto com sua refeição principal.

A seguir, para melhorar o fluxo da bile de nossa vesícula biliar como nossa habilidade para digerir gordura, incorporar alimentos que promovam a bile como alcachofra (artichokes), feno grego, erva doce ou funcho, beterrabas, maçãs e aipo, agregar a nossa dieta. Tomar pequenas quantidades de suco de beterrabas, maçãs e aipo com nossas refeições é um caminho simples para melhorar nossa digestão. Chá de feno grego ou de erva doce/funcho são outras opções tradicionais.

“Nosso fluxo da bile nos permite ir ao banheiro. Regula a função dos movimentos peristálticos dos intestinos. Desintoxica nosso organismo, faz uma esfregação de nossas vilosidades intestinais. Permite a emulsificação das gorduras para a liberação das boas gorduras para nosso cérebro e nosso corpo bem como livrar das más gorduras além de ser um para-choque dos ácidos de nosso estômago. Sem tudo isso, sob o aspecto de digestão, estamos realmente estaremos enfrentando um grande problema “  observa ele.

O que faz a Linfa tem a fazer com isso?

Tanto a saúde do sistema linfático como a otimização de seu fluxo são importantes. De acordo com Douillard, pesquisas têm demonstrado que quando nosso corpo não consegue metabolizar o trigo, ele vai indigerido do estômago para o intestino delgado. Como vai indigesto, resulta — devido ao ácido estomacal fraco e a falta de bile para atuar como para-choque — de que as proteínas entram nos dutos coletores de nosso sistema linfático que margeia inteiramente todo o nosso trato intestinal.

O sistema linfático é o maior sistema circulatório de nosso corpo. Ele é o sistema de desintoxicação das más gorduras e o carregador do sistema imunológico. Quando a linfa que está em torno do sistema intestinal estiver congestionado,  nosso trato intestinal ficará inchado, fazendo com que nos sintamos estufados.

“A linfa pode estar tão congestionada que remeterá as gorduras consideradas negativas para a região abdominal, causando a gordura da pança. Existe ciência séria que apoia estes aspectos. A linfa circula abaixo da nossa pele. Quando ela, em torno de nossos intestinos, torna-se congestionada  … [vai] direto à nossa pele, causando erupções cutâneas e irritação, que eu  acredito estarem relacionadas com os grãos que contêm glúten.

Recentemente descoberto pela Universidade da Virgínia , em torno de dois ou três anos atrás, detectou-se linfa no cérebro, chamada de  glinfáticos (nt.: conforme texto anterior de Mercola, o G é uma conexão com as células gliais) (glymphatics), (nt.:  https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/06/25/estudo-acha-elo-entre-cerebro-e-sistema-imune-que-desvenda-doencas-mentais.htm) que drena mais de um quilo de substâncias químicas tóxicas, expulsando de nosso cérebro, a cada ano, enquanto estamos dormindo.

Quando estes vasos linfáticos estão congestionados — em razão da congestão da linfa da digestão nos intestinos que é onde a parte do leão  da linfa no corpo está localizada —os vasos das linfas cerebrais não podem drenar e estão agora conectadas diretamente à ansiedade, depressão, declínio cognitivo, infecção e condições de inflamação e autoimunidade … Temos um problema real no sistema linfático em razão da fraca digestão”.

Para melhorar a saúde linfática, podemos usar beterrabas, a maioria dos vegetais, ‘berries’ ricas em polifenóis como cerejas, mirtilo e amora, além de certas ervas, incluindo raiz vermelha e ‘manjistha’. O movimento também irá melhorar o fluxo da linfa e um reboteador é excelente para isso. Para otimizar o fluxo da linfa cerebral (glinfático), assegurar um sono suficiente, já que o nosso cérebro só pode desintoxicar durante o sono profundo. Douillard também fornece uma série de outras estratégias em seu livro.

UMA VEZ QUE A DigestÃo EsTEJA ProprIAMENTE RESTABELECIDA, o TRIGO PODE SER ReintroduZIdO

Em adição ao meu próprio trabalho, também queria dirigir o potencial conflito percebido entre o que Douillard está promovendo em seu livro “Eat Wheat” e as recomendações do Dr. David Perlmutter, detalhadas em “Grain Brain” e outros livros. Perlmutter, na verdade, entrevistou Douillard recentemente e parece estar disposto a abraçar muitas das noções dele. Podemos ouvir esta entrevista no website de Douillard – LifeSpa.com.

“David (Perlmutter) também é meu velho amigo. Ele ficou muito satisfeito com este debate”, diz Douillard. “Eu sinto realmente como esta questão de comer ou não trigo … precisa verdadeiramente ser tratada em um fórum aberto.

As pessoas precisam ouvir a ciência dos dois lados em razão de existirem pesquisas sugerindo que o trigo integral (não refinado) é, na verdade, muito benéfico. Ao mesmo tempo, existem outras dizendo que ele pode ser arriscado e perigoso. Necessitamos ter mais entendimento sobre isso. A única maneira de fazermos isso é com diálogo.

