Revolução dos cocos

Revolução dos cocos. A primeira revolução verdadeiramente ecológica. Um povo que, ao reconhecer que os invasores jamais respeitarão a força da conservação de uma ‘casa’ (oikos/eco), expulsa-os porque aquilo que ‘conhece’ (logon/logia), em seu âmago, é a essência do amor por seus conterrâneos, de ontem, hoje e amanhã, e todos os seres que habitam seu Lar.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_dos_Cocos

 

Sua pequena terra onde vive seu pequeno povo é dividida entre dois países do chamado Primeiro Mundo com o desígnio, já examinado, de explorar seu território no arrebatamento dilacerante do capital por minérios importantes para o funcionamento do outro mundo, o pós-moderno e urbano, diferente de sua cultura pacata e rural.

Seu povo é pequeno, vive em uma ilha afastada dos grandes centros e recebe um embargo econômico e estrutural do país mais próximo que antes governava sua terra. A eletricidade é desligada, a alimentação é cortada, e todos os outros aparatos de sua sobrevivência somem, de uma hora para outra, e todo o resto, que permaneceu inteiro, é bombardeado pelas forças do novo inimigo: seu antigo governo tirano, o qual vendeu sua terra a uma grande multinacional: a Rio Tinto Zinc.

“A Rio Tinto é uma multinacional inglesa e australiana do ramo de mineração, com escritório central Londres, Inglaterra. A empresa britânica Rio Tinto Company foi formada em 1883 para explorar minas de cobre em Rio Tinto, no Sul da Espanha. Pouco depois, em 1905, surgiu na Austrália a Consolidated Zinc Corporation, relacionada à extração de zinco em Broken Hill. A fusão das duas empresas ocorreu em 1962, formando a RTZ (The Rio Tinto-Zinc Corporation)” – informações retiradas da apresentação da empresa.

A Rio Tinto, então, entra no território onde você vive, abre uma cratera abissal onde antes havia floresta, explora, consegue o que quer, e vai embora por que seu povo não quer mais viver sob o caudilhismo da multinacional. Ela parte, mas deixa de herança cicatrizes ambientais para os próximos 200 anos.

A gigante cratera que pode ser vista por imagens de satélite.

 

Geograficamente, etnicamente, culturalmente, Bougainville sempre foi parte das Ilhas Salomão. Contudo, cem anos atrás, o imperialismo, como aconteceu nos quatro cantos do globo, decidiu mudar isso de forma antidemocrática. Muitos foram os mandantes da Ilha de Bougainville desde que seu explorador, o francês Louis de Bougainville, “descobriu” o paraíso.

Sob tratados ditatoriais entre Alemanha e Inglaterra, Samoa foi dividida em duas: “vamos deixar A Samoa Ocidental pra vocês”. Inglaterra disse: “fique com Bougainville”. E assim consecutivamente, passando pelas mãos da Inglaterra e Japão até ser tomada por Papua Nova Guiné, que conseguiu independência em 1975, Bougainville viveu sob o ataque feroz dos mercantilistas afobados. A ilha chegou a pertencer mais a um empreendimento do que a qualquer governo ou tipo de comando estatal que estivesse acima dos negócios dos estrangeiros.

Mas nesta pequena ilha vivia um povo díspar. Um povo intenso e distinto (http://www.revistaovies.com/estante/2011/06/uma-guerra-que-ninguem-viu/).

O convite é que te impregnes deste aprendizado e avala como e o que estás fazendo com o tua ‘ilha’, com os invasores do teu ‘chão’ e que arrombam a tua porta (lembra de Mariana, em Minas?).

 

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