O Dr. Perlmutter foi ótimo. Acredito que ele está totalmente convencido da falência do sistema digestivo. Sua contestação foi a interrupção da ingestão de trigo por ser de difícil digestão. Já a minha objeção era: ‘OK. Mas vamos recuperar o sistema digestivo. Aí então talvez possamos comer trigo saudável e não banir os grãos de nossa dieta’ , que é exatamente o que estás dizendo.

Acho realmente ótimo estarmos todos com a mesma filosofia. Por 30 anos, tenho auxiliado pessoas a refazerem sua digestão e passarem a inabilidade de ingerir tanto trigo como lácteos para sua capacidade total de comê-los.  Sei ser totalmente viável e as pessoas podem obter sucesso com isso.

Também sei quando eles podem fazer isso, a habilidade para a desintoxicação … é significativamente melhorada. Isso, não queremos abdicar. Não queremos continuar sem a habilidade de desintoxicar naturalmente nosso organismo. Fazer o processo ‘detox’ também é uma peça muito importante do quebra cabeça, já que temos um sistema de desintoxicação natural que precisa ser otimizado regularmente. Isso vem da reativação da força digestiva”.

Trigo Refinado Versus integral

Provavelmente todos já ouvimos o termo “barriga de trigo”. Douillard acredita num termo mais apropriado que seria “barriga de açúcar”. O trigo refinado e processado tem um índice glicêmico muito alto que é em parte porque ele foi culpado por ter aumentado nosso risco de ter qualquer coisa, do inchaço da barriga ao declínio cognitivo até o Alzheimer.

No entanto, alguns estudos mostram que o trigo integral pode, na verdade, reduzir o declínio cognitivo, nos protege contra o Alzheimer e reduz o risco da diabetes tipo 2. Parte disso deve ser relacionado ao fato de que o trigo integral tem um índice glicêmico muito mais baixo.

Acho que a coisa mais importante que devemos fazer, juntamente com a exclusão do alimento processado … é  avaliar a quantidade de açúcar que estamos comendo e tirá-lo de nossa dieta será o melhor que podemos fazer. Temos uma papila gustativa para o doce, e 300 para o amargo … A pessoas são viciadas no sabor [doce]. Podemos quebrar este vício ao colocarmos, na verdade, nosso corpo no equilíbrio.

Um dos princípios ancestral nesta perspectiva é ter todos os seis sabores em cada refeição: doce, azedo, salgado, picante, amargo e adstringente.

“Cada um destes sabores fornece um tipo de apoio emocional. Deixamos a refeição emocionalmente estáveis e equilibrados, sem o anseio de uma sobremesa porque a refeição forneceu-nos todos estes seis sabores e assim nutriu-nos emocionalmente de maneira completa e equilibrada. E refeições equilibradas são realmente fundamentais,” diz Douillard.

“Aqui é onde tenho uma pequena discordância com a dieta Paleo, porque o antropólogo de Harvard nos dirá que o povo paleolítico não comia apenas carne e vegetais. Eles dispunham realmente de grãos e tubérculos além de carboidratos em suas dietas.”

“Também concordo contigo. Primeiro precisamos definir que a queima de gorduras com a fonte primária de combustível, porque não podemos sair por aí comendo um monte de comida gordurosa e então comer um monte de bons e saudáveis carboidratos. Isso é muita caloria, muito combustível e vamos armazenar todo este combustível como gordura. Assim, temos que redefinir a função primeiro e então podemos voltar a ser equilibrados. Comecemos com a reativação da força digestiva.”

Mais Informações

O diabo está nos detalhes como diz o dito, e o livro de Douillard está repleto deles, incluindo alguns específicos sobre que tipos de trigo temos para comprar e onde encontrá-los se quisermos fazer o nosso próprio pão.

Interessante é que eu atualizei minha cozinha e agora tenho um forno a vapor por convecção que é a melhor maneira de assar pão. Como se observa em seu livro, o pão fermentado, por exemplo, é basicamente livre de glúten porque os microrganismos, similar ao que ocorre com o iogurte, digere todo o açúcar durante o processo de fermentação.

“Em uma pesquisa italiana, foi fornecido pão fermentado livre de glúten às pessoas que [eram] celíacos e elas não tiveram inflamação intestinal,” ele comenta.

“De fato, pesquisas mostram que grãos integrais como o kamut (nt.: não é um tipo de trigo, mas sim uma marca, dizem que as sementes teriam vindo de uma descoberta, no séc XX, em uma tumba de um faraó), na verdade, reduzem significativamente a inflamação intestinal. Existem uma série de informações sobre trigo e panificação em formas tradicionais e antigas que acabamos perdendo. Se quisermos trazer de volta, a maioria de nós pode começar a digerir o pão novamente de maneira apropriada e pararmos de tirar coisas da nossa dieta porque  esta alternativa só oferece solução temporária. Isto não está direcionado para o problema subjacente.”

Se o leitor estiver intrigado, recomendo com veemência que compre o livro “Eat Wheat: A Scientific and Clinically-Proven Approach to Safely Bringing Wheat and Dairy Back Into Your Diet.” Nele o autor, Douillard, fornece um guia de como fazer tudo isso com propriedade e assim poderá melhorar e não piorar sua saúde. Pode também acessar mais informações sobre o trabalho do Dr. Douillard em seu werbsite LifeSpa.com.

 

Fontes e Referências

Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, abril de 2017

 

